Retina Desgastada
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16 de janeiro de 2021

(não) Jogando: The Final Station

The Final Station

É estranho começar 2021 abandonando um jogo, mas infelizmente essa é minha sina com The Final Station. O que começou como uma nova série para o canal do YouTube tomba no seu segundo capítulo. Não por demérito do jogo, que fique claro desde o início.

The Final Station mistura o apocalipse zumbi com Snowpiercer, virando uma espécie de Train to Busan de ficção-científica. Apesar de minha tentativa de categorizar o jogo e compará-lo com outras obras, a verdade é que ele coloca na mesa um universo genuinamente original, mesmo tendo conseguido absorver menos do que gostaria de sua história. Você comanda o maquinista, um operador de um trem futurista praticamente automatizado que conecta diversas cidades como seu principal meio de transporte. Suas responsabilidades e o que você conhecia de normalidade caem por terra diante de uma infestação inexplicável que transforma as vítimas em sombras vorazes, possivelmente de origem extradimensional.

Um dos grandes charmes do jogo (além de sua arte em pixels muito bem executada) é a narrativa ambiental que mostra passo a passo como o cotidiano se altera e a civilização tomba. A cada nova cidade visitada pelo trem, o caos se amplia, até mergulharmos de cabeça no colapso total.

Desta forma, The Final Station combina duas jogabilidades: a curta viagem de trem entre as estações, quando é necessário administrar as necessidades do próprio comboio e seus passageiros; e a exploração das cidades afetadas pela catástrofe, em busca da chave numérica que desbloqueia o trem para seguir em frente. A parte do trem não oferece grandes desafios, está aquém de um FAR: Lone Sails, tanto em termos mecânicos quanto emocionais.

É na parte de exploração que The Final Station me derrubou. O jogo é claro em explicar que é impossível abrir seu caminho à bala em meio às criaturas que agora dominam as cidades. Entretanto, você não está completamente indefeso: armas são oferecidas e até objetos podem ser arremessados nos monstros para destruí-los. Porém, muitas vezes, a quantidade de infectados no cenário se mostra um obstáculo intransponível, principalmente em ambientes pequenos. Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.

The Final Station 02

Tentei repetir diversas vezes o mesmo nível que me derrubou, sentindo mais raiva a cada nova tentativa, a cada avanço que era recompensado com mais criaturas ainda e emboscadas. Cheguei à conclusão que me faltava a habilidade necessária e, pior, a vontade de prosseguir nessa fórmula. Nem mesmo me preocupei em capturar telas do jogo e são screenshots oficiais que ilustram essa análise.

É evidente que uma experiência apocalíptica não deve ter o mesmo nível de dificuldade de um walking simulator cujo foco seja contar uma história (embora 35MM e The Light Remake tenham conseguido combinar as duas premissas). Porém, dificuldade em excesso tem sido um repelente para mim desde o começo do Retina Desgastada, um repelente cada vez mais efetivo com o passar dos anos.

Deixo The Final Station parado na mesma estação, ironicamente cumprindo a profecia silenciosa de seu título.

Ouvindo: Siren 2 - Collapse

2 comentários:

Fabiano G. Souza disse...

Sua review no Steam me fez escapar desse!

C. Aquino disse...

Uma alma salva! Deixa a dificuldade para quem curte dificuldade!

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