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25 de setembro de 2020

Eu Vi: Mortal Kombat - O Filme

mortal-kombat-posterLembro claramente que assisti a adaptação no cinema, na noite de estreia, em companhia de amigos, bem longe de casa porque só tinha uma sala disponível, no centro da cidade. Saímos da sessão extasiados.

Em 1995, Mortal Kombat causou um "impakto" na cultura das adaptações cinematográficas de jogos eletrônicos. Primeiro que a própria mídia dos joguinhos ainda estava em seus primórdios e entregar boas narrativas não era a regra, mas a exceção. Segundo que esse filme foi lançado um ano depois do pavoroso filme do Street Fighter e dois anos depois do retumbante fiasco que foi Super Mario Bros. Em termos comparativos, portanto, esse era o melhor filme baseado em um jogo jamais feito.

Sua continuação ficou reservada para as locadoras e era uma produção tão tosca que jamais revi qualquer filme de Mortal Kombat. Até essa semana.

A grande pergunta é: o filme de 1995 sobrevive ao teste do tempo? É evidente que não. Estava escancarado em nossa frente, mas recusávamos a aceitar. Nunca foi uma obra de qualidade. É um filme barato, de baixo orçamento, com trama praticamente inexistente, um degrau acima de dezenas de filmes de kung-fu que eram exibidos nas madrugadas da TV, com lutas piores do que muitos daqueles filmes, mas uma leve pintura de Mortal Kombat por cima para satisfazer os fãs.

Os personagens estão lá e o filme se beneficia do fato de não haver muito lore na franquia em 1995. Alguns daqueles lutadores praticamente entram mudos e saem calados e suas habilidades especiais são subaproveitadas com efeitos digitais que já faziam vergonha nos anos 90. Há frases tiradas diretamente do jogo, mas nenhum traço da violência explícita que marcou a série.

Mortal Kombat - Elenco

O elenco é um espetáculo por si só. Christopher Lambert, o único nome com algum peso na escalação, está visivelmente entediado, contemplando de forma estoica o abismo em que sua carreira estava se tornando. Em contrapartida, tanto Linden Ashby quanto Cary-Hiroyuki Tagawa abraçam com toda a força a cafonice da narrativa, se divertindo respectivamente com Johnny Cage e um involuntariamente hilário Shang Tsung. O resto dos atores parece acreditar que os diálogos são sérios e tentam oferecer alguma sobriedade, sem muito efeito.

O maior mérito do filme é de longe sua trilha sonora. A faixa-tema se transformou no hino definitivo de Mortal Kombat e levanta a adrenalina em qualquer ocasião que toca. Ainda que eu tenha me recusado a rever o filme por anos, o álbum com as faixas ficou em alta rotação em minhas listas. Estranhamente, a Netherrealm demorou décadas para resgatar "aquela" música e promover um de seus jogos. Há alguma questão de direito autoral envolvida porque o trailer oficial de Mortal Kombat 11 com a faixa foi removido da internet.

Mortal Kombat - Subzero

O legado de Mortal Kombat é maior que o próprio filme. Ficou estabelecido ali que bastava um mínimo de respeito para se adaptar um jogo para os cinemas de uma forma que agradasse a audiência. Não era difícil, no final das contas, embora ainda estejamos no aguardo da obra definitiva nesse quesito. Além disso, começava ali a carreira de Paul W.S. Anderson, para o bem ou para o mal, e o diretor acumularia adaptação atrás de adaptação, com a franquia Resident Evil, Dead or Alive, Aliens vs Predator e Monster Hunter chegando em breve.

Um novo filme está vindo para os cinemas no ano que vem. Embora seja impossível repetir as condições em que o original estreou um quarto de século atrás, torço para que traga pelo menos a faixa que marcou uma geração.

Ouvindo: Xykogen - Datsuzoku
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