Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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13 de janeiro de 2010

Não Jogue Este Jogo!

morrowind-correio Em dezembro do ano passado, um pacote misterioso chegou ao escritório da Zenimax, na Inglaterra. Para quem não está ligando o nome à empresa, Zenimax é a corporação proprietária das produtoras de jogos Bethesda e, mais recentemente, da legendária id Software. Dentro do envelope, havia um exemplar do RPG Elder Scrolls III: Morrowind e um bilhete escrito à mão. Na nota, o seguinte recado:

“Prezada Zenimax,

Este jogo é incrivelmente viciante. É o diabo! Todo o meu precioso tempo está sendo devorado por este monstro. Eu devo enviá-lo de volta a vocês antes que eu comece a jogar novamente. Eu espero nunca mais comprar um jogo como esse! Misericórdia das almas dos nerds de computador por aí.

Adios!”

Dramático? Sarcástico? Inventado? Não sei. Só sei que é sincero.

Morrowind e Eu

Meu primeiro contato com o viciante universo de Elder Scrolls III não foi muito empolgante: dez minutos com um lag horroroso que me fizeram desistir. Foi a primeira e única dica que eu tive para parar. Anos depois, com uma máquina melhor, eu consegui rodá-lo de forma mais satisfatória. E descobri que Morrowind é um jogo complicado, com criaturas e NPCs mal-desenhados, propenso a falhas de hora em hora, que demora a engrenar, com musicas repetitivas e onde sua vida vale pouco.

E que você não consegue parar de jogar.

Há um encanto inerente na ilha-continente de Vvardenfell, capaz de cativar até quem nunca jogou um jogo eletrônico na vida. O universo apresentado não é apenas imersivo, mas vasto e detalhado, onde cada exploração revela um novo aspecto fascinante da cultura, da geografia ou da história do lugar. E quanto mais você explora, mais você se encanta, e quanto mais se encanta, mais quer explorar. Imagine um RPG sandbox de proporções quilométricas, onde seus desenvolvedores se preocuparam em criar minúcias de proporções milimétricas. O trabalho executado pela turma da Bethesda faz Gothic 3 parecer um deserto de conteúdo e Dark Messiah of Might and Magic um livro genérico de fantasia. Em Morrowind, não importa o quanto você jogue, haverá sempre algo a descobrir. Se você não acredita ainda, se dê o prazer de baixar o protetor de tela que eu criei com 50 telas do título.

Morrowind - My Screenshot 05Morrowind - My Screenshot 08Morrowind - My Screenshot 27

Junte esse deslumbramento com a impressionante facilidade de criar mods para o jogo e teremos um RPG com MILHARES de modificações criadas por usuários. Cada aspecto do jogo pode (e foi) alterado, melhorado, expandido por algum mod. Com tantas missões novas, é possível continuar jogando Morrowind mesmo hoje, oito anos após o seu lançamento. Sem contar com as expansões oficiais: Tribunal e Bloodmoon.

Após completar a missão principal de uma história que se expande por todo o impressionante território do jogo, parti para cima da primeira expansão, completei, joguei a segunda expansão, completei, baixei diversos mods, completei missões extras de qualidade igual (ou superior!) às missões criadas pela Bethesda. E segui jogando. E jogando. E jogando. No final de tudo, meu personagem principal, Karkaz, era virtualmente invencível, dono de um castelo colossal, uma fortuna incalculável. Respirei fundo. E desinstalei.

Eu e Morrowind

Ainda havia mods que eu não tinha testado. Sempre haveria (sempre haverá?). Cometi o erro de não apagá-los. A tentação foi tanta que fiz algo que raramente faço: reinstalei o jogo.

Para mim, jogo vencido é jogo descartado. Com todo o respeito àqueles que me proporcionaram horas de entretenimento ou fantásticas experiências. Mas a vida é curta. E os títulos, muitos. Da mesma forma que envio jogos para a "lixeira" sem piedade, dificilmente eu retorno.

Mas voltei com Morrowind. Criei um personagem completamente diferente, um dremora chamado Elvac. Onde Karkaz era um poço de virtudes, na boa e velha tradição heróica, Elvac seria um mercenário frio, mestre na arte do assassinato. Entrei para guildas que não tinha entrado antes, me associei a um clã diferente, procurei mods que se encaixassem no que eu estava procurando. No final, acabei encontrando um mod que permitia ao personagem se aliar ao grande vilão do jogo e entrar para a Sixth House. Eu, definitivamente, não estava seguindo o caminho criado pela Bethesda.

Morrowind Reload 17Morrowind Reload 19

Sem me dar conta, eu estava coordenando dois NPCs aliados (e me importando com seus destinos!), conduzindo quase dez quests ao mesmo tempo e gastando horas a fio na jogatina. Perceba que não existe nada de "casual" em Morrowind: quando você senta para jogar, você não levanta antes de duas horas de RPG ou antes do titulo travar e fechar na sua cara, o que acontecer primeiro. Desconfio, inclusive, que as constantes travadas do programa não sejam um bug, mas uma trava de segurança embutida pela Bethesda para salvaguardar o jogador.

Livre da missão principal "oficial", Morrowind se torna uma experiência ainda mais absorvente. Percebendo que minha odisséia estava longe de ser concluída, se é que um dia eu pararia de testar novos e novos mods, decidi desinstalar. Mas não menti para mim mesmo e guardei os save games, para um dia em que Elvac retornaria e tomaria Vvardenfell pela força da espada!

