Retina Desgastada
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12 de abril de 2015

(não) Jogando: Firefall

Firefall

Quando sentei para escrever sobre Firefall pela primeira vez, eu tinha quatro horas de jogo e a sensação de não saber onde estou ou para onde estou indo. Agora, com nove horas de jogatina marcadas pelo Steam, continuo com a sensação de que não sei o que estou fazendo aqui, mas o futuro é claro: o jogo será desinstalado.

Firefall é um título belíssimo visualmente e com um imenso potencial, mas perdeu seu rumo após um longo, longo período de desenvolvimento que parece não ter fim. Seu rico enredo foi largado pelo caminho e substituído pela necessidade gritante de agradar a todos ao mesmo tempo e pela monetização.

Após um longo hiato, quando retorno ao título há a impressão de alguns detalhes mudaram. Há indicações melhores no mapa de para onde eu posso ir para ver um pouco de ação. Esse pouco de ação continua a mesma coisa: aranhas, mosquitos e tatuís mutantes gigantes emergem do nada em ondas e você precisa destruí-los. É o básico do básico do grinding de qualquer MMO, exceto que aqui o senso de progressão é inexistente, seja em termos de enredo, seja em termos de níveis de poder. Onde está aquela peça de equipamento que lhe confere +2% na Estatística X, que é quase nada, mas dá aquela sensação boa de ir para frente? Não há. Você acumula itens de pouco valor que servem para comprar itens de pouco efeito. Com uma fortuna em cristais em mãos, adquiri cinco granadas. Usei as cinco em um combate árduo. Tiveram literalmente pouco impacto.

A verdadeira evolução está escondida em armaduras, battleframes, que precisam ser adquiridas com dinheiro do mundo real. Ou isso ou entendi muito errado, porque outro defeito do jogo é a falta de explicação de tudo.

Firefall - Danger

Uma segunda mudança que notei entre Fevereiro e  ontem foram os bugs. Cliquei oito vezes na job board, o computador no universo do jogo que lista as missões disponíveis para você. Cliquei oito vezes e não aconteceu nada. Saí por aí, rumo a um ponto no mapa que indicava a presença de bandidos, desafios bem mais interessantes que a fauna local. Vários minutos depois, no meio da luta, a interface missões abriu. Cliquei para fechar. Abriu de novo. Abriu todas as oito vezes que eu havia clicado antes, com um atraso inacreditável. Enquanto isso, tomava chumbo. Não cheguei a morrer por causa do bug, mas foi desagradável.

Em uma das vezes que a interface apareceu, aceitei a primeira missão listada, sem nem ler. A descrição da missão só apareceu dois minutos depois, quando já tinha até esquecido novamente.

Firefall 03

Percebi também a falta de variedade das missões. Em uma delas eu tinha que verificar o que aconteceu com um time de patrulheiros. Chegando no acampamento deles, fui atacado "de surpresa" por aranhas. Seguindo o rastro dos sobreviventes, encontrei um corpo. Ao investigar o corpo, fui surpreendido outra vez por aranhas. Continuando na pista, achei outro cadáver. Absolutamente nada ao redor. Ao clicar no defunto... ataque "surpresa" de aranhas. Acredite se quiser, no final da missão, achei o terceiro e último cadáver e, ao chegar perto, mais aranhas. Depois disso tudo, uma caminhada de 500 metros até o quest giver, porque no futuro ninguém usa celular.

O combate é frenético, mas repetitivo e sem variedade. A paisagem é de cair o queixo, reconheço. Tiro fotos a todo momento. Mas o verniz dura pouco. Ao explorar uma caverna, encontro uma base abandonada, destruída, com um nível que só pode ser alcançado com saltos calculadas de retrofoguetes. Chegando no nível "secreto", não há nada para enfrentar além de um par de bandidos. Nenhum prêmio. Nem mesmo um fragmento de história. Isso é Firefall tentando me dizer: "não se aprofunde, não procure por camadas".

Firefall - Segredo

Eu entendo o recado.

Há um universo de MMOs lá fora me esperando.

Ouvindo: Titãs - Cegos do Castelo
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3 comentários:

Shadow Geisel disse...

"Chegando no nível "secreto", não há nada para enfrentar além de um par de bandidos. Nenhum prêmio. Nem mesmo um fragmento de história. Isso é Firefall tentando me dizer: "não se aprofunde, não procure por camadas".

Sei que o exemplo que vou dar não se encaixa completamente no assunto, mas não consegui deixar de lembrar de Dunwich Building (acho que o nome é esse, daquele prédio onde temos que destruir um livro Necronomicon-like de uma quest do Point Lookout), no Fallout 3. Algo que gostei muito no New Vegas é que deram uma enxugada nesses momentos de exploração sem razão de ser. é triste você desbravar um prédio com cinco andares lotados de super mutantes pra achar um grampo de cabelo e 100 tampinhas de garrafa (coff, coff... Necropolis...).

Quero dizer, um mundo aberto com uma credibilidade que se preze não vai ser um mercado a céu aberto esperando pela necessidade/vontade do jogador, mas se estamos falando de um universo pensado para acomodar jogadores, ele no mínimo tem que mostrar alguma coerência.

Fausto Albertoni disse...

Shadow, ou encarar a morte de frente ao destruir uma formiga-gigante-maldita juntamente com toda a sua horda de operários, e ganhar apenas um punhado de vísceras. ¬¬' Mas tudo bem, eu perdoo Fallout 3.

Em Skyrim as coisas me pareceram bem diferentes, cada exploração rendia algo gratificante. Era prazeroso vagar aleatoriamente pelo mapa.

Shadow Geisel disse...

verdade Fausto. Eu reclamo pq ter senso crítico é sempre bom, mas a exploração tanto no FO3 quanto no Skyrim podem ser considerados um elemento à parte nesses jogos.

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