Retina Desgastada
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27 de abril de 2021

Jogando: Magic the Gathering Arena

MTG Arena 05

Minha relação com Magic the Gathering é praticamente ancestral. Acompanhei o surgimento do card game desde o início, na época em que consumia avidamente a revista Dragão Brasil para saber as novidades de RPG. Ainda assim, demorei anos para pegar gosto pelo jogo da Wizards of the Coast...

Comprei as primeiras cartas físicas quase por insistência de um amigo que estava começando a jogar. Depois de gastar um dinheiro razoável, ele olhou para as minhas cartas e falou que aquilo nem dava para brincar e que a maioria delas não valia nada. Com filmes para assistir, VHS para alugar, hambúrgueres para comer e, principalmente, revistas em quadrinhos para comprar, não havia espaço em meu minguado orçamento de quem ainda recebia mesada para um jogo de cartas, por mais que estivesse virando febre.

Ironicamente, me apaixonaria por Spellfire, o rival de Magic the Gathering criado pela finada TSR. Anos depois, investiria um bom dinheiro comprando "pacotinhos" importados em lojas cada vez mais raras. Até que a Wizards of the Coast comprou a TSR e ficou claro quem venceu aquela disputa. Ainda tenho minhas cartas de Spellfire até hoje e jogo em família, mas isso é assunto para outro dia.

Até que nos anos 2000, vasculhando sites de abandonware, descobri o jogo de Magic the Gathering da Microprose. Foi uma longa jornada de frustração para fazê-lo funcionar em sistemas mais modernos, sobreviver ao seu brutal início, evoluir com um número quase infinito de batalhas randômicas e finalmente vencer seu chefe final com impressionantes mil pontos de vida. Evidentemente, isso também é assunto para outro dia.

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Quase duas décadas se passariam para a franquia entrar na minha frente outra vez. Curiosamente, foi o sucesso de Hearthstone que me fez experimentar Magic the Gathering Arena, depois de ignorar todos os outros títulos online da Wizards of the Coast. Mesmo tendo jogado Thronebreaker: The Witcher Tales, o gênero não me atraía. Porém, depois de ter passado por MMOs, game as service e títulos de sobrevivência com meu filho, precisávamos dar uma variada em nossas partidas online. Por que não jogos de carta? Hearthstone era tentador com o selo de qualidade Blizzard, seu marketing maciço e sua crescente popularidade.

Ainda assim, resolvi dar uma nova chance ao pioneiro de tudo isso. Como estaria Magic the Gathering agora? A resposta é simples: fantástico.

Decks Matadores e Matadores de Decks

Com um grande pesar no coração e depois de muitas partidas contra meu filho, eu posso afirmar com certeza que Spellfire foi uma decisão errada da TSR e outra ainda mais errada minha. O card game de Dungeons & Dragons tem seus atrativos indubitáveis, mas o nível estratégico permitido por seu rival é incomparável. Não há muito o que dizer sobre Magic the Gathering nesse sentido, sua longevidade é uma prova que desafia dúvidas, mas o fato é que o jogo permite uma combinação ilimitada de combos e táticas ao longo de uma partida. Junte isso com a possibilidade de enfrentar qualquer oponente online desconhecido e temos uma fórmula para grandes surpresas, derrotas homéricas e vitórias sofridas.

Talvez uma das grandes vantagens de Magic the Gathering Arena é que o jogo é bastante amigável para quem está começando. Meu filho, que nunca tinha pego em um carta de MTG na vida, rapidamente assimilou seus princípios, atravessou o tutorial e já passou a editar os decks iniciais que o jogo oferece. Em uma semana já estava criando seu baralho do zero.

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Outro grande mérito de Magic The Gathering Arena é o acesso quase imediato a centenas de opções de cartas. O sistema de Coringas permite que você "crie" uma cópia de uma carta que você sequer possui. Partidas disputadas e metas cumpridas desbloqueiam novos pacotes que trarão cartas novas e mais coringas. É um sistema que incentiva o jogador a se manter jogando, se aprimorando e recebendo recompensas, sem forçar gastos com moedas virtuais. Um jogador com bolsos largos terá acesso mais rápido a mais pacotes, mas não há muito que algumas semanas de jogabilidade intensa não nivelem. Com mais jogadores online, as partidas acontecem o tempo todo, sem muita espera, e o pareamento de jogadores é satisfatório (embora não seja perfeito).

Então, o universo antes arcano e protegido por muralhas financeiras de Magic the Gathering se torna ao mesmo tempo compreensível e acessível. Com dezenas de horas, criamos decks matadores, disputamos centenas de partidas e não gastamos nada com o jogo.

Ao contrário do próprio jogo físico ou do ancestral título de 1998, tudo é muito rápido em Magic the Gathering. Várias regras são automatizadas, as animações são incrivelmente fluidas e acompanhadas de efeitos sonoros impactantes. É um espetáculo veloz e furioso na sua tela. Em dez minutos, a vitória ou a derrota estará em suas mãos.

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Coincidentemente, Magic the Gathering Arena acaba se tornando o jogo casual definitivo para aqueles vinte minutos depois do almoço ou quando só tínhamos meia hora disponível para uma jogatina de pai e filho. Virou até tema de trabalho escolar.

Em uma fase de minha vida em que trabalhos e responsabilidades se acumularam, o card game estava lá. Se cabe aqui mais uma anedota, Magic the Gathering Arena também é perfeito para se jogar com uma gata filhote dengosa no colo, uma vez que é o único título instalado no meu PC que dá para ser disputado apenas com uma mão. Leia se tornou assim uma gata gamer desde seu segundo mês de vida, um amuleto ronronante da sorte ou uma testemunha silenciosa de meus fracassos.

Por essas características, Magic the Gathering Arena tampouco é um título para se jogar por horas a fio. Enjoa rápido, pois esse não é o seu foco. Completamos nossa temporada pelo jogo, em busca de novas experiências, mas, com a certeza de que esse também será um título que irá retornar diversas vezes para nossos PCs, à exemplo de Overwatch ou Warframe.

Ouvindo: Blood Omen 2 - Question of Faith

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