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6 de junho de 2020

Jogando: Poly Bridge 2

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(publicado originalmente no Gamerview)

Em algum ponto perdido de nossa História, alguém viu um rio no caminho e pensou que devia ter uma forma melhor de cruzar o obstáculo, sem precisar se encharcar ou dar uma volta enorme em busca de um ponto raso. Esse engenheiro desconhecido inventou a ponte.

Milênios se passaram e alguém pensou que isso daria um bom jogo. E deu mesmo. Mais de um, pra ser exato. Agora, um dos mais conhecidos títulos do gênero "simulador de engenheiro" ganhou uma continuação, em que os limites do improvável serão testados. Sua mente vai voltar a pensar em triângulos com Poly Bridge 2.

Balança, Mas Não Cai

Poly Bridge 2 foi meu primeiro contato com esse tipo de jogo e acabei surpreendido por minha própria reação em vários aspectos. Primeiro que o título é relaxante. Não esperava abrir o jogo da Dry Cactus no meio da tarde para fazer a digestão do almoço e me distrair levantando uma ponte de aço, concreto e madeira sobre um rio de águas plácidas.

Grande parte dessa sensação de jogabilidade casual é passada pela trilha sonora, um exuberante trabalho que transmite paz aos ouvidos.

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O fato de não ter qualquer marcador de tempo também ajuda. Poly Bridge 2 não te julga, Poly Bridge 2 não faz pressão, ele só quer que você se divirta. Nem mesmo o orçamento da compra de material é um fator limitante e você pode estourar o orçamento se isso te fizer feliz. Sem pressa ou falta de grana, você pode erguer a ponte dos seus sonhos, ou simplesmente um amontoado de peças que, por forças do destino além da sua compreensão, não despenca para o abismo.

Para os jogadores com uma abordagem mais séria, o título também pode funcionar a contento. Há um placar global que avalia todas as soluções desenvolvidas por todos os jogadores. Quanto menos recursos você conseguir gastar, melhor o seu ranking. A Dry Cactus jura que cada entrada é analisada de forma criteriosa e não há espaço para trapaceiros.

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Por outro lado, também é possível postar sua solução completa em uma galeria de usuários e foi nesse momento que eu me surpreendi outra vez. Tem todo tipo de solução fora da caixa lá fora. Existem engenheiros virtuais capazes de bolar pontes que não apenas funcionam como também são uma poesia em curva. Como diria Ferreira Gullar (falando do imortal Oscar Niemeyer), "a beleza também é função" e o concreto paira no ar. Que contraste em relação a minhas quase brutalistas linhas retas sem graça.

Em contrapartida, a galeria também me mostra que existem pessoas que apenas querem ver o mundo pegar fogo. Quebrar as regras da engenharia parece ser uma segunda camada de diversão em Poly Bridge 2 e alguns jogadores conseguem completar os níveis com o mínimo do mínimo, com o veículo capotando até o ponto de desbloqueio e a ponte inteira desmoronando para trás. Não importa, a Dry Cactus abraça todos em uma só comunidade.

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Diploma Comprado

É triste admitir, mas também houve uma terceira surpresa: a dificuldade. Talvez tudo tenha sido explicadinho no título anterior e eu tenha chegado atrasado na aula, mas o fato é que Poly Bridge 2 ensina muito pouco, para dizer quase nada. Eu entendi que são necessários triângulos para dar suporte à estrutura, mas isso pra mim continua hermético: são forças gravitacionais em ação ou é um símbolo da sorte, tipo Iluminatti? Na dúvida, minhas pontes acabam tendo mais triângulos que uma apresentação da Unreal Engine 5.

Diversas questões não são explicadas adequadamente no frágil tutorial ou mesmo nas dicas. Uma foto de uma ponte similar não ajuda muito, a menos que eu faça uma cópia idêntica do que aparece, o que não me favorece a compreender as mecânicas em andamento. Em um dos casos, eu imitei a ponte sugerida até seu último milímetro, mas os pistões não funcionaram como deveriam.

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O resultado é uma montanha-russa de frustração, arroubos de genialidade e momentos em que eu meto o louco e faço de qualquer jeito e que se danem a segurança e a estabilidade. Esse último caso rende boas risadas, deixa a marquinha de "completado" no mapa, mas não é tão gratificante como parece. A Dry Cactus foi inteligente em deixar tudo liberado desde o começo. Não consegue "passar" daquele mapa? Não tem problema. Todos os cenários, em todos os mundos, podem ser jogados na ordem que você desejar.

Se levado muito a sério, Poly Bridge 2 pode acabar sendo cansativo, dado o volume de mapas e desafios expostos. Como se as dezenas de níveis de fábrica não fossem suficientes, o jogo ainda traz um caprichado suporte para a comunidade, com um editor embutido e uma sessão dedicada a cenários criados por outros jogadores. Então, o título pode agradar desde aqueles que só querem uma diversão rápida e relaxante ou a galera do TOC que não ficará satisfeito enquanto houver um rio nesse universo sem um ponte no meio.

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Faltam, porém, mais opções de construção, para customizar sua ponte. Mesmo com toda a criatividade do mundo, não apenas os cenários são muito parecidos, como as pontes também. Até mesmo um esquema de pintura ou elementos decorativos já poderiam tornar o jogo mais charmoso.

Poly Bridge 2 pega o sucesso do título anterior e repagina. Quem curtiu o primeiro título, vai voltar aqui para uma nova rodada de desafios. Quem não curtiu o primeiro, não vai ter motivos para dar uma segunda chance. Para quem não conheceu o primeiro (ou mesmo o gênero), funciona como uma boa introdução, mas deixa a sensação de que poderia ser melhorado.

Ouvindo: Mitsuto Suzuki - The Warren
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