Retina Desgastada
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13 de fevereiro de 2014

(não) Jogando: Path of Exile

Path of Exile

Se Path of Exile tivesse sido lançado em 1998, 2000 ou mesmo 2002, acredito que teria entrado para minha Lista de Favoritos. É a evolução natural de Diablo, com mecânicas sensacionais, gráficos espetaculares (mesmo para os padrões de 2014) e um preço que não dá para competir.

Infelizmente, eu mudei junto. Não sei sé cabível o termo "evolução", uma vez que seria arrogância e falta de visão declarar que sou um jogador melhor do que era 16 anos atrás. Existe um bom motivo para nunca ter corrido atrás de Diablo 2 ou 3 nos últimos anos, um motivo que Path of Exile algum pode consertar: sou um jogador diferente.

Joguei o título gratuito da Grinding Gear por sete horas no ano passado. Semanas se passaram sem ter vontade de voltar, o jogo sequer foi lembrado na hora de fazer a lista de títulos jogados em 2013 e mais um mês e meio se passou até eu tomar fôlego e sentar para escrever sobre. Sem espanto, percebo também que não guardei nenhuma screenshot. Em mim, Path of Exile foi uma febre que deu e passou, sem deixar seqüelas.

Mas, afinal, o que é Path of Exile? É um Action RPG em terceira pessoa, F2P (mesmo), com toques de MMO. Na trama, você é um exilado (daí o título), enviado para uma ilha inóspita para uma sentença que é praticamente uma condenação à morte, porque a tal ilha é infestada de monstros. E, quando digo "infestada", quero dizer que é impossível andar por um minuto inteiro sem esbarrar em pelo menos cinco inimigos, geralmente simultâneos.

Combate

Os paralelos com Diablo, qualquer Diablo, são óbvios: a história é contada através de fragmentos de texto encontrados em alguns lugares e, na verdade, tem pouca importância; você precisa matar uma grande quantidade de inimigos para subir de nível; até o mais inusitado monstro deixa cair itens no chão que você irá comparar com os que já tem para ver se vale a pena trocar, subindo habilidades e estatísticas à conta-gotas; NPCs são basicamente interfaces de compra/venda/conserto de itens. É uma fórmula batida, mas há quem goste.

Como disse, parei no primeiro Diablo (e alguns clones) e não sei como o gênero avançou. Para mim, Path of Exile tem ótimas ideias. Primeiro, os itens podem receber upgrades individuais na forma de gemas encantadas. Segundo, a árvore de evolução do personagem é de cair o queixo. Estas duas primeiras ideias somadas permitem um nível de customização de personagem raramente visto em RPGs. Terceiro, frascos de poções se enchem sozinhos depois de um tempo ou de acordo com o número de inimigos abatidos. Chega de carregar dezenas de poções no inventário!

Árvore de Evolução

Path of Exile é claramente uma obra de paixão de seus criadores: um Action RPG que repete alguns dos elementos da velha guarda e acrescenta novos sem cobrar um centavo. Em muitos aspectos técnicos, Path of Exile é inclusive superior a títulos pagos: gráficos, efeitos sonoros, música. Foram seis anos de desenvolvimento que levaram a um produto muito bem polido. Para quem quiser ajudar, há itens que podem ser comprados na loja virtual, porque desenvolvedores tem contas para pagar, mas estes itens não são indispensáveis.

Naufrágio

Mas Path of Exile também tem algumas ideias ruins. Depois de uma magnífica introdução onde você acorda como um náufrago em uma praia castigada pela chuva, com relâmpagos riscando o céu, inúmeros cadáveres ao seu redor e inúmeros cadáveres se reanimando ao seu redor e onde você precisa se defender com um pedaço de ferro afiado, o título lhe dá um banho de água fria ao apresentar a primeira (há outras?) vila. O lugarejo inteiro é menor que uma sala de aula e concentra os únicos três habitantes do lugar. Todos os três podem vender/comprar/consertar e oferecer missões, só troca a aparência e o dublador. Este lugar funciona como um ponto focal onde é possível encontrar outros jogadores e, quem sabe, formar grupos. A vila é um claro retrocesso em relação a Tristram do primeiríssimo Diablo, que já era um exemplo de minimalismo em relação às vilas iniciais de outros RPGs do passado.

a vila A vila cabe inteira em uma tela

E, assim como Tristram, essa "vila" é um lugar para onde você irá voltar com bastante frequência. Por que os monstros desta ilha tem bolsos largos mas o seu inventário é limitado. Se você quiser sobreviver na economia do escambo da ilha, vai ter que fazer muitas viagens para abrir espaço para coisas novas. Para um rato coletor como eu, era um exercício de tédio.

A segunda ideia ruim é a incapacidade de salvar ao seu bel-prazer. Cada área da ilha é gerada randomicamente e todos os monstros ressuscitam depois de muito tempo. A menos que você consiga ativar um ponto de teleporte específico, periga você no dia seguinte ter que atravessar a mesma área toda de novo, com outra disposição de elementos, mais uma vez entupida de inimigos.

