Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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19 de julho de 2020

Quarentena - Semana 18

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Talvez uma das coisas que eu mais sinto falta nessa quarentena (além do bom senso alheio e coxinha de lanchonete) é a solidão. Eu amo minha família e faria tudo por eles mas, como uma pessoa introspectiva, anseio pelos momentos em que consigo ficar sozinho com meus pensamentos, meus planos e minha concentração. É uma privacidade que até acrescenta valor ao aconchego do lar e aos horários compartilhados.

Entretanto, há dias em que é impossível me focar por mais de 15 minutos sem ser interrompido por algum tipo de demanda e o fone de ouvido é uma constante em um ambiente onde a TV está quase sempre ligada, onde há lives acontecendo no cômodo ao lado ou o tiroteio come no Warframe no outro cômodo. Acrescente a esse cenário um aumento no volume de trabalho e temos uma receita para a irritação.

Doso essa rotina de trabalho com o horário sagrado de jogar ou jantar com uma atitude mais tranquila em relação a prazos de entrega e, finalmente, aprendi a pedir adiamentos.

Savage Lands

Meu filho estava ansioso por um título de sobrevivência a dois e, na falta de uma licença extra de Conan Exiles ou Citadel: Forged With Fire, experimentamos Savage Lands. É um título que talvez tenha potencial, mas foi abandonado pelos jogadores e pelos seus criadores.

Não há servidores dedicados, então meu filho criou um servidor local com o inspirado nome de "Terras Geladas". Minha expectativa era de que ele curtisse e frequentasse esse mundo até nas horas em que eu não estivesse disponível. Bizarramente, ao entrar em "Terras Geladas", fui transportado para outro servidor, onde havia um jogador com suas construções já prontas. Enquanto isso, meu filho era perseguido e morto por lobos no mundo dele. Demorei até entender que estava no lugar errado e que aquele personagem parado era outro jogador fora do ar.

Saí, voltei para a lista de servidores e havia, entre meia dúzia de opções, "Terras Geladas" e "Leonardo's Server". Não há senhas ou configurações e desta vez entrei no mundo certo.

Savage Lands é feio como um Skyrim com sérias restrições orçamentárias. Acredito que a ambientação desolada até contribua para a atmosfera de limite do mundo que o jogo propõe, mas meu filho não parou um minuto de afirmar que o título é visualmente sofrível. Mecanicamente não é muito melhor, devo admitir. A fogueira para de funcionar pelos motivos mais triviais, como balançar sua arma perto dela. Não há uma forma de organizar o inventário automaticamente, faltam legendas nos itens e você precisa adivinhar pelo ícone. Além disso, você não pode construir onde quiser, mas coleta recursos para reconstruir uma colônia viking que ali existiu. Essa última particularidade nem me incomoda tanto, já que oferece um norte bem sólido para o jogador, mas trava a criatividade de jogadores acostumados com outros títulos do gênero.

Insistimos por uma hora, em que fomos atacados por lobos e esqueletos e, por incrível que pareça, visitados por dois jogadores. Os forasteiros tentaram nos matar, mas o PvP estava desligado, então eles foram embora depois de alguns minutos.

Meu filho falou que não tinha interesse em retornar, eu expliquei que devíamos dar uma nova chance, que jogos de sobrevivência costumam ser frágeis em sua primeira hora mesmo. Convenci-o, mas as dúvidas se inverteram: ao longo da semana, perdi o ânimo de revisitar Savage Lands. De comum acordo, ele será abandonado.

Também experimentamos Totally Reliable Delivery Service, uma espécie de Human Fall Flat com mundo aberto e objetivos. É aquela mistura indigesta de diversão gerada pela jogabilidade bizarra com frustração, já que você sente o desejo de avançar e realizar alguma coisa. Talvez eu devesse relaxar mais e só curtir a zueira, mas algo dentro de mim assume a responsabilidade de completar as entregas, mesmo que o próprio jogo esteja fazendo de tudo para dificultar isso. Com uma pitada de roleplay da minha parte, a sessão foi bastante engraçada.

Depois de dois dramas seguidos na semana passada, decidi que desta vez veríamos filmes, digamos, mais superficiais. Vi Dog Soldiers com o guri e achei menos impactante do que quando vi pela primeira vez (e percebi errinhos chatos de lógica). Entretanto, ainda é um bom filme de lobisomem. Principalmente, se considerarmos que é o filme de estreia do diretor. Eu curto filmes do subgênero "cerco": pessoas presas em um ambiente fazendo de tudo para não deixar uma ameaça externa entrar. Muito atual, inclusive.

Dog Soldiers

Também vi Bloodshot com meu filho. Mano, é muito meia boca. A proposta é até boa e teria rendido na mão de um cineasta/roteirista melhor. Mas os diálogos são sofríveis e a trama se desenrola de forma bem convencional. A única surpresa já era estragada e mastigada no trailer. E aí eles mastigam e explicam mais ainda no filme. E Vin Diesel, como ator, é um ótimo Groot. Nem nas partes de ação, o filme se salva. O melhor personagem é um vilão com braços extras. Consegue ser pior que Alita. Alita pelo menos estava se esforçando.

Finalmente completei Summer in Mara. É um título recheado de problemas, mas que já deixa saudade. Como foi possível ter me encantado tanto com um jogo tão repetitivo e com erros gritantes? Está muito longe de ser um novo We Happy Few, mas passa uma paz e uma felicidade nas coisas simples da vida que nosso estado atual talvez tenha deixado de lado. A análise completa já está no Gamerview.

Comecei o teste do brasileiro Rogue Summoner, uma radical mudança de estilo de quem fez Eliosi's Hunt. O jogo é um RPG de combate por turnos que guarda muitas semelhanças com o xadrez. O tutorial quase me fez desistir de tão complicado. Entretanto, a primeira masmorra pra valer me fez finalmente entender e curtir o jogo.

Blightbound Beta está instalado para jogar em companhia de dois parceiros do Gamerview. Não estou encarregado pela prévia e os servidores só vão abrir na segunda, então nem mexi no jogo.

Tampouco mexi em The Walking Dead: The Final Season, o que já está começando a me preocupar. Seria foco nas análises com prazo para entregar ou seria medo de me decepcionar com a aventura final de Clementine?

Porque o foco em análises não reduziu em quase nada o tempo dedicado a Warframe essa semana...

Summer in Mara 02

Ouvindo: Crux Ansata - Imprinted In My Mind
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