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30 de novembro de 2020

Eu Vi: Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo

Prince of Persia - PosterConfesso que nunca joguei nada da franquia recente de Prince of Persia. No final dos anos 90, abri o jogo clássico por dez minutos, morri algumas vezes e descartei sem nenhum respeito pela influência que o título teve na indústria ou a genialidade de Jordan Mechner. Então, infelizmente, minha análise de Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo serve mais como uma resposta àquela pergunta: um filme baseado em um jogo tem algum valor para a audiência que não conhece o material original?

A resposta aqui seria "mais ou menos". De forma curta e grossa, a adaptação é uma obra competente que cumpre a função de divertir enquanto dura a pipoca, com raros momentos de constrangimento, mas também com ainda mais raros momentos de brilho. Não senti sono em nenhuma parte e isso já é muito mais do que se pode dizer de Tomb Raider - A Origem. Ainda assim, foi uma pena ver o promissor Mike Newell (do impagável Quatro Casamentos e um Funeral) tendo que pagar suas contas fazendo para a Disney uma cópia árabe de Piratas do Caribe.

Da parte de quem conhece pelo menos a iconografia da franquia de jogos, posso atestar o apuro no figurino e na caracterização do protagonista e suas armas. É evidente que a Disney não economizou miséria na produção: cenários grandiloquentes, multidões de figurantes, cenas de batalhas digitais de encher os olhos, figurino impecável, elenco de peso, diretor de renome. É claro que a mesma Disney enterraria fortunas similares em O Cavaleiro Solitário e John Carter, uma linha de montagem de aventuras genéricas.

Fiquei na dúvida se tanta pompa e circunstância combina com a proposta de Prince of Persia, um universo que deveria ser mais focado em grandes feitos acrobáticos e boas lutas. Há um uso bem moderado de parkour na adaptação e as cenas de combate são vergonhosas, empregando aquele estilo de edição rápida em que você não consegue entender o que está acontecendo. Até meu filho, essa semente da geração totalmente digital, reclamou das lutas. Que falta faz a boa e velha coreografia.

Prince Dastan

O elenco não se esforça muito, com exceção de Jake Gyllenhaal, que exerce sua tradicional competência, e Alfred Molina, quase irreconhecível, que funciona como um bem bolado alívio cômico. Gemma Arterton recebe um papel medíocre em mãos, a da "megera domada", no único personagem feminino da trama.

O roteiro também não ajuda, é o velho corre pra cá, corre pra lá, "fomos encontrados", que mostra que a Pérsia devia ser um quarteirão de areia onde todos sempre se esbarram. A identidade do vilão da trama dá para ser entendida no instante que seu ator entra em cena. A forma como o herói conserta tudo é deduzível lá no começo. Some a isso alguns buracos de lógica e temos uma adaptação preguiçosa.

Prince of Persia

É surpreendente que Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo tenha sido o filme baseado em um jogo eletrônico mais bem sucedido por anos (até ser superado por Warcraft e Sonic - O Filme). Ele está apenas um degrau acima da mediocridade e, pelo visto, isso já o colocava bem longe da média de produções similares.

Ouvindo: Jello Biafra And The Guantanamo School Of Medicine - Clean As A Thistle

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