Retina Desgastada
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4 de janeiro de 2019

Jogando: Dungeon Defenders

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Instalado em Julho de 2018, Dungeon Defenders não passou da marca de 15 horas aqui em casa, possivelmente divididas em 15 longas sessões de batalha, porque pra jogar Dungeon Defenders você precisa de tempo.

Outra indicação que o título não empolgou exatamente nem a mim nem a meu filho é o fato de não ter nenhuma screenshot tirada de nossas batalhas. Temos um vídeo, será que serve como registro para a posteridade? Uma outra boa explicação para essa ausência de fotos é o fato do jogo ser mais feio do que bater em mãe. E fica mais feio ainda com a tela dividida na horizontal, cada jogador do modo cooperativo local condenado a realizar suas ações em uma tripa fina de vídeo. Meu filho também precisou brigar várias vezes com a câmera e seu mago não fazia muita coisa na hora do pau, o que podem ser justificativas adicionais para seu desinteresse.

Ainda assim, avançamos naquilo que Dungeon Defenders chama de campanha, que nada mais do que é uma lista de mapas sem nenhuma relação entre si, sem cutscenes, sem diálogos. Só descobri hoje que nós estávamos controlando crianças o tempo todo. Ainda não sei porque esses moleques eram a única linha de defesa contra hordas de monstros e porque o cristal precisava ser protegido a todo custo.

Sem qualquer tipo de motivação a não ser a vontade de exercitar nosso trabalho cooperativo, avançamos assim mesmo até o mapa final, aquele que tem um dragão. Que foi nosso limite, porque não encontramos uma forma de derrotar o bicho E proteger o cristal ao mesmo tempo, após três tentativas, cada tentativa não levando menos de uma hora. Chegamos no fim, então está bem, certo? Não é como se fosse aparecer uma cutscene final que respondesse perguntas que já tínhamos deixado pra lá havia muito tempo. Foi divertido enquanto durou e coisa e tal.

Para quem não conhece, Dungeon Defenders são dois jogos em um: um tower defense onde você planta proteções e armadilhas para os inimigos que irão aparecer e outro onde você testa ao vivo e a cores a eficiência de suas criações e tenta descer o cacete em alguns monstros ou reforçar esse ou aquele flanco. Lembrei de Sang-Froid, exceto que Sang-Froid é melhor. Enxagua, repete. As hordas vão ficar progressivamente maiores, com criaturas mais fortes e ainda podem emergir por caminhos diferentes de vez em quando. Em contrapartida, suas defesas também podem ser evoluídas. Não há como negar que seja um passatempo interessante.

Dungeon Defenders se perde mesmo é nos seus aspectos, digamos, mais "RPG". Um deles é a evolução dos personagens, que acontece a conta-gotas. Apesar da lentidão com que os atributos sobem, o jogo exige que você tenha guerreiros de níveis sempre mais altos se quiser seguir em frente. Se você estava planejando testar todos os personagens possíveis e seguir alternando entre eles, vai se frustrar como meu filho, que descobriu que precisava escolher um e seguir fazendo grind para o seu mago ser viável em outros mapas. Outro problema é o loot que cai dos inimigos abatidos: de cada 50 artefatos, 49 deles são inferiores ao que você já tem, mas você ainda precisará passar os olhos em todos eles. E aquele artefato, um em cinquenta, que é melhor do que aquilo que você tinha não terá um impacto significativo nos seus atributos no final do dia. Dungeon Defenders se torna um raríssimo jogo onde é chato pegar loot.

Pelo que vimos na internet, existe uma comunidade dedicada ao jogo, capaz de atingir níveis altíssimos, após, imagino, repetir à exaustão os mapas existentes. Depois de centenas de horas dedicadas a Killing Floor, que funciona de forma muito similar, mas sequer tem loot, quem sou eu para criticar quem quer que seja? Apenas que passar dezenas e dezenas de horas em Dungeon Defenders não era algo que nenhum de nós desejava para nossas jogatinas cooperativas.

Tentei estender a vida útil do jogo com mapas criados por essa mesma comunidade. Talvez por ignorância minha, achei os mapas desequilibrados. Alguns eram tão justos quanto os mapas principais do jogo, entretanto, em outros, éramos massacrados tão logo os portões se abriam. Você pode dimensionar a decepção de se passar quinze minutos conhecendo o mapa e montando uma estratégia de defesa, apenas para descobrir que seus personagens jamais tiveram chance alguma, talvez porque o mapa tenha sido criado para jogadores de nível absurdo.

Dungeon Defenders 2 parece ter seguido uma preocupante rota "free to play" que empurra incentivos pagos e toda sorte de conteúdo para cima do jogador. Entretanto, seu maior pecado foi ter matado o modo cooperativo local. Um erro que foi repetido em Dungeon Defenders Eternity, uma versão "melhorada" do jogo original e já abandonada pela própria comunidade.

Essas masmorras não vão se defender sozinhas, mas elas vão ter que se virar sem a gente no futuro.

Ouvindo: Jay-Z, Lana Del Rey  - Baby, Who You Wit [Urban Noize Remix]
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