Quebra de imersão e inabilidade de salvamento são até defeitos pequenos perto das boas ideias de Path of Exile. O que realmente me afastou foi a repetitividade e a falta de desafio. Determinadas áreas estão repletas dos mesmos dois ou três tipos de inimigos e depois do vigésimo Esqueleto abatido, o jogo perde em suspense ou interesse. Some a isto uma falta de objetivos e temos uma combinação fatídica: por que raios eu estou aqui matando meu milionésimo monstro com tentáculos mesmo?

Sequer lembro do meu personagem, mas agora ele está para sempre exilado naquela ilha, sem saber como sair de lá, em uma vila de três moradores.

Ouvindo: Sirenia - This Darkness
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5 comentários:

Vilas Boas disse...

Path of Exile... participei do Beta feliz da vida, nesse mesmo período estava furioso com a Blizzard por ter "me presenteado" um Demônio com tetas, as frustações se foram ao testar Path e que satisfação! diferente do terceiro capítulo de Diablo, nesse jogo que ainda estava engatinhando, eu vi um imenso potencial! Escuro, muito sangue, com ótima caracterização (skills) e trilha sonora excelente. Ao longo dos meses cansei, sem nenhuma explicação aparente! acredito que compartilho a opinião de Aquino nesse quesito, cansei do gênero! tentei sem sucesso jogar D3 e ao ver novamente aquela paleta de cores desloguei sem demora.

Mas só o fato de ser de graça, já vale uma experimentada, se gostar continue nessa ilha maldita (jogo não tem intro, estranho!) caso não curta, existem outras centenas de jogos por aí!

Daria nota 6,5 para o Caminho do Exílio!

Fagner "Stigmata" Pelicioni disse...

É uma pena que sua viagem por este game não tenha sido tão agradavel. To pra dizer que é a melhor (e mais barata) alternativa para quem não pode ou não gostou do Diablo 3. E vou além, dá pra perder muito mais tempo em PoE e sua infinita possibilidade de construção de build.

Mas pra mim Diablo tem um lugar especialmente guardado no meu coração e o cuidado que a Blizzard teve com esse jogo não tem preço, é belissimo (apesar de tudo), não me canso de contemplar alguns dos seus cenários desenhados a mão.

Ed R. M. disse...

Eu sou mais o Diablo III, nem que seja peloa história da franquia. heheh.

Mas, sério, curti mto o Diablo III. O PoE não me atraiu, mas com certeza é uma ótima pedida para muitos por ser algo de qualidade e F2P.

Marcos A. S. Almeida disse...

Sinceramente , 7 horas jogadas nele é praticamente nada, visto a quantidade de variáveis que envolvem a jogabilidade dele.Mas,suas impressões se justificam por se tratar de mais um episódio da série "Não Jogando".
De minha parte , depois de 112 horas jogadas, reafirmo: é um grande jogo.Vou contra-argumentar os dois pontos que você chamou atenção:
" O lugarejo inteiro é menor que uma sala de aula..." Sim , realmente é um vilarejo bem pequeno , se é que pode ser denominado assim, mas como a ênfase do jogo é o multiplayer ,e voltaremos frequentemente á este ponto, não vejo motivo pra ter um vilarejo maior e com maior dificuldade pra chegarmos ao baú onde armazenamos os itens.
"Por que os monstros desta ilha tem bolsos largos..." Não é que eles tenham os bolsos largos, é que são muitos e , como você bem disse, todos eles largam 1 item ao morrer.E cada item , mesmo sendo igual na aparência , têm atribuições totalmente diferentes entre si.E se imaginarmos que existem 7 classes diferentes e cada classe têm que usar no mínimo 5 itens (capacete, luvas,colete,botas e uma arma), sem contar 2 anéis , um cordão de pescoço , um cinto e arma secundária , já dá pra imaginar as variáveis INICIAIS na formação do guerreiro.Depois virão as gemas e seus níveis, os poderes ( que podem ser combinados pra aumentar o dano), itens de melhoria de armadura, colete, etc, etc, etc.Então não é um exagero a "dropagem" de tantos itens.E mesmo em níveis mais elevados , a maioria desses itens largado (exceto os raros) têm serventia, com menor importância, mas têm.A quantidade de itens que podemos carregar é realmente pequena se comparada a grande quantidade de itens disponíveis, mais ainda assim não vejo como uma falha, apenas nos força a carregar somente itens raros ou realmente úteis.
O jogo têm defeitos , e eu diria que está mais para o campo técnico ,talvez agravado pelo fato de nós brasileiros estarmos longe dos servidores.
Para não me alongar mais ainda , digo o seguinte: é o jogo com maior nível de variáveis na formação das habilidades do guerreiro que eu já joguei.Pra ilustrar melhor, eu poderia arriscar á dizer que no universo de 10 mil jogadores , é improvável haver guerreiros exatamente iguais.
Como forma de gratidão, depois de 80 horas jogadas, comprei um item cosmético.Paguei satisfeito.

Shadow Geisel disse...

clone descarado de Diablo 2, com gráficos atualizados. você pulou um dos melhores games da década passada, camarada. o clima que você sentiu falta em Exiled você, provavelmente, encontraria nas labirínticas tumbas de Tal Rasha. o fato dele ser F2P é realmente impressionante.

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