Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, arma seu teatro na Casa Branca para a reencenação de um espetáculo que já vimos dez, quinze, vinte anos atrás, a indústria dos jogos se prepara para mais uma vez voltar à berlinda por um problema que não lhe diz respeito.
A International Game Developers Association publicou, através de uma série de postagens no Twitter, o resumo perfeito do momento em que nós encontramos:
Vamos ser diretos em relação aos jogos eletrônicos e a violência armada - não seremos usados como bode expiatório. Os fatos são muito claros - nenhum estudo mostrou uma relação causal entre jogar videogames e violência armada. A Suprema Corte estabeleceu claramente jogos de vídeo como liberdade de expressão protegida no caso Brown v. Entertainment Merchants Association. E o estereótipo dos jogadores como garotos adolescentes descontentes é simplesmente falso: 41% dos mais de 150 milhões de jogadores nos Estados Unidos são mulheres e mais mulheres com mais de 35 anos jogam videogames do que meninos menores de 18 anos. Os Estados Unidos jogam os mesmos jogos que o resto do mundo, mas somos únicos em nosso problema com Violência armada.
Em sua vasta maioria, somos cidadãos legítimos que concordam com a maioria dos americanos que apoiam medidas de controle de armas razoáveis, como verificações de antecedentes mais fortes, banimento de coronhas de colisão e pentes de alta capacidade e uma idade mínima de compra de 21 anos para todas as armas de fogo. Tornar os jogos eletrônicos - ou qualquer forma de mídia - um bode expiatório para se recusar consistentemente a CONSIDERAR as restrições razoáveis e racionais de armas de fogo que os americanos querem e merecem não está enganando ninguém.
Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, arma seu teatro na Casa Branca pensando nas curtidas e nas lacradas com seu público eleitor e seus apoiadores financeiros e/ou ideológicos, um estudante armado matou uma outra estudante de 17 anos no Alabama. Ele não estava transtornado, ele não estava influenciado, ele provavelmente nem mesmo tinha problemas mentais. Mas era um menor de idade, armado, em uma escola, e atingiu a amiga e a si mesmo por acidente. Repetindo: um menor de idade, armado.
Uma vida que não volta.
6 Comentários
Infelizmente as crianças estão sendo levadas a crer que os jogos são a fonte do problema.Não seria surpresa se o(s) adulto(s) envolvido(s) nessa campanha escolar seja(m)simpatizante(s)do Trump e defensor(es) fervoroso(s) da posse de armas.Mas também pode ser uma histeria popular diante da falta de uma providência efetiva por parte do governo,já que ele não quer enxergar o óbvio.Daí a comunidade, desesperada, começa a se apegar em soluções inócuas, mas que estão ao seu alcance, numa tentativa de resolver o problema.É triste.
Na real acho que esse é o tipo de problema que não tem solução. Dificilmente uma lei restritiva vai impedir alguém (desequilibrado ou não) de fazer um estrago se esta pessoa estiver realmente disposta e determinada a fazê-lo. Se ela não tiver acesso a armas ela vai pensar em outra maneira (e são inúmeras) de fazê-lo.
Defender a proibição de games ou filmes com violência é tão inócuo quanto defender a proibição de venda de armas. Enquanto existir demanda, vai existir a oferta, legalmente ou ilegalmente. A restrição só empurra as pessoas para a clandestinidade.
Lembro do jogo Carmageddon que foi (não sei se ainda não é) proibido aqui no Brasil, isso só fez a gurizada correr atrás do jogo na internet e nos camelôs.
E do lado das armas é até uma piada se compararmos com lugares onde ela é restrita como aqui no Brasil: Com trocentas restrições de armas que tem por aqui e, mesmo assim, qualquer pivete "de menor" que queira ingressar na carreira do crime não vai ter nenhuma dificuldade de conseguir um 3 oitão pra sair tocando o terror. As vezes não tem nem uma roupa decente pra vestir, mas tem um berro na cintura. Por mais proibido que seja, por mais que a policia prenda e recolha, as armas parecem brotar do nada nas ruas e vão parar na mão justamente de quem não deveria poder chegar nem perto delas...
Acho que uma pequena parte do problema é que as maiorias dos pais não preparam (geralmente por falta de tempo) os filhos para o mundo violento, cruel e desigual em que vivemos e quer deixar para o estado a obrigação de educá-los. Quando acontecem as tragédias ficam procurando alguém ou algo para culpar sem fazer um mea culpa. Ou seja... A culpa é das armas, dos jogos violentos, dos filmes violentos, etc... Enfim! A culpa é de todos, menos minha...
Mas os americanos são campeões nessas atitudes mirabolantes... Basta ver o exemplo da lei seca de 1920...No final só conseguiu deixar os mafiosos mais poderosos, a polícia com índices absurdos de corrupção e o consumo de bebidas alcoólicas continuou...
Sinceramente! A ideia de um governo que vive se metendo em todos os aspectos da vida do cidadão, tratando-o como um débil mental que precisa ser vigiado e limitado constantemente é muito degradante.
Mas... Isso é só a minha opinião... Só dizendo...
- Então, nessa época nós decidimos banir a violencia dos videogames!
- Oh, muito interessante, terraqueo. Então é assim que a sua espécie funciona? Foi o que os seus estudos apontaram?
- Err... bem, não. Na verdade todos os estudos no campo apontaram o contrário que não existe relação nenhuma...
- Bem, mas certamente vocês tinham alguma coisa para embasar essa afirmação, não?
- Na verdade não... a gente meio que só tirou uma opinião da nossa bunda e tentamos mudar o mundo em razão dos nossos achismos. O que alias é como nós decidimos qualquer coisa importante, sabe?
- Ah, entendo... olha, foi um prazer falar com você mas acho que deixei um bolo na superficie de Venus e ele deve estar queimando agora, adeus!
E é por isso que os aliens não falam com a gente...
Acho que nessa histeria sobre jogos violentos também tem muito de algo tipo: “ Bom... Eu não jogo e não gosto de jogos... Então, sou a favor e engrosso o coro daqueles que querem os jogos sejam proibidos.”Mesmo que eu não tenha nenhum embasamento científico para isso.
E muita gente (sei que não é o seu caso)também é favor da proibição de armas somente por essa lógica simples: “Eu não tenho arma e não gosto de armas... Então sou a favor e engrosso o coro daqueles que querem que as armas sejam proibidas...”
E o que falei sobre a vigilância do estado é que é muito irritante e deprimente TODOS serem tratados como debilóides, por causa de alguns indivíduos que não sabem viver em sociedade. E por causa desses indivíduos o estado vai cada vez mais invadindo a vida, a privacidade e o cotidiano das pessoas com a desculpa de que é para o “bem” de todos... Quem vai conseguir limitar um estado que tem o monopólio da razão e da força e trata a população como crianças que não sabem o que fazem e precisam ser protegidas da sua própria ignorância?
E digo mais: Se um dia, no futuro, por algum motivo tipo, por exemplo: “O aumento alarmante de casos de violência doméstica no país” O governo resolver tornar obrigatório a instalação de câmeras dentro das residências para monitoramento terminando com a privacidade (nos moldes de 1984) com a desculpa de que é para a “proteção” da população... Quem vai impedir?