Retina Desgastada
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14 de setembro de 2015

Jogando: Tcheco in the Castle of Lucio

Estava conversando com meu filho ontem de noite sobre como recentemente jogamos e terminamos três jogos tristes: Submerged, Brothers - A Tale of Two Sons e Papo & Yo (análise em breve). Contei para ele que existem jogos sobre quase todo. Tem jogos que te fazem pensar, tem jogos que são tristes, tem jogos que dão medo.

E tem jogos felizes.

Tcheco in the Castle of Lucio

Tcheco in the Castle of Lucio é um destes títulos felizes. Talvez um dos mais felizes que já passou por aqui, porque claramente seu único desenvolvedor se divertiu pra caramba em produzi-lo e esperava que você tivesse um sentimento latente de despreocupação, enquanto desbrava este estranho castelo onde nada faz sentido, onde a insanidade trabalha em prol da diversão.

Mais do que um jogo feliz, Tcheco é uma homenagem sincera a um tempo em que não havia jogos tristes, nem jogos que te faziam pensar. Uma época em que a lógica dos mundos era largada de lado e um encanador bigodudo que nunca consertou uma descarga na vida podia se tornar um herói de uma geração esmagando tartarugas, fugindo de balas gigantes e disparando bolas de fogo enquanto procurava uma princesa em outros castelos. Uma época em que ouriços azuis corriam em alta velocidade e todo mundo achava normal.

Neste Castelo do Lúcio (ou do Sarney, como era originalmente, mas cujo nome mudou para evitar problemas, provavelmente) nenhuma sala se conecta com a outra, nenhuma tela possui um tema unificado. Você desvia de nadadoras com sobrepeso, do fantasma de Groucho Marx, invade um cofre de banco e sai pelo nariz de uma estátua gigante. Espere o inesperado.

Tcheco in the Castle of Lucio - Nadadoras

Sem saves, sem checkpoints, o desafio aqui é vencer as 65 salas de uma vez só. Algo que alguém com talento para plataforma pode fazer em 12 minutos. A paciência do meu filho se esgotou talvez na quarta sala. O nível de dificuldade que o Tcheco exige é demais para sua sensibilidade de quem nasceu já no século XXI. A curiosidade nos impeliu. Eu jogava. Ele assistia. O "jogo do Tcheco" virou uma piada interna nossa. Antes de cada sessão de jogo eu sempre pergunto para o meu filho: "o que você quer jogar?". Independente da resposta dele, eu fingia escutar "jogo do Tcheco" e clicava no simpático ícone que traz a cara do protagonista. Cinco, dez minutos depois, meu progresso era mínimo (ou nulo), mas rendia boas risadas. E assim, fomos progredindo talvez até a sala 20 (o nível depois das nadadoras - só cheguei lá uma vez e morri tão rápido que nem lembro sobre o que era).

A piada se acabou quando resolvi ver no YouTube o quanto ainda faltava. Faltava muito. E algumas salas, só de olhar,  eu sentia que nunca teria a capacidade física e mental de passar. Não que eu tivesse a pretensão de concluir as aventuras de Tcheco, mas ter a verdade ali escancarada na minha frente foi um baque bem forte.

Chega a ser irônico que o herói aqui tenha um constante olhar de sofredor. Porque, no final das contas, Tcheco in the Castle of Lucio é um jogo feliz. De uma época mais feliz. De um desenvolvedor feliz com seu trabalho totalmente amador, mas totalmente apaixonado (e apaixonante). E com um preço tão camarada que também pede um sorriso.

Cowabunga!

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2 comentários:

blacksheepaway disse...

Se não me engano, o nome mudou porque a piada do Sarney não faria sentido em inglês, então "In the castle of Lúcio" foi feito pra soar como "In the castle of illusion", aquele clássico do Mickey.

C. Aquino disse...

Ahahahaha, mais uma sacada hilária do Tcheco. E eu aqui pensando em medo de processo... :)

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