Retina Desgastada
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17 de abril de 2020

Jogando: Dreamscaper: Prologue

(Publicado originalmente no Gamerview)

Cassidy é gente como a gente e está em uma encruzilhada em sua vida. Nada é tão estável como ela gostaria que fosse e seu isolamento social não tem nada a ver com pandemias. Em seus sonhos, porém, Cassidy é uma guerreira em busca de respostas.

Dreamscaper pode ser definido como o filho perdido de títulos contemplativos moderninhos com os RPGs roguelite clássicos. De um lado, dramas do cotidiano e um recorte da vida como ela é. Do outro lado, lutas contra chefes gigantescos, magia, habilidades especiais e combates furiosos. O inusitado dessa dicotomia é o charme da experiência e isso pode ser sentido nesse Prologue da campanha.

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Por conta disso, temos dois jogos em um. Quando dorme, Cassidy é transportada para uma versão de fantasia de lugares do seu passado. São ruas e estradas, parques e prédios, pátios abandonados e estacionamentos de uma paisagem parcialmente encoberta pela neve. Por esse território, vagam criaturas sombrias que farão de tudo para derrotar a heroína.

Entretanto, aqui Cassidy está pronta para a luta, com armas de curto e longo alcance, um escudo, habilidades mágicas, o poder de desacelerar o tempo e toda a agilidade necessária para confrontar seus inimigos. Ele a é a campeã do seu mundo de sonhos e o combate flui com elegância, com a curva de dificuldade bastante suave. Ao longo do caminho, gerado aleatoriamente como convêm ao gênero roguelite, ela irá encontrar armas e equipamentos melhores, também escolhidos ao sabor do acaso, que irão tornar sua jornada até os chefes mais tranquila ou mais árdua.

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Felizmente, a sorte não é um fator tão preponderante como costuma ser em outros jogos similares (estou olhando para você, RAD). Com uma ampla gama de abordagens a sua disposição, o jogador pode escolher a melhor estratégia. Reflexos apurados para se esquivar nos momentos certos e se movimentar no campo de batalha são elementos muito mais importantes que essa ou aquela arma oferecida randomicamente.

Entretanto, a morte é quase inevitável. Ao contrário de outros roguelites, não há um permadeath em ação e Cassidy apenas “desperta” para a outra metade do jogo. Seu progresso no mundo dos sonhos foi perdido, mas agora é a hora de explorar o mundo real.

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A aventureira destemida que vimos durante os sonhos agora é uma jovem insegura, que deve fazer novas amizades entre uma seleção de personagens simpáticos que orbitam em volta dos três mesmos lugares que nossa protagonista frequenta. Sua rotina vai do café para a livraria, depois para o bar e para a casa. Não há escolhas certas ou erradas nas conversações, mas elas ajudam a dar um brilho extra ao universo psicológico de Cassidy.

Mecanicamente falando, esses encontros aparentemente inofensivos no mundo real funcionam para desbloquear novos elementos que serão utilizadas no mundo dos sonhos. Com novas amizades, Cassidy se fortalece. Essa é a proposta: tudo fica mais fácil com amigos, com apoio, com fagulhas de felicidade. Não por acaso, todos os personagens, incluindo nossa jovem heroína, são pessoas sem rosto em uma cidade impessoal. Quebrar esse gelo entre os indivíduos é fundamental para triunfar contra seus medos interiores.

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Nesse ponto, Dreamscaper falha ao não permitir que selecionemos automaticamente os bônus e itens liberados no mundo real. O que conquistamos nessas conversas é tão somente a chance de esses elementos aparecerem enquanto sonhamos. Se os dados não forem gentis, fica a sensação de que essa parte do jogo é apenas uma perda de tempo.

O título da Afterburner Studios também poderia trazer uma interação maior entre os dois mundos, com referências ou mesmo metáforas. No estado atual, alguns itens coletados no mundo dos sonhos servem para fabricar presentes que daremos para nossos amigos que, por sua vez, irão liberar itens no mundo dos sonhos. E nada mais além disso. Há um leve cheiro de grinding no ar, mas não chega a atrapalhar o prazer de combater no mundo dos sonhos ou ouvir histórias interessantes no mundo real.

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Dreamscaper acaba envolvendo o jogador e puxando-o para seu mundo com a beleza dos seus gráficos estilizados e sua trilha sonora dinâmica, que nunca cansa. O contraste entre os seres fantásticos e os cenários urbanos evocam os mundos surreais de grandes artistas e apresentam uma visão das memórias da protagonista, misturadas com seus pesadelos.

Os quatro talentos da Afterburner Studios trazem uma proposta original e bastante promissora. Essas são paisagens que eu gostaria de seguir explorando quando o jogo completo estiver disponível.

Ouvindo: Koichi Sugiyama - Hurry! We are in Danger (VIII)
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