Complexo militar de alta segurança. Noite.
- Não tem Vale-Refeição?
- Não. Não tem. Você não come no trabalho. Nem vai ao banheiro. Para ser sincero, nossas instalações nem mesmo tem refeitório ou banheiro.
- E o que eu tenho que fazer mesmo?
- Você vai usar o uniforme e a arma que nós damos. Vai andar daqui até aquele ponto ali na frente. Olhar para a esquerda. Olhar para a direita. Ficar parado por 23 segundos. E depois voltar pelo mesmo caminho.
- Parece fácil.
- Não é difícil. Mas pouca gente aceita o emprego. Fazer o mesmo trajeto de vinte metros repetidas vezes durante um turno de 8 horas assusta os candidatos.
- Eu topo. O salário é bom.
- Seja bem-vindo à Evil Corp, então. Você não vai se arrepender. Está vendo aquele cara ali do outro lado do pátio?
- Aquele que também está repetindo o mesmo caminho de novo e de novo?
- Sim. O Johnny. Bom moço, nunca reclama. Entrou para a empresa já tem 11 meses. Daqui a pouco vai tirar sua primeira férias.
Um silvo quase imperceptível cruza a noite. A cabeça de Johnny explode com um tiro de sniper.
- Cacete! O que foi aquilo?
- Não foi nada. Lembre-se da orientação. Se vir algo estranho, pare onde está, olhe para os lados por 68 segundos e depois volte ao seu trajeto. Pode fazer isso?
- Acho... que sim. Mas e o Johnny?
- Que Johnny?
Loja de armas. Vila medieval. Meio da tarde.
- Boa tarde, eu queria vender uns itens.
- Mostra o que você tem aí.
- Olha: uma Armadura de Horadrin. Paga quanto nela?
- Dou dez moedas de ouro nela.
- Dez moedas?! Dez moedas em uma Armadura de Horadrin?! Você vende isso por 1000!
- Sim. Mas as que eu vendo não tem buraco de lança, marca de corte de espada ou queimadura de Magia. E nem sangue. Esse negócio ainda está pingando!
- Deu trabalho para conseguir.
- E vai dar trabalho para eu limpar, consertar e retocar. Está vendo esses entalhes aqui? Feitos à mão. E você acertou eles com um machado, não foi?
- Tecnicamente, foi uma alabarda...
- Não importa. O ourives vai me cobrar 300 só para refazer isso aí.
- E essa Espada ThunderStorm? Quanto você paga nela?
- Essa está intacta... bom material... desculpa perguntar, mas... como conseguiu?
- ...
- Eu não ouvi.
- ...
- Pode falar mais alto, por favor?
- Dropou de um rato!
O vendedor olha para a peça, totalmente sem interesse dessa vez.
- De um rato?
- Sim.
- Dou cinco moedas de ouro nisso.
Borda da floresta. Começo da manhã.
- Não quero mais cortar árvore.
- Não começa, Alfredo!
- Não percebe? A gente está acabando com a floresta! E para quê?
- De novo, não...
- A gente corta, corta, corta, nunca descansa, nunca dorme, nunca come, não ganha salário...
- Mas que p*** é salário, Alfredo?!
- É o que eu estou dizendo: isso não faz sentido! E a floresta está acabando!
- E daí? A gente encontra outra e corta mais madeira.
- Até não ter mais floresta nesse mundo! É isso que vai acontecer. Vão acabar todas as florestas! O pessoal da administração vai transformar tudo em catapulta, torre, muralha...
- ... para proteger a gente. É assim que funciona, Alfredo!
- Pra proteger? E aqueles caras de vermelho outro dia? Eles também estavam cortando madeira. Na deles, sem importunar ninguém. Tinha madeira para todo mundo! Aí vieram os nossos arqueiros e passaram os caras na flecha! Foi uma chacina!
- Pelo menos, aí a floresta ficou só pra gente.
- Essa mentalidade vai ferrar com o mundo, cara. Não percebe? A gente está se matando para ver quem acaba com as florestas mais rápido!
- E o que você queria, Alfredo? O que ia te deixar feliz e de boca calada, cacete?
- