Retina Desgastada
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9 de fevereiro de 2020

Jogando: Haunted Cities - Volume III

Haunted Cities

Kitty Horrorshow é o estranho nome para uma desenvolvedora estranha. Mas sua obra não é estranha ao Retina Desgastada, com CHYRZA e Dust City aparecendo por aqui, cinco anos atrás. Na época, eu não sabia que os dois projetos eram fruto da mente delirante de uma única pessoa. Ainda que seja uma pessoa múltipla.

Cinco anos depois, por estradas não mapeadas, sua criação mais recente apareceu no meu radar: Haunted Cities, uma coleção gratuita de quatro mini-jogos que já estava, na verdade, em seu terceiro volume. O pacote reúne experimentos que foram oferecidos inicialmente como recompensas para os patrocinadores do seu Patreon, mas depois foram reunidos e distribuídos gratuitamente. Aparentemente, todos giram em torno do mesmo tema: cidades assombradas. Mas, como tudo relacionado a Kitty Horrorshow, as aparências iludem e não há uma conexão palpável entre os trabalhos.

Joguei cada um dos quatro mini-jogos de Haunted Cities - Volume III e publiquei os resultados no canal do YouTube do Retina Desgastada ao longo das últimas semanas.

Basements

O episódio mais perturbador do pacote se caracteriza por uma intensa cacofonia do que parece ser as ruínas de uma cidade infernal. Nada faz muito sentido e o jogo sufoca pelo excesso de linhas fora do lugar, pelo som elevadíssimo e por trazer micro-contos de horror que serão a tônica de todo o projeto.

Gostaria de dizer que entendi a proposta de Basements, mas na verdade não: é um passeio curto, mas marcante por um lugar de tormento e agonia.

Castle Wormclot

É o exato oposto do jogo anterior e do resto dos títulos que formam o pacote. Em Castle Wormclot temos um objetivo palpável: acender as luzes do castelo e de seus arredores, ainda que não haja uma finalidade para isso. Além do mais, o experimento prima por um visual que não é agressivo ou opressor, embora mantenha uma leve atmosfera de grotesco.

Castle Wormclot brinca com as convenções dos RPGs e seus universos de fantasia, mas não vai muito além disso, o que acaba decepcionando. Se há algo maior por trás de minhas ações ou dos personagens que aqui habitam, não consegui captar tampouco.

Ghost Lake

Meu episódio favorito, talvez por evocar aquela aura macabra de viagens de carro por estradas desertas que tanto me fascina. Em Ghost Lake, pegamos um carro e exploramos a sinistra paisagem sob a sombra de uma caixa torácica gigante entre ruínas de civilizações perdidas e marcos esquecidos.

Esse é um mundo aberto, com longas distâncias e possivelmente o único jogo do projeto Haunted Cities que explorei em todos os seus aspectos. Tenho certeza de que cheguei ao final porque um evento completamente inesperado mergulhou meu personagem em uma solidão profunda na imensidão.

Seven Days

Como o próprio nome diz, o último experimento do pacote é um jogo para ser jogado ao longo de sete dias diferentes. A cada mudança de data, um novo conteúdo. O cenário é sempre o mesmo: o interior de uma casa de um personagem que luta ao mesmo tempo contra sua própria introspecção e as inumanas forças cósmicas que agora dominam sua sociedade, um cruzamento de mitos de Cthulhu com depressão que deixaram o autor de This Strange Realm of Mine satisfeito.

A cada dia, a casa e seus arredores sofrem uma alteração que reflete os eventos que se passaram. Encontrar os três relatos do dia é a única jogabilidade possível, mas as metamorfoses são intrigantes e o texto de Kitty Horrorshow está extremamente afiado nesse episódio.

Ouvindo: Soon Serenade - Disaster
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