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13 de janeiro de 2011

Antes de Diablo - A Semente de Rogue

Antes de Diablo ser lançado em 1997, existiu um jogo onde o jogador era obrigado a penetrar em uma masmorra repleta de monstros e tesouros em um mundo de fantasia, com inimigos progressivamente mais desafiadores a cada nível e onde o mapa e a disposição dos itens e criaturas eram gerados aleatoriamente a cada partida. Dezessete anos antes de Diablo, existiu Rogue.

Rogue - IBM PC

Rogue surgiu da mente de três programadores e apareceu pela primeira vez em torno de 1980 em sistemas UNIX dos mainframes das faculdades de tecnologia americanas. Sua idéia inovadora e sua natureza viciante o tornaram rapidamente popular entre os estudantes e chegou a fazer parte de uma das distribuições oficiais de UNIX da Universidade de Berkeley. Em 1984, o jogo foi portado para a plataforma IBM PC. Dennis Ritchie, papa da programação e criador da linguagem C, teria declarado na época que Rogue "consumiu mais tempo de processamento do que qualquer outra coisa em toda a História". Alguns anos depois, o jogo que era gratuito passou a ter versões comerciais disponibilizadas para qualquer plataforma existente e continua disponível até hoje, incluindo em versão gratuita para Windows.

Rogue - para Atari ST

Mas, o que era Rogue? No papel de um herói sem nome, o jogador precisava explorar um calabouço e enfrentar milhares de monstros, desde o nível mais superior até o último. Seu objetivo era encontrar o Amuleto de Yendor (o nome Rodney, ao contrário), que permitiria fazer o caminho de volta e escapar da masmorra. Objetos e armas espalhados pelo ambiente permitiam que o personagem melhorasse seu desempenho. Inicialmente, as criaturas encontradas eram baseadas na mitologia do RPG Dungeons and Dragons, que iniciava sua ascensão à popularidade na mesma época. Mas seus desenvolvedores optaram por alterar o "layout" e os nomes dos seres para evitar o risco de processos judiciais.

Rogue pode não ter sido o primeiro RPG eletrônico (mérito dividido entre vários títulos baseados em texto dos anos 70), mas foi um dos primeiros a ter uma interface gráfica onde era possível visualizar seu personagem, o ambiente e os inimigos. Foi também o primeiro a introduzir a aleatoriedade na equação, com níveis e desafios gerados randomicamente a cada jogo. Projetado para rodar em terminais que não exibiam gráficos, seus criadores contornaram a limitação usando caracteres para representar os elementos do jogo. Assim, o herói seria um símbolo de "@", um zumbi seria representado pela letra "Z" maiúscula, um kobold pela letra "K" etc. O controle do personagem principal, em uma era anterior ao mouse, era feito através de teclas de direção e comandos como a tecla Q, para ingerir (do inglês "quaff") uma poção.

Rogue - Enfrentando um Kobold

Surgiu uma infinidade de clones diretos ou inspirados em seus conceitos, os chamados roguelikes. Um dos mais famosos derivados é o jogo NetHack, nascido em 1987 com código-aberto e em desenvolvimento até os dias de hoje(!), com constantes modificações. À fórmula consagrada de Rogue, NetHack acrescentou o uso de classes de personagens no início do jogo, alinhamento, divindades e até um animal de estimação para o herói, além de ampliar um pouco mais o enredo do Amuleto de Yendor. Novas versões de NetHack podem incluir a possibilidade de salvar o jogo e novas perspectivas gráficas, como a visão isométrica e ambientes em 3D. NetHack está estabilizado na versão 3.4.3 (de 2003) e pode ser baixado gratuitamente no site oficial.

NetHack - Versão Isométrica

Minhas experiências com Rogue se limitaram a uma breve sessão de NetHack anos atrás. Apesar da simplicidade dos "gráficos", a estrutura dos RPGs de ação está ali: a busca por itens, o confronto com monstros, a exploração de um terreno desconhecido. A morte fácil presente em cada corredor ou sala representava um desafio além do que eu estava preparado e eu encostei o jogo de lado. Tempos depois eu encontraria um outro roguelike, The Tombs, feito em Flash(!), tão difícil e intrigante quanto, mas não fui adiante.

Por ter nascido com o código-aberto, seus criadores não se tornaram pioneiros milionários do ramo dos jogos eletrônicos. Mas eles ajudaram a fundar o gênero e ajudaram a pavimentar o caminho para o RPG no PC. Antes de Diablo.

Ouvindo: Faith And The Muse - Old Souls
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3 comentários:

EmoViolence disse...

Interessante, já tinha lido/ouvido falar dos rogue-likes, mas não conhecia o rogue original. Ótima matéria, aquino. =)

DIEGO A.L CAETANO disse...

Caramba,os caras conseguiram criar um jogo apenas utilisando caracteres,é surpreendente!Não tem como negar,os criadores desse jogo são uns gênios!E eu pensando que HIDEO KOJIMA fosse o primeiro a criar um game com uma ótima e inovadora jogabilidade se virando com as limitadas ferramentas de um sistema(como foi o caso de METAL GEAR).Sensacional post,AQUINO!!!

Sabhat, o Maldito disse...

Ótimo post...assim naum saiu desse blog hohe...rs

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