Retina Desgastada
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8 de abril de 2020

Jogando: Biped

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(publicado originalmente no Gamerview)

Jogos cooperativos podem ser divididos de duas formas: aqueles em que dois jogadores compartilham o mesmo universo, mas cada um cuida da sua vida em direção a um objetivo comum, e aqueles em que, se não houver uma colaboração tarefa a tarefa, a coisa não anda. Não é muito diferente da vida, vamos combinar.

Biped está com os dois pés enterrados na segunda alternativa: a sintonia fina entre os dois jogadores é essencial para se sair do lugar, mas sem muito stress, permitindo uma experiência compartilhada que é divertida na maioria das vezes, raramente difícil e, lamentavelmente, bastante curta.

Quem Precisa de Braços?

Em Biped, um acidente espacial ou algo assim força uma nave de robozinhos inteligentes a cair na Terra. Uma dupla desses robozinhos é enviada para diferentes pontos do planeta para consertar os faróis espaciais que impedirão que outras naves sofram o mesmo tipo de acidente. Parando para pensar, a história não faz o menor sentido, mas também é o que menos importa no jogo.

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O grande diferencial desse universo é que seus habitantes não tem braços. Eles são robôs bípedes (daí o nome), que fazem todas as suas tarefas usando as pernas que grudam magneticamente em superfícies (já que também não possuem dedos). É impressionante que eles tenham construído uma civilização que se expande por diferentes sistemas solares, mas é o que temos pra hoje e essa abordagem funciona em termos de mecânicas de jogo.

Portanto, mais impressionante ainda é o que a chinesa NEXT Studio tenha conseguido fazer com o que seria claramente uma limitação em um jogo de puzzles e plataformas. Cada jogador opera somente dois botões, um para a perna esquerda e outro para a perna direita. O simples ato de caminhar precisa ser coordenado passo a passo, embora seja possível deslizar em superfícies lisas para os mais preguiçosos, se apertar os dois botões ao mesmo tempo.

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A partir dessas limitações, os jogadores usarão as pernas para operar alavancas, se balançar em cordas, controlar barcos e até mesmo operar traquitanas analógicas de rachar a cuca. Entretanto, Biped não mostra a que veio na campanha solo e o jogador solitário pode acabar se deparando com um jogo convencional, para não dizer enfadonho, em que é preciso correr por cima de plataformas com tempo contado ou simplesmente operar alavancas repetidas vezes. Esse caminho apresenta desafios muito mais simples e trabalhosos do que a verdadeira gema do título e está ali, talvez, como uma exigência de contrato, um pontinho no Powerpoint original de apresentação do jogo para os investidores da produtora Tencent. "Sim, tem modo Solo sim, confia no pai".

A União Faz a Força

Biped é uma experiência muito superior quando jogado em dupla. É praticamente outro jogo, embora ambientado nos mesmos cenários. Os desafios são diferentes e realmente exigem que os dois robôs atuem em sintonia.

Um deles é o azul e o outro é o rosa. Em determinadas plataformas, por exemplo, é necessário que a plataforma seja primeiro pisada pelo azul, quando a plataforma muda de cor e passa a precisar ser pisada pelo rosa, se alternando. Um passo errado de um dos robôs e a plataforma some, jogando os dois no abismo do fracasso. Em outros momentos, é necessário um número exato de pés na plataforma ao mesmo tempo, obrigando os jogadores a prestar muita atenção e coordenarem a caminhada.

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A NEXT Studio explora muita bem essas possibilidades e, cada mapa, apresenta uma novidade. Quando o jogador achava que já tinha dominado tudo, é preciso realinhar o cérebro e decifrar um novo ritmo ou uma nova interação entre os personagens ou dos personagens com o ambiente.

Alguns desafios podem exigir um pouco mais de paciência até serem vencidos, mas não há nada no jogo que provoque irritação. É impossível perder a calma com a música tranquila e a fofura de seus protagonistas, que só é sobrepujada pela doçura dos NPCs, que conseguem ser mais desajeitados que nossa dupla de heróis, precisando de ajuda a todo momento, mas também retribuindo.

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Os cenários não são tão criativos quanto se poderia desejar, com o obrigatório mapa desértico, o mapa do gelo, o mapa da floresta… você espera por um mapa da lava, mas, felizmente, ele não chega. Por outro lado, é uma boa surpresa quando aparecemos em um rio a bordo de barcos.

O principal problema de Biped é terminar. Não, sério. Ele termina rápido demais. Jogando com meu filho, completamos a campanha cooperativa em cerca de três horas. Considerando que não somos speedrunners e nem chegamos perto dos tempos sugeridos pela NEXT Studio para cada nível, temos aqui uma experiência que periga durar apenas duas ou mesmo uma hora na mão de jogadores mais ágeis. Terá sido um par de horas bastante divertido, mas o gostinho de "quero mais" continua na boca. Na forma atual, tem a impressão de ser uma demo ou um protótipo. Felizmente, o preço do jogo acompanha essa curta duração.

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Para quem curte extras, há itens colecionáveis escondidos pelo cenário, além de desafios opcionais e moedas para juntar. Com essas moedas, é possível adquirir customizações na lojinha interna do jogo, embora fica a dúvida: para quê investir tanto esforço para comprar o item mais caro, se iremos utilizá-lo, no máximo, por duas horas?

O epílogo de Biped indica que o trabalho duro dos robôs pernudos não tem prazo pra acabar, então, ficaremos no aguardo de uma continuação que nos convide para uma nova aventura.

Ouvindo: KeeN - I Don't Care
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