Retina Desgastada
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13 de dezembro de 2011

Mundos Perdidos: The Chronicles of Spellborn

The Chronicles of Spellborn Box A Holanda é um país que ficou de fora da série Volta ao Mundo. Ainda assim, o pequeno país europeu foi o berço de jogos como a franquia Killzone, Overlord, a série Age of Wonders, Toki Tori. E The Chronicles of Spellborn. O MMORPG foi fruto de um ataque de ousadia da empresa Spellborn International. O jogo não apenas era seu primeiro produto, como ainda trazia o nome da empresa em seu título. Nas palavras do gerente de marketing e relações públicas, Marco van Haren, o jogo "foi criado por causa das frustrações do time de desenvolvedores com o atual mercado de MMO". E The Chronicles of Spellborn (TCoS) era diferente. Desde sua concepção, a meta era jogar as convenções pela janela. Nada de Orcs, nada de elfos, nada de múltiplas raças tiradas das obras de Tolkien. Nada de matar infinitas vezes o mesmo tipo de criatura para subir de nível. Ainda assim, sua vida foi curta: de Novembro de 2008 a Agosto de 2010.

No cenário de TCoS, a raça humana e os Daevi se revoltaram contra o domínio opressor do Império dos Oito Demônios e seus seguidores. O resultado foi a completa destruição do mundo. O jogo começa com os sobreviventes, 998 anos depois, vivendo o que poderia ser chamado de pós-apocalipse de fantasia. Uma tempestade mágica, chamada de Deadspell Storm preenche o vazio, onde quatro Shards, fragmentos rochosos remanescentes do mundo anterior, ainda flutuam. Dentro de cada Shard, o que sobrou da civilização. Uma entidade misteriosa, o Oracle, guia os jogadores através de missões, para resgatar o passado deste mundo e desvendar seus enigmas. Mais de mil missões estavam disponíveis para os exploradores e a única forma de evolução possível era cumprindo as tarefas. The Chronicles of Spellborn estimulava a exploração e a liberdade do jogador, para que ele conseguisse entender a complexa mitologia criada pelos desenvolvedores. Algumas missões especiais, as Ancient Quests, permitiam que o jogador assumisse o papel de figuras históricas daquele mundo e, assim, descobrir mais uma parte dos eventos que levaram ao cataclismo.

The Chronicles of Spellborn 01

Apesar de ter apenas duas raças para escolher no momento da criação de seu personagem, Humanos e Daevi, TCoS abria espaço para a customização máxima dos protagonistas, além de um flexível sistema de classes. Ao contrário de outros RPGs, peças de armadura e armas não ofereciam bônus ou limitação alguma e podiam ser utilizados por qualquer personagem, independente de raça ou classe. Bônus de habilidades eram garantidos por Selos mágicos, que podiam ser incorporados a qualquer objeto. Desta forma, era possível ao jogador compor a identidade visual de seu avatar de acordo com seus interesses, sem imposições. Era possível ter um mago de armadura completa ou um guerreiro usando robes e, pela vestimenta somente, não seria possível determinar o nível de poder de um estranho encontrado no meio de uma missão. Esta busca pela individualidade não estava limitada à aparência, mas também estava presente no sistema de classes: o objetivo era que dois personagens da mesma classe não agissem exatamente igual em combate.

The Chronicles of Spellborn 04 The Chronicles of Spellborn 02

Sons da Liberdade

Um dos destaques de The Chronicles of Spellborn era a trilha sonora. O MMORPG  contava com duas músicas até então inéditas do grupo de symphonic metal holandês Within Temptation: "The Howling" e "Sounds of Freedom". A parceria parecia feita nas estrelas. Segundo o guitarrista Robert Westerholt:

"Quase todos os membros da banda são jogadores fanáticos. Em casa e em turnê nós jogamos títulos de fantasia para relaxar e até para pegar inspiração. Quando ouvimos falar sobre The Chronicles of Spellborn e o fato de que estava sendo desenvolvido na Holanda, nós ficamos dispostos a contribuir e escrever algumas faixas exclusivas."

