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27 de junho de 2020

Eu Vi: O Último Guerreiro das Estrelas

The-Last-Starfighter

"Saudações, guerreiro estelar. Você foi escolhido para defender a fronteira contra as forças de Xur e a Armada Kodan". Eu posso citar a frase mais famosa do filme sem consultar o Google, talvez com um ou outro desvio de palavras, tão forte foi a impressão que esse filme causou no jovem Aquino décadas atrás quando o filme foi lançado. Lembro com bastante clareza do cartaz fulgurante e como o uniforme do protagonista parecia impressionante.

Trinta e seis anos depois, a obra ainda guarda um lugar quentinho no meu peito e foi impossível não me emocionar outra vez. Não exatamente por seus méritos inerentes, mas pela força da nostalgia e pela oportunidade de revê-lo ao lado do meu filho, com mais ou menos a mesma idade que eu tinha quando me deslumbrei com o longa.

Não que o garoto tenha se importado. A grande verdade é que os efeitos especiais de "O Último Guerreiro das Estrelas" envelheceram muito, muito mal. Terrivelmente seria o termo mais adequado. O filme cometeu o catastrófico erro de optar por animações feitas em computação, em detrimento de efeitos práticos com maquetes e modelos, como os utilizados por Star Wars e outros filmes de ficção-científica de sua época. Esse pioneirismo custou caro: em 1986, o ápice da tecnologia de CGI faria vergonha em PlayStation 1. Há menos polígonos na cena do asteroide inteira do que na cabeça de Lara Croft dos dias de hoje. É constrangedor demais.

Então, será que o filme se sustenta por suas atuações ou por sua história? Seu elenco não teve um destino promissor em Hollywood ao entregarem performances apenas medianas. A notável exceção fica por conta do veterano Robert Preston, no papel de um adorável trambiqueiro, em seu último trabalho nos cinemas. Era uma tradição dos filmes do gênero contarem com o peso de um ator da velha guarda em meio ao elenco de novatos e Preston se entrega à função com carisma. O igualmente experiente Dan O'Herlihy complementa a escalação fazendo Grig, um personagem que também rouba todas as cenas e funciona como uma espécie de mentor do protagonista.

Star Fighter

De acordo com meu filho, a história não empolga e é um punhado de clichês, no que eu rebati apresentando a ele a Jornada do Herói. O que temos aqui é um exemplo clássico: um jovem insatisfeito com a vidinhha mundana do seu dia a dia recebe um chamado ao dever por um tipo de predestinado, é apresentado a um universo muito maior do que imaginava ser possível, reluta em sua missão, aceita o peso da responsabilidade, se descobre como pessoa, derrota seus inimigos, retorna ao lar, mas o seu antigo lar não lhe cabe mais. É um modelo que foi adotado em obras que se tornaram emblemáticas, com pequenas variações, em Star Wars, O Senhor dos Anéis, Matrix e Harry Potter.

Ouso dizer que "O Último Guerreiro das Estrelas" merece estar em tão nobre companhia. Ele acerta em cheio ao trazer a cultura dos videogames para dentro da fórmula ancestral. A obra também tem um grande trunfo em suas mãos: o otimismo. Ao contrário de narrativas similares que acabam apresentando os horrores que tal jornada implica, a odisseia de Alex Rogan é pura maravilha, projetada para encantar seu público-alvo. Ao contrário de Harry Potter ou Neo,  nosso protagonista é amado e querido por quase todos, emocionalmente realizado. Seu grande feito em uma máquina arcade chega a ser celebrado como se fosse uma vitória do grupo, em uma cena que jamais aconteceria na vida real, mas representa a união daquele núcleo, pequenas vidas perdidas no meio do deserto.

Arcade

Mesmo as mortes que acontecem ao longo da trama são aliviadas de seu peso. A conclusão é um sonho realizado, sem nenhum traço de amargor e com portas abertas para sequências que nunca vieram.

Há um erro de tradução na versão dublada, em que a arma definitiva da espaçonave é batizada de Botão da Morte. No original, Death Blossom, é nítido como o filme foi fundamental para batizar uma certa habilidade suprema de um personagem de Overwatch.

"O Último Guerreiro das Estrelas" certamente não marcou meu filho da mesma forma que me marcou ou o time da Blizzard. Ainda assim, em algum lugar das estrelas, ele segue defendendo a fronteira contra as forças de Xur e a Armada Kodan.

Ouvindo: Welle Erdball - Graf Krolock
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