Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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10 de janeiro de 2013

Ralph Detona

Detona Ralph poster-brasil Entrei na chamada vida adulta e nunca parei de ver desenhos animados de longa-metragem. Mesmo durante meu namoro com aquela que viria a ser a minha esposa, a levei para assistir Mulan e Tarzan, antes da "balada". Com o nascimento do meu filho, tive a abençoada oportunidade de assistir mais desenhos do que julgava possível existirem. Existem caça-níqueis descarados e obras realizadas sem um pingo de paixão de seus realizadores, mas algumas destas produções são mais ricas do que boa parte dos dramas de mão pesada e filmes de relacionamento ou mais engraçadas do que qualquer comédia que insista em tentar me fazer rir com piadas banais de adolescentes.

O que me leva a Detona Ralph.

Fugindo de todas as armadilhas mais óbvias, incluindo a tentação de ser um festival de citações, o novo longa-metragem de animação da Disney é um filme que cativa, com personagens secundários que roubam constantemente a cena, uma trilha inteligente que entrega o tipo de envelope musical certo para a hora certa e o típico final feliz.

Então, por que veículos especializados em jogos, como o Kotaku Brasil, estão descontentes com o resultado final? Em uma palavra? Hype.

Detona Ralph é uma fábula sobre achar seu lugar no grande esquema das coisas, o mesmo tema que a Disney vem explorando desde a época em que Walt estava vivo. Os jogos funcionam como um skin, para algo que já se vestiu de a-vida-secreta-dos-brinquedos, um-jovem-leão-em-busca-da-felicidade ou um-homem-criado-por-macacos. É a velha história de "seja você mesmo". Ironicamente, para muitos, Detona Ralph deveria ser uma coisa e se mostrou outra. Quem esperava o Filme dos Jogos encontrou uma animação tradicional, com seus momentos de enxugar os olhos, de rir, de torcer. Para quem não tem o hábito de ver desenhos animados da produtora e deixou tudo isso lá atrás, o choque pode ser forte. É um filme infantil, afinal. Um bem-construído filme infantil feito para a criança interior ou exterior de cada um e não para os gamers.

E não se pode culpar os adeptos dos jogos eletrônicos por uma extrema empolgação prematura com Detona Ralph. Sonic aparecia nos cartazes, Zangief e Dr. Eggman estavam nos trailers, o próprio protagonista se origina de uma referência a Donkey Kong. Pela propaganda, o orgasmo gamer da aceitação pela mídia mais velha estava a caminho, como se o o secular cinema apresentasse, enfim, o debutante jogo eletrônico para a sociedade. Ou, na pior das hipóteses, uma longa trivia de quase duas horas de duração onde os camaradas poderiam dar high fives no cinema a cada piadinha que apenas eles identificassem. O maior erro do filme está na forma como foi divulgado. Ou entendido.

De resto, é delicioso. Mesmo a voz irritante de Vanellope.

Vanellope

Ouvindo: Lilo & Stitch - Hawaiian Roller Coaster Ride
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6 comentários:

Gyodai disse...

Como sempre, achei a crítica do Kotaku BR por demais rabugenta. É um blog, é opinativo, mas de vez em quando parece que o lado fã(ou seja lá como costumam chamar isso) fala mais alto. Sempre achei que o excesso de expectativa em torno desse filme ia provocar esse tipo de reação dos ditos "gamers" (detesto essa palavra, mas enfim). Eu via bem isso que você apontou em seu texto: esperava-se um filme onde só meia dúzia de pessoas em cada sessão ia entender as referências e as piadas. Quando viram que era um filme Disney, e não uma grande piada interna para os ditos jogadores hardcore, o pessoal pegou mal. Não conseguem analisar o filme como produto audiovisual. Pelo contráro. precisam analisá-lo como se fosse um produto da Razer e seguisse aquele slogan pretencioso "For gamers. By gamers".

Marcos A. S. Almeida disse...

Ótima percepção Aquino e o Gyodai complementou muito bem.Já reparei a mesma coisa sobre o Kotaku e não é só sobre o Detona Ralph.Em especial esse texto aqui http://www.kotaku.com.br/futuro-free2play-opiniao/ que me causou um misto de revolta e desânimo.Revolta por conta da forma preconceituosa que ele descreve e generaliza os F2P como se fossem uma desgraça para a indústria e para os jogadores ( os mesmos milhares que estão se divertindo e gostando dessa modalidade).E desânimo porque já cansei de ver pseudo-conhecedores de jogos com a mesma visão arcaica no passado que não acrescentam nada de útil ao debate.
Também gosto muito de animações Aquino , principalmente porque pegava e via junto com meus filhos.E também desconfiei da forma como eles falaram da animação principalmente porque já havia visto críticas elogiosas á ele.É lamentável.

Raphael AirnMusic disse...

Caras, assisti ontem e gostei muito do desenho. Vibrei com as referencias, especialmente o movimento quadrado do povo do jogo do ralph e o bolo espirrado pixelado nas pessoas hehehe

E fiquei feliz que o pessoal dos comentários do Kotaku tbem concordou com o Aquino & cia. Parece q soh o que fez o review esperava um filme gamer-ultra-hardcore e não concordei com nada do que ele escreveu.

Minto, tem uma parte que está certa! Tem q ficar ateh o fim q os creditos tao sensacionais tbem.

Breno disse...

é engraçado que filmes sobre a midia de jogos(Detona Ralph e Scott Pilgrim) são mais bem sucedidos criticamente do que adaptações de jogos para o cinema. O problema nas adaptações é sempre o combo de equipe ruim + material fonte excasso...

"Em especial esse texto aqui http://www.kotaku.com.br/futuro-free2play-opiniao/ que me causou um misto de revolta e desânimo.Revolta por conta da forma preconceituosa que ele descreve e generaliza os F2P como se fossem uma desgraça para a indústria e para os jogadores ( os mesmos milhares que estão se divertindo e gostando dessa modalidade)."

Da pra contar nos dedos os F2P que não escondem mecanicas em prol da compra de desbloqueaveis para se jogar...

Marcos A. S. Almeida disse...

Breno reconheço todas as deficiências que o modelo F2P têm , mas não as enxergo como um "câncer".O mundo dos jogos sempre sofreu transformações e sempre sofrerá, seja por conta de uma crise de criatividade, seja por conta de uma crise econômica , seja uma crise de plataformas ou outra qualquer.Entendo até o ponto de vista de alguns que dizem que a indústria ao se concentrar em produções de custo baixo e lucro alto deixa de lado as produções milionárias e mais elaboradas.Mas entendo também que isso é um movimento natural desta indústria , talvez até um ciclo passageiro, mas você pode ter certeza que quem está no comando é o público.Se a indústria vai por esse caminho é porque o público quer.Aí chega-se ao ponto de dizer que esta geração é que é a culpada , porque quer tudo free, quer tudo fácil e outras culpas que saem de uma mente que têm seus conceitos fincados nos anos 80!Existe free bom e free ruim, da mesma forma que existe pago bom e pago ruim.Hoje com certeza existe menos free com qualidade do que os pagos, mas os consumidores é que dirão se isso continuará assim ou não.Torço para que as dua modalidades permaneçam vivas , pois como já cansei de frisar sou á favor da liberdade de escolha, mas só o mercado e a maioria dirão se os dois podem conviver juntos ou não.Hoje te afirmo com toda a satisfação do mundo que me divirto igualmente nas duas modalidades.

Marcos disse...

eu gostei, mas de certa forma esperava um Toy Story dos games. Mas ainda não deixa de dar uma oportunidade para sequência, que espero serem consistentes

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