Retina Desgastada
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3 de janeiro de 2011

Filho de Peixe

"Quero mais monstro!". Quando você ouvir seu filho de três anos bradando este grito de guerra agarrado ao mouse, sem querer largá-lo por nada, você saberá que o bastão poderá ser passado um dia.

Meu tempo para jogar não é dos mais longos, é o que sobra do trabalho, da família, dos projetos pessoais, do blog e do descanso merecido. Às vezes, este tempo é roubado mesmo. Quando meu filho está brincando com seus bonecos, construindo suas embrionárias historinhas no chão da sala, eu enxergo a janela de oportunidade e abro um jogo por quinze, vinte minutos, o tempo em que ele permanecer imerso em suas brincadeiras, sem pedir minha atenção. Curioso como ele é, porém, ele já veio antes me perguntar o que eu estava fazendo e um simples "papai está jogando" satisfazia sua sede por conhecimento. Mas isso acabou.

Jogando Overlord, ele me pediu para ver o que eu estava fazendo. Apesar do mundo colorido e divertido, ele ainda era muito disperso e logo ia embora, às vezes me chamando, às vezes não. Naturalmente, não joguei títulos como Deus Ex ou Left 4 Dead perto dele, ou por exigirem muita imersão da minha parte ou por não terem o tipo de violência visual que uma criança deveria ser exposta.

Mas Risen me capturou de tal forma que o tempo se tornou ainda mais escasso. E lá veio meu filho curioso: "o que você tá fazendo, papai?". Uma olhada rápida para a tela e meu herói em uma caverna e ele disse: "lá vem o dragão! deixa eu ver o dragão, papai!". E Risen é mesmo deslumbrante. Por vários minutos, meu filho assistiu o "homem" correndo de Ash Beasts (e até levou um "sustinho"), enfrentando gnomos e Black Wolves ("olha, o lobo mau!") e encontrando Thunder Lizards (prontamente identificados como "tarta-ugas"). Juntos, exploramos rios, contemplamos o fim da tarde sobre a Ilha de Faranga, pegamos flores e peixes e vimos árvores. Para o pequeno, aquele mundo virtual era uma terra mágica aberta no monitor. Tive que interromper a jogatina para a um lanche, a contragosto.

Na segunda oportunidade, meu filho se ajeitou no meu colo e pediu para "ver monstro". Enfrentei uns esqueletos e ele já sabia que era eu que controlava o "homem". Naquele momento, "papai matou o monstro". Mal sabia ele que eu estava sofrendo para vencer as batalhas com doze quilos de criança entre mim e o teclado. Em poucos minutos, ele estava teclando também e, logo em seguida, iria se apossar do mouse e pedir por "mais monstro", bradando em alto e bom som que agora era a vez dele. A câmera girou sobre o herói, como em um filme épico, e o primeiro de muitos passos estava dado.

Eu tenho um guerreiro em casa.

Hero

Ouvindo: Silver - Track 10
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Um comentário:

Drigo disse...

um dos inúmeros orgulhos que um filho pode proporcionar...

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