Retina Desgastada
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9 de outubro de 2013

NSFW

Existe uma cena de tortura que está gerando controvérsia em GTA V. Também houve uma cena de tortura em Splinter Cell: Blacklist que causou polêmica. Mas nada disso chega aos pés de um jogo inteiro dedicado à estúpida arte de produzir dor em alvos indefesos.

Chiller

Em 1986, a Exidy era um dos líderes na criação de máquinas de arcades nos Estados Unidos. Tendo sido fundada em 1974, a empresa já tinha pelo menos 12 anos de experiência no mercado quando resolveu dar um passo no mínimo ousado: criar um jogo de horror fortemente inspirado no cinema. Entretanto, ao invés de buscar referências nos sucessos de Hollywood, a desenvolvedora se embrenhou nos porões do gênero splatter e pariu Chiller.

Mesmo com a dor de cabeça levantada por causa de Death Race, a Exidy não tinha aprendido a lição. Pelo contrário, se superou.

Chiller

Chiller, antes de você começar a atirar 

Chiller Chiller, depois de você terminar de atirar

Chiller era um lightgun shooter nos moldes de Virtua Cop onde, ao invés de atirar contra bandidos em um esquema de matar ou morrer, sua meta era arrancar pedaços de pessoas acorrentadas. Um autêntico clássico do mau-gosto. Suas vítimas não esboçavam nenhuma reação, exceto gemer e gritar em sofrimento enquanto seus tiros reduziam elas a massas sangrentas de osso e fiapos de carne. E mesmo no final, elas continuavam gemendo e gritando, gemendo e gritando...

Literalmente, não há inimigos no jogo, no sentido em que não há qualquer ameaça vindo da tela. A única forma de perder (e consequentemente ter que colocar mais fichas na máquina) é não conseguir destruir seus alvos antes do tempo terminar. Para se conseguir bônus de tempo, você era obrigado a encontrar formas de ativar os instrumentos de tortura espalhados no cenário. Com perícia e sorte, você poderia decapitar uma mulher, esmagar a cabeça de um sujeito em um torno ou mergulhar um desafortunado em um fosso com jacarés. Tudo com o máximo de detalhismo disponível para a época.

Chiller

Como se a violência completamente sem sentido já não fosse o suficiente, a Exidy ainda acrescentou um pouco de nudez gratuita em um dos níveis. Ao atirar contra uma moça semi-enterrada em um cemitério, suas roupas vão sumindo. No último tiro, a cabeça é arrancada.

Chiller

Chiller deve ter sido um prato cheio para os censores e advogados contra os "jogos violentos", certo? Errado. Ao contrário de tantos outros títulos injustamente perseguidos e apedrejados, Chiller não enfrentou problema algum na mídia. Talvez por não ter sido muito popular entre os donos de arcades americanos, que se recusaram a comprar a máquina da Exidy. Surpreendentemente, o jogo foi exportado com sucesso para países do Terceiro Mundo e, reza a lenda, foi aceito com naturalidade.

Chiller - Máquina Arcade

Não tão surpreendentemente assim, a Exidy fecharia as portas logo em seguida. Má administração? Investimento excessivo em um título que não vingou no mercado doméstico? Maldição? Não sabemos.

Chiller_NES_cover Mas Chiller retornaria dos mortos em 1990, como um port não-licenciado para o NES. Ou você achava que a Nintendo iria colocar seu selo de aprovação no jogo?

Para tentar amenizar a proposta de Chiller, a American Game Cartridges, responsável pela adaptação, adicionou uma historinha no começo que explicava que os mortos estavam voltando à vida e você precisava limpar um castelo infestado dos monstros. Mas então o jogo começava e lá estavam as mesmas pessoas de sempre presas nas paredes ou em instrumentos de tortura.

A habilidade de remover a roupa da pobre moça no cemitério foi cortada nesta versão, mas você ainda pode arrancar sua cabeça com um tiro, uma ironia não intencional sobre as prioridades da censura. Um monge que passa ao fundo empurrando um carrinho de mão com pedaços de corpos foi trocado por uma inocente freira empurrando um carrinho de bebê. Porém, acredite se quiser, você ainda pode pulverizá-la com tiros.

Não se sabe se Chiller NES chegou a fazer sucesso, mas no ano seguinte a American Game Cartridges já estava afundada em dívidas. Em 1994, ela também encerraria suas atividades. Maldição? Definitivamente.

Ouvindo: Timothy Moldrey - Forgiveness I.

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2 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

A única maldição que deveria cair sobre tudo o que é de mau-gosto, medíocre e ofensivo é o desprezo; mas é só dar uma olhadinha, por exemplo, no Youtube, que veremos que tudo que é desprezível torna-se campeão de acessos.E só pra esclarecer: não sou á favor do Youtube eliminar esse conteúdo desprezível e sim as pessoas não assistirem á esse conteúdo.O mesmo vale pra esse Chiller e outros jogos de mau-gosto.

Shadow Geisel disse...

concordo, Marcos. a única censura deve ser o nosso próprio bom senso. eu mesmo não perco meu tempo vendo essas porcarias. tenho muito o que aprender com sites melhores. e eu não curto muito essa coisa de violência em jogos não. quer dizer, eu curto mas não dou preferência a jogos que tenham violência. o mortal kombat novo eu achei que pega bem pesado nos fatalities. pra quem curte deve ser um prato cheio.

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