Entrei na chamada vida adulta e nunca parei de ver desenhos animados de longa-metragem. Mesmo durante meu namoro com aquela que viria a ser a minha esposa, a levei para assistir Mulan e Tarzan, antes da "balada". Com o nascimento do meu filho, tive a abençoada oportunidade de assistir mais desenhos do que julgava possÃvel existirem. Existem caça-nÃqueis descarados e obras realizadas sem um pingo de paixão de seus realizadores, mas algumas destas produções são mais ricas do que boa parte dos dramas de mão pesada e filmes de relacionamento ou mais engraçadas do que qualquer comédia que insista em tentar me fazer rir com piadas banais de adolescentes.
O que me leva a Detona Ralph.
Fugindo de todas as armadilhas mais óbvias, incluindo a tentação de ser um festival de citações, o novo longa-metragem de animação da Disney é um filme que cativa, com personagens secundários que roubam constantemente a cena, uma trilha inteligente que entrega o tipo de envelope musical certo para a hora certa e o tÃpico final feliz.
Então, por que veÃculos especializados em jogos, como o Kotaku Brasil, estão descontentes com o resultado final? Em uma palavra? Hype.
Detona Ralph é uma fábula sobre achar seu lugar no grande esquema das coisas, o mesmo tema que a Disney vem explorando desde a época em que Walt estava vivo. Os jogos funcionam como um skin, para algo que já se vestiu de a-vida-secreta-dos-brinquedos, um-jovem-leão-em-busca-da-felicidade ou um-homem-criado-por-macacos. É a velha história de "seja você mesmo". Ironicamente, para muitos, Detona Ralph deveria ser uma coisa e se mostrou outra. Quem esperava o Filme dos Jogos encontrou uma animação tradicional, com seus momentos de enxugar os olhos, de rir, de torcer. Para quem não tem o hábito de ver desenhos animados da produtora e deixou tudo isso lá atrás, o choque pode ser forte. É um filme infantil, afinal. Um bem-construÃdo filme infantil feito para a criança interior ou exterior de cada um e não para os gamers.
E não se pode culpar os adeptos dos jogos eletrônicos por uma extrema empolgação prematura com Detona Ralph. Sonic aparecia nos cartazes, Zangief e Dr. Eggman estavam nos trailers, o próprio protagonista se origina de uma referência a Donkey Kong. Pela propaganda, o orgasmo gamer da aceitação pela mÃdia mais velha estava a caminho, como se o o secular cinema apresentasse, enfim, o debutante jogo eletrônico para a sociedade. Ou, na pior das hipóteses, uma longa trivia de quase duas horas de duração onde os camaradas poderiam dar high fives no cinema a cada piadinha que apenas eles identificassem. O maior erro do filme está na forma como foi divulgado. Ou entendido.
De resto, é delicioso. Mesmo a voz irritante de Vanellope.

6 Comentários
Também gosto muito de animações Aquino , principalmente porque pegava e via junto com meus filhos.E também desconfiei da forma como eles falaram da animação principalmente porque já havia visto crÃticas elogiosas á ele.É lamentável.
E fiquei feliz que o pessoal dos comentários do Kotaku tbem concordou com o Aquino & cia. Parece q soh o que fez o review esperava um filme gamer-ultra-hardcore e não concordei com nada do que ele escreveu.
Minto, tem uma parte que está certa! Tem q ficar ateh o fim q os creditos tao sensacionais tbem.
"Em especial esse texto aqui http://www.kotaku.com.br/futuro-free2play-opiniao/ que me causou um misto de revolta e desânimo.Revolta por conta da forma preconceituosa que ele descreve e generaliza os F2P como se fossem uma desgraça para a indústria e para os jogadores ( os mesmos milhares que estão se divertindo e gostando dessa modalidade)."
Da pra contar nos dedos os F2P que não escondem mecanicas em prol da compra de desbloqueaveis para se jogar...