Barry Hoffman, da Spellborn International, retribuiu o carinho: "Muitos dos nossos desenvolvedores são grandes fãs da música soturna e bela do Within Temptation. Quando apareceu a chance de colaborar, nós ficamos muito entusiasmados". "The Howling" acabou sendo incorporada ao álbum The Heart of Everything, de 2007, antes do lançamento do jogo. Mas a faixa "Sounds of Freedom" nunca fez parte de nenhum álbum oficial, permanecendo disponível apenas como lado-B de um single.

Para completar a trilha sonora de TCoS foi convocado o talento do dinamarquês Jesper Kyd. Considerado por mim um dos 10 Maiores Compositores de Músicas para Jogos Eletrônicos, o talentoso músico já assinou Freedom Fighters, a série Hitman, a série Assassin's Creed e alguns jogos da franquia Splinter Cell.

Cataclismo

Com uma proposta inovadora de fantasia, com um mundo com uma história ampla se estendendo por séculos, rodando a engine Unreal 2.5, com os talentos de Within Temptation e Jesper Kyd envolvidos em sua produção, o que deu errado em The Chronicles of Spellborn? Nada. Mas deu tudo errado com as empresas que o tiveram em suas mãos. Apesar de todas as pretensões e boas intenções, a Spellborn International abriu falência, incapaz de resolver suas dívidas, em Junho de 2009, menos de um ano depois do lançamento do MMORPG na Inglaterra e dois meses depois da chegada ao mercado americano.

The Chronicles of Spellborn 03

É possível que a produtora Acclaim, responsável pela distribuição do jogo em terras ianques, tenha percebido de imediato o problema: um título sem propaganda de uma desenvolvedora sem currículo tentando ganhar espaço no já saturado mercado de MMORPGs com cobrança de mensalidade. No mesmo mês em que a Spellborn jogou a toalha, a Acclaim assumiu o controle, junto com a produtora Frogster, responsável pelo mercado europeu. O objetivo inicial era re-lançar o jogo como free-to-play e faturar em cima das microtransações.

Porém, a própria Acclaim não estava em uma situação financeira das mais saudáveis. Enquanto preparava a transformação para free to play, o título ficou largado às moscas. O download do jogo, o atualizador e até o cliente de The Chronicles of Spellborn pararam de funcionar. Quem queria seguir explorando aquele mundo tinha que improvisar com programas terceirizados. Para piorar a situação, um estranho bug sem solução forçava todos os jogadores acima do nível 9 a trocar de senha diariamente ou não conseguir mais entrar no jogo. Para um título onde era possível atingir o nível 50, o defeito afetava uma boa fatia dos usuários...

Daí para frente, o destino do jogo se tornou ainda mais caótico. Algumas fontes dizem que a Acclaim vendeu os direitos para a Disney, que vendeu para a Playdom, que comprou a Acclaim. Outras fontes dizem que TCoS nunca saiu da Acclaim. De qualquer forma, chegou a um ponto em que nenhum dos supostos envolvidos, fosse a Spellborn, a Acclaim, a Frogster, a Disney, a Playdom ou o Papa, estava aceitando responsabilidade pelos erros do jogo. Não havia mais suporte, moderadores ou administradores. O jogo estava rodando sozinho. Sobre o novo e renascido The Chronicles of Spellborn, apenas o mais absoluto silêncio.

The Chronicles of Spellborn 05

Os fãs até tentaram fazer um abaixo-assinado para manter o MMORPG ativo. Mas também não havia ninguém para receber. Em 27 de Agosto de 2010, a Acclaim fechou as portas e os servidores foram desligados. Pela segunda e última vez, o fim do mundo chegara para The Chronicles of Spellborn.

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7 comentários:

Jimmy666 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jimmy666 disse...

