Retina Desgastada
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19 de maio de 2011

Cooperativado

Já está na hora de admitir que meu triste histórico em jogos multiplayer se tornou coisa do passado. Tudo graças às maravilhas do coop, o modo cooperativo dos jogos online onde eu não preciso me preocupar com os hiperreflexos de um adolescente de quinze anos mirando na minha cabeça e gritando no meu ouvido. No cooperativo é se aliar ou morrer. O inimigo agora é outro.

left4dead

Não que eu tenha alguma coisa contra adolescentes de quinze anos e suas habilidades 1337 infernais. Hoje, vou me tornar o pai de um. E, se não me falha a desgastada memória, tenho certeza de que, tivesse eu quinze anos agora, eu gastaria todo meu tempo útil e não útil aprimorando meu mouse na internet. "Headshot, sucker!". Mas estou com 37 anos agora e meu horário de jogatina fica espremido entre as necessárias horas de sono, o trabalho diário e o convívio familiar. E contra a inteligência artificial dos jogos, ainda sou capaz de triunfar.

Graças a Left 4 Dead e Killing Floor, posso dizer que redescobri o prazer de jogar em companhia de anônimos jogadores de estranhos apelidos e localidades desconhecidas. No apocalipse zumbi virtual, é cada um por si, mas todo mundo contra os mortos. Tudo o que eu preciso é exterminar minha cota de monstros, para que a equipe triunfe. Ocasionalmente, alguém tem um plano, e por alguns minutos o grupo que nunca se viu age como um time. Proteja essa posição. Vá por ali. Pílulas! Deixa eu te curar. Ocasionalmente também, alguém sai da linha e quebra o contrato entre seus semelhantes. Já vi gente abandonar os outros à própria sorte, já vi gente atirando no companheiro, já vi traições. Nada que prejudique o brilho (e, em Killing Floor, o fogo amigo não é permitido, nem com granadas!).

Bloco do Eu Sozinho

Portal 2  é possivelmente o jogo do ano, nem que seja para mim. A única vez na minha vida em que comprei um título na semana do lançamento e não me arrependo. Até esta semana me mantive afastado do modo online cooperativo. A perspectiva de me conectar com um desconhecido para resolver enigmas me parecia absurda e inviável. Infelizmente, eu estava certo.

Portal 2

Enquanto aguardava o Fábio Sooner concretizar o seu convite para um cooperativo multiplataforma (com o PS3!), eu me arrisquei a fazer umas experiências aleatórias. Talvez seja minha natureza de lobo solitário se manifestando, mas percebi que existe um imenso abismo entre matar zumbis junto com outros três ou cinco atiradores e atravessar um teste de GLaDOS com um único aliado.  O principal problema é o ritmo. Reunir duas pessoas com a mesma velocidade de raciocínio para uma partida é algo complicado. Reunir duas pessoas com o mesmo nível de conhecimento prévio dos mapas, que seria fácil de monitorar pela Valve, sequer foi feito. Em alguns mapas, a resposta me atinge de imediato. Em outros, posso demorar longos minutos e a última coisa que eu quero é ver o outro robô gesticulando alucinadamente ou ler a resposta prontinha, digitada por meu aliado. O que temos é uma cooperação onde um dos elementos vai ser inevitavelmente o condutor e o outro um auxiliar. Junte a isso a falta de uma comunicação mais precisa e temos uma receita para o desastre.

Também é de se notar a lentidão de carregamento das partidas, mais do que a já demorada experiência single-player. Tive a sorte de me conectar com jogadores educados, mas os deuses da aleatoriedade poderiam ter me colocado ao lado de um troll. Azar somada a lentidão teria estragado minha jogatina pra valer...

Então, finalmente encontrei um defeito em Portal 2? Apesar de ter lido diversas críticas positivas ao jogo, não encontrei ninguém falando bem do aspecto multiplayer. Até porque não encontrei ninguém falando nada do aspecto multiplayer. Estranho demais para os analistas ou todos estavam por demais fascinados com a história principal? Não sei dizer. Sei apenas que, desta vez, a Valve arriscou demais e produziu uma característica que tem poder para funcionar muito bem com algumas poucas pessoas e ser apenas uma curiosidade para outras.

Sabe como o cooperativo de Portal 2 poderia funcionar? Em tela dividida, com duas pessoas que se conhecem lado a lado, conversando e apontando com suas mãos para a tela. E com uma dose ainda maior de galhofa, para aumentar a diversão. E talvez cerveja, ou refrigerante, dependendo de sua idade ou gosto.

Ou com zumbis, mesmo.

Ouvindo: The Mission - Drown in Blue
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6 comentários:

Marcus Gonzallez disse...

Eu acho que tive sorte no multiplayer de Portal 2. Joguei com um desconhecido pelo Steam e tudo fluiu muito bem, apesar de ser um pouco tenso às vezes vc não captar a solução do problema e temer que o outro a capte antes de você. Mas enfim, fomos até o final e foi muito gratificante.

Fabio Sooner disse...

Sabadão eu tenho prova de manhã e depois tenho que fazer uma revisão de 2 horas, mas a partir daí, podemos jogar o coop quando tu quiser. Vou deixar o Raptr aberto no sábado e a gente combina!

Quando a coop com tela dividida em Portal 2... Tenho vagas lembranças do Major Nelson (o diretor de comunidade do XBox) comentando sobre esse modo no podcast dele, como se existisse sim splitscreen no jogo. Até comentei com minha esposa para a gente experimentar depois. Vou conferir assim que chegar em casa.

Bruno disse...

Comunicar-se pelo Skype, TeamSpeak e similares com pessoas conhecidas é até melhor que splitscreen ao meu ver. Nunca fui fã de splitscreen, com raras exceções.

Não posso jogar contigo pq já terminei o modo coop. Ia acabar estragando um tanto da diversão por já saber como resolver as chambers. Mas não deixe de terminar esse modo. Tem história lá também. História que, acredite, vc realmente quer saber.

LocoRoco disse...

Ultimamente estou jogando com o meu amigo o Operation Flashpoint Dragon Rising, e digo, se não fosse o coop na campanha, não seria tão divertido, porque os bots são bem burros. Jogar coop é uma experiência que vale muito apena, principalmente com skype e afins, para o maior entendimento dentro do jogo e também para a conversa fiada. Pena que esse tipo coop não é muito utilizado.

Eder RM disse...

Pessoalmente, eu discordo da sua opinião Aquino.

Joguei o cooperativo com um 'estranho aleatório' e tudo foi muito, muito divertido, ainda que por vezes inevitavelmente um se desse conta de algo antes que o outro. E qual o problema nisso? Quem atinasse o que deveria ser feito primeiro apenas gesticulava, afinal coop é para um-ajudar-o-outro e não rir-do-outro-pq-descobriu-a-solução-antes :D.

Achei a experiência co-op fantástica (tipo, sensacional mesmo, afinal co-op/multi-player mata-mata nunca me atraiu) e mais interessante ainda do que o modo single-player (me refiro estritamente a resolver os enigmas, não à história e diálogos, claro).

E IMO, split-screen está morto e enterrado no passado, e que fique por lá. ;)

C. Aquino disse...

OK. Vocês me convenceram. Vou fazer novas tentativas de jogar Portal 2 em coop em um futuro próximo!

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