Nunca Mais?

Em 2009, entre um título e outro, resolvi reinstalar Morrowind. Indigo havia provado ser um computador possante. Imaginava eu que as falhas técnicas do jogo não iriam se repetir e eu poderia completar a saga de Elvac, sem irritação. Para meu espanto total, o jogo não rodava. Simplesmente não rodava. E eu ainda não havia instalado nenhum mod! Tentei outra instalação. E nada. Consultei os fóruns e vi que tinha muita gente com o mesmo problema com processadores dual core. Interpretei isso como uma dica para não cair no vício novamente e desisti.

Ao ler a notícia do pobre rapaz que devolvera o jogo pelo Correio, eu ri e pensei: "tenho que postar isso!". Por reflexo, fui dar uma olhada na pasta onde estava guardado meu save game. Estava vazia.

Vazia.

De alguma forma, eu havia recortado e colado os arquivos durante minha tentativa anterior e instalação. Não havia mais nada lá. Nem backup. Elvac estava agora no céu dos avatares deletados, junto com Karkaz.

Talvez eu devesse reconhecer os sinais e esquecer Vvardenfell. Talvez eu devesse jogar Elder Scrolls IV: Oblivion, a continuação oficial do RPG. Talvez eu devesse seguir o exemplo do rapaz do bilhete e devolver meu jogo.

Por que, apesar de tudo, eu ainda sinto vontade de voltar.

Morrowind Reload 26 

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4 comentários:

José Guilherme Wasner Machado disse...

Brilhante post, que reflete o meu sentimento e o de muitos outros em relação a esse sugadouro de tempo que é Morrowind, um dos RPGs mais envolventes que já tive prazer de jogar. Com certeza gastei mais de umas 300 horas nele, e praticamente um ano antes de finalmente abandoná-lo. Após, claro, terminar todas as quests mais relevantes e andar muito, mas MUITO mesmo, pois adoro explorar. E mesmo assim, não consegui cobrir nem 1/3 do mapa. Morrowind está longe de ser perfeito, mas tem qualidades que não podem ser desprezadas por nenhum fã de RPGs de verdade!

Vale você experimentar agora Oblivion. Não é tão bom quanto Morrowind, embora tenha MUITAS qualidades. É de uma beleza e atmosfera de tirar o fôlego. Muitas vezes fiquei sentado em bancos de pracinhas, apenas vendo o tempo passar, e o dia virar noite... é bonito assim.

Um dia quero escrever resenhas sobre os dois jogos.

Abraços!

Marcos A. S. Almeida disse...

Amigos, já joguei clássicos como Chrono Trigger (SNES), Zelda - Ocarina of time (N64), Super Mario RPG (SNES) e até o malfadado Crusaders of Might and Magic (PC) e infelizmente nunca me empolguei com RPGs.Não sei se os RPGs de hoje em dia se encaixam nos mesmos moldes que esses jogos anteriomente citados , mas fato é que por experiências frustradas nunca mais joguei RPGs, mas toda vez que leio/ouço alguém exaltar as qualidades de um jogo desse gênero, sinto vontade de experimentar mais uma vez e finalmente desfrutar um prazer idêntico ao que eu sinto ao jogar um HALF-LIFE 2 , ou Resident Evil 4, um GOD of WAR ou o mais recente Gears of War.Espero ainda ter oportunidade para isso sem que no final das contas constate que nada mudou nos RPGs e que as análises escritas por fãs não sejam mais que exageros de quem realmente gosta do gênero.Abraços.

Rafael disse...

Eu acabei lendo o post do comentário antes do comentário (se é que me entendem). Porém tenho que concordar com este post e com a pobre alma que devolveu o jogo a produtora. Eu instalei o jogo em meu computador em 2004 (veio junto a minha Geforce TI4200, saudades...)e Tinha diversos outros títulos jogando na época, era o caso de Need for Speed Underground2, Unreal Tournament 2k4, Doom3 e Never Winter Nights, só pra se ter uma idéia de quão variado era meu desktop (como estava gerenciando uma lan house na época minha facilidade pra conseguir títulos originais era imensa, mais saudades....)Mas foi eu instalar o "maldito" Elder Scrolls que os outros títulos cairam no esquecimento (até mesmo UT2k4 que eu tanto amei). E realmente.... eram todos os dias ao menos 2 horas de jogatina ininterrúptas. Até que eu vendi meu pc com o jogo e tudo e voltei ao mundo real. Mas então ano passado comprei outro pc de ultima geração (precisava conferir Crysis de perto) e desde então dá uma coceira pra re-instalar o bendito (eu comentei que minha vga me presenteou com 2 [isso mesmo dois] pacotes de jogos, repetidos claro. Mas a pessoa que embalou a placa se enganou nas contas e ainda tenho 1 exemplar em casa me chamando)Até o momento mantive a postura e fui forte e lendo este post ganho ainda mais força ao saber que o jogo demonstra incompatibilidade com processadores de mais núcleos. Resta agora fechar a tampa e terminar de enterrar este título que vai deixar saudades e lembranças...

Anônimo disse...

engraçado meu processador e dual-core e eu jogo morrowind q estranho,mas voltando ao post vc tem razao morrowind e otimo pra min supera oblivion e skyrim (jogos q jogo no meu outro pc) ja zerei morrowind com o grande genral imperial Maximus hehehe e esou zerando de novo com um personagem q cuidadosamente o chamei de altair kkkk!! otimo post

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