Duas coisas:
Within Temptation:Já tentei, mas não gosto da banda!Pra mim soa mais "gótico" do que metal!Porém faço um adendo para a vocalista Sharon Den Adel, que participou do projeto/banda AVANTASIA... ela fez um dueto perfeito com Michael Kiske na música FAREWELL do album THE METAL OPERA!
Em 13 de dezembro do ano passado viajei para SP para assistir o show do Avantasia,
farewell é uma bela balada, ainda não entendo porque Tobias Sammet cantou essa musica no show no lugar de Kiske, e Amanda Sommerville não fez bem a parte da Sharon Den Adel.
Enfim, musica de lado relatarei a minha experiencia no mundo MMORPG:
Lá pelos meados de 2001 conheci o MMO TIBIA.O jogo é escrachado pelo fato de conter gráficos de nintendinho e não ter som, mas possui uma jogabilidade extremamente viciante!Nessa época eu utilizava internet disacada e entrava no jogo à meia-noite e só saía as 8 da manhã do outro dia!Tive diversas aventuras nessa época que são inesquecíveis, e salvo a tiração de sarro, TIBIA sobrevive sendo um dos MMORPG mais jogados do mundo!Depois dele testei vários outros, de PRISTON TALE a PERFECT WORLD, esses ultimos os unicos "free" que me prenderam um pouco!
Hoje torço o nariz para o gênero, sempre que me indicam eu enfatizo que "não quero saber de MMORPG"!

Jimmy666 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jimmy666 disse...

Avantasia-Farewell:
http://www.youtube.com/watch?v=PGlr8_q6_3k
A voz de Sharon me lembra vagamente a voz da Sandy, da ex-dupla "dandy e JR"
Já Michael Kiske soa como aquilo que ele é, a mais bela voz do heavy metal!
Tive o prazer de ver Kiske ao vivo depois de mais de 15 anos longe dos palcos, e o cara canta muito, muito mesmo!
Além de cantar "The Tower" e outros classicos, pegou a musica "dying for an angel" cantada por outro deus Klaus meine dos Scorpions e mostrar quem é!
Recomedação:
Pegue o vídeo acima, "farewell" e avance até os 5:30 e ouça uma das vozes mais lindas que existe!
No mais, tente alcançar o mesmo tom sem utilizar do falsete!
kiske, pra sempre genio!
Desculpem falar de música aqui no blog, mas falar no Within Temptation me deu uma deixa muit grande!

Jimmy666 disse...

Acclaim... desde o Super Nes não via mais falar dessa empresa...Mais uma daquela era que faliu?

Poa Kli-Kluu disse...

Caraca, eu cheguei a jogar esse jogo!

Joguei por bastante tempo até. Ele era mesmo muito bom. O sistema de combate era único, totalmente diferente de muitos outros mmos. Mas o que realmente me cativava era a ambientação, as escolhas de design pro mundo, que convenhamos, em teoria era relativamente original( pois jogos antigos como Septerra Core ja exploraram essa espécie de mundo fragmentado), mas na prática era totalmente original! O mundo era vasto, e os gráficos eram muito apelativos aos olhos: Era incrível conseguir olhar pro céu e ver todas aquelas luzes reluzentes tinindo. Participei por algum tempo da comunidade, e ela era bem dedicada.

É uma pena que tenha acabado. Mas esse é o futuro de todos os jogos. Eu ainda vou me tornar um desenvolvedor decente, achar os arquivos desse jogo e montar um servidor privado pra que eu possa voltar a desfrutar desse jogo! :C

E caraca, não sabia que a Acclaim havia fechado as portas. Lembro-me que eu também jogava 2moons(conhecido no oriente por Dekaron), e eu gostava bastante. O que será que aconteceu com 2moons?

NevesZerg disse...

Aquino,
Agora que está free, (pelo menos até o level 20), voce poderia dar uma chance pro World of Warcraft e postar um review ne?

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