Retina Desgastada
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7 de outubro de 2010

Gully Foyle é Meu Nome

The Stars My Destination Por uma destas coincidências do destino, o livro The Stars My Destination saiu de minha lista randômica de livros para ler e foi agraciado com o privilégio de ser lido. Citado em Deus Ex, pude, então compreender parte da inspiração de Warren Spector e lançar um pouco mais de luz sobre os finais oferecidos na história do jogo. O mais irônico (ou o mais perturbador) de tudo isso é que o livro trata justamente do Destino, do que está reservado para a raça humana e pode ser atravancado, com a melhor das intenções, por grupos interessados em controlar ou dominar o Destino.

Em The Stars My Destination, acompanhamos a odisséia de um homem comum, Gully Foyle, que, submetido a terríveis circunstâncias de sobrevivência, descobre dentro de si uma força inata incomensurável. Abandonado para morrer em uma espaçonave naufragado no meio do vazio do espaço, ele inicia uma cega jornada de vingança. Através da mais pura e inquebrável vontade, ele se aperfeiçoa, física, mental e espiritualmente para executar seu plano inexorável. Sua evolução, de indivíduo trivial para o próximo passo do Homem é sem precedentes e diz muito sobre potencialidades. Paralelamente, sem mesmo saber, ele detém a chave para um segredo que pode salvar a raça humana de uma sangrenta guerra civil e este segredo está sendo disputado ferozmente por diferentes facções. Mas Foyle não se importa com seus semelhantes, com posicionamentos políticos, com limites éticos, ou qualquer outra coisa. Em muitos pontos da narrativa, ele é o próprio avatar da revanche. Mas ele ainda está se modificando...

O livro de Alfred Bester guarda algumas semelhanças com Deus Ex. Apesar de preceder o jogo em quase cinquenta anos (!), o livro já apresenta uma visão cínica do mundo do amanhã, controlado por corporações corrompidas e organizações secretas. Temos também implementos cibernéticos e algo que só pode ser descrito como a própria definição do famoso bullet time, décadas antes de Matrix, Max Payne ou qualquer outro caso similar. Bester foi um pioneiro distante do cyberpunk e do pós-humanismo. A própria personalidade determinada de seu protagonista, sua fria eficiência e alguns de seus diálogos parecem ter sido criados para J.C. Denton. Não por acaso, várias vezes imaginei o dublador do jogo pronunciando as falas de Gully Foyle.

Gully Foyle (por Howard Chaykin) Em sua conclusão, entretanto, é colocada em cena uma difícil decisão que precisa ser tomada pelo anti-herói vingativo. No mesmo nível da conclusão de Deus Ex: nenhuma das alternativas é plenamente satisfatória, todas elas alterarão o Destino da Humanidade e milhões de vidas podem ser perdidas. Quase sobrenaturalmente, o insight final vem através de um robô defeituoso. A princípio, parece ter surgido a justificativa perfeita para o final Illuminatti de Deus Ex, aquele que ninguém escolhe (ou admite que escolhe) Mas, deste ponto, Gully Foyle, livre de suas metas vingativas, apresenta uma das melhores soluções que eu já vi sobre o problema oferecido por aqueles que insistem em tentar comandar nossa sociedade. E, antes de dar sua cartada final, pronuncia: "Quem somos nós, qualquer um de nós, para tomar uma decisão pelo mundo? Deixe o mundo tomar suas próprias decisões. Quem somos nós para manter segredos do mundo? Deixe o mundo conhecer e decidir por si mesmo."

Então, o melhor final de Deus Ex é não escolher, não comandar, não determinar, não impor. Que pena que Warren Spector deixou a quarta alternativa de fora do jogo.

O discurso final de Gully Foyle é um convite à evolução, não apenas do Homem, mas da Sociedade. Uma opção de aceitar nosso verdadeiro Destino: as estrelas.

Ouvindo: Front 242 - Religion
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Um comentário:

diego adrian disse...

AQUINO,TENHO UMA SURPRESA PARA VOÇE E PARA A GRANDE MAIORIA DE FANS QUE JOGOU DEUS EX NO PC:EU JOGUEI DEUS EX NO PS2, AMBAS AS VERSÕES SÃO PURAMENTE IDENTICAS COM EXCEÇÃO DE UMA COISA:A VERSÃO DE DEUS EX PARA PS2 POSSUI UM QUARTO FINAL QUE WARREN SPECTOR ADICIONOU.NÃO SEI MUITO DE INGLES,MAS SEI O BASTANTE PARA TER COMPREENDIDO QUE ESTE QUARTO FINAL É MAIS AMENO(OU MAIS BOM)SE COMPARADO COM OS OUTROS 3 FINAIS QUE SÃO AS MESMAS QUE POSSUEM NA VERSÃO PARA PC,E EU ESCOLHI ESTE QUARTO FINAL.EM OUTRAS PALAVRAS,EU E OS POUCOS JOGADORES QUE JOGARAM DEUS EX NO PS2 TIVEMOS UMA OPORTUNIDADE APROXIMADA A DO LIVRO,DE ESCOLHER NEMHUM DOS 3 FINAIS QUE NÃO TENHA NOS AGRADADO, TENDO ESTA QUARTA ALTERNATIVA COMO OPÇÃO.TALVES WARREN SPECTOR TENHA SE DADO CONTA TARDE DE MAIS QUE OS JOGADORES TALVES NÃO IRIAM GOSTAR DE NEMHUM DOS 3 FINAIS,COLOCANDO UMA QUARTA ALTERNATIVA COMO ESCAPE.COMO A VERSÃO PARA PC JA HAVIA SIDO LANÇADA ,ELE RESOLVEU REPARAR O ERRO NA VERSÃO PARA PS2.

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