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9 de janeiro de 2010

Jogando: Dark Messiah of Might and Magic

Dark_Messiah_of_Might_and_Magic O último título do universo de "Might and Magic" que eu joguei foi o detestável Crusaders of Might and Magic, vendido no Brasil em bancas de jornais. Dez minutos de jogabilidade foram suficientes para coloca-lo na lista dos jogos rejeitados. Entretanto, graças a impressionantes vídeos e um boca a boca positivo, havia um novo RPG da série que fazia parte da lista de desejos proibidos: Dark Messiah of Might and Magic. Na época de seu lançamento, fiquei impressionado com a qualidade dos gráficos e com a aparentemente fantástica jogabilidade em primeira pessoa. Os requisitos mínimos, entretanto, eram um tanto quanto violentos para Dredd, meu modesto PC em 2006.

Hoje em dia, descubro que o título utiliza a mesma engine Source de Half-Life 2, ainda que com texturas muito mais pesadas. Considerando que fiquei saturado de qualquer coisa relacionada ao Source, Dark Messiah, três anos depois de me fazer salivar, já não me impressiona tanto. Some a isto uma direção de arte incapaz de criar um universo de fantasia com o mínimo de originalidade, o pior uso de iluminação da história dos RPGs (com ambientes tão escuros que a equipe que criou as artes deve ter cometido suicídio coletivo), mais uma história que se passa 75% do tempo enfurnada em catacumbas genéricas e nós temos a receita para o desastre. Depois de perder o fôlego com as impressionantes paisagens de Gothic 3, o que eu tenho aqui é um horizonte que termina a 50 metros do meu nariz, isso nas pouquíssimas cenas ao ar livre. Depois de explorar com muito prazer as dezenas de cavernas e tumbas de Morrowind, o que eu tenho aqui são intermináveis e enfadonhas galerias habitadas pelos mesmos três tipos de inimigos: Orcs, Goblins, Mortos-Vivos, repete, Orcs, Goblins, Mortos-Vivos, repete... Os raros momentos de deslumbre foram proporcionados pela (tão desejada) luz do Sol se infiltrando por buracos em cavernas ou pela grandiosidade de seus abismos.

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Ah... os abismos! Se o título do jogo não fosse Dark Messiah, ele poderia se chamar "Abysses of Might and Magic". Ou, quem sabe, "Bedspikes of Might and Magic". Uma das mais alardeadas características desse pretenso RPG é o chamado combate dinâmico, onde você pode empurrar seus oponentes precipício abaixo ou cravá-los em camas de pregos estrategicamente espalhados pelo cenário. E, acredite, é isso que você irá fazer o jogo inteiro: por toda a parte existem quedas livres sem grades de proteção ou camas de pregos posicionadas casualmente junto às paredes. O que inicialmente é divertido, torna-se casual com o tempo, até ficar completamente automático. Qualquer possibilidade de imersão cai por terra diante da onipresença das camas de prego de todos os tipos. Ashan, o mundo de Dark Messiah, é um lugar que não respeita qualquer norma de segurança: onde pilastras pesadíssimas podem vir abaixo com um golpe no lugar certo e armadilhas de pêndulo podem ser encontradas em quase todos os lugares. Se você preferir combater seus oponentes de forma convencional, boa sorte! O sistema de combate é difícil de dominar, mas, depois que você consegue, você não vai mais sentir necessidade de jogar ninguém em direção à morte.

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A história de Dark Messiah tampouco apresenta originalidade: um Mal antigo foi aprisionado e cabe a você, um reles aprendiz de feiticeiro, recuperar o Artefato capaz de libertá-lo, antes que outros o façam. Existe uma reviravolta no meio da trama, mas é previsível desde o começo. As cutscenes  não possuem legendas, então você terá que tirar de ouvido o inglês dos personagens ou correr atrás de um resumo dos acontecimentos. Não existem escolhas nos diálogos, NPCs com que se possa escolher conversar, lojas para comprar equipamentos ou missões secundárias. Traduzindo: Dark Messiah não é um RPG. Não é porque seu personagem evolui ao longo da história e pode decidir quais perícias quer aprender que um jogo merece ser classificado como RPG. Dark Messiah é um FPS com espadas e, visto por este prisma, ele se destaca no gênero.

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Se o título transpira falta de imaginação por todos os seus poros digitais, não é por isso que ele deixa de cumprir uma das potenciais utilidades de um jogo eletrônico: divertir. Assim que você e o sistema de combate se entendem, ou depois que você finalmente consegue armas adequadas, Dark Messiah se torna uma carnificina agradável e os inimigos tombam aos seus pés como moscas. O último terço da história fluiu para mim como um passeio no campo. Supondo que o campo esteja repleto de inimigos derrotados, é claro. E, se o jogo não permite que você desvie do roteiro principal, pelo menos ele deixa que você explore um pouco mais os cenários individuais e encontre áreas secretas contendo itens úteis ou novas armas. E, justamente por te guiar por um trilho fixo, o FPS apresenta impressionantes sequências coreografadas onde é necessário realizar uma determinada série de ações para ser bem-sucedido: seja correr pelos telhados de uma cidade de noite, chovendo, atrás de uma criatura, ou fugir desesperadamente de um verme assassino de proporções colossais.

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Dark Messiah of Might and Magic não mudou minha vida, não entrou na lista de favoritos, mas me manteve entretido por vários dias. E matar ciclopes é tudo de bom!

Pontos positivos de Dark Messiah of Might and Magic: sistema de combate fluido, trilha sonora caprichada, momentos de impacto. Pontos negativos de Dark Messiah of Might and Magic: arquitetura desinteressante, inimigos repetitivos, história convencional. Nota final: 7.0.

Ouvindo: MechWarrior 2 - Track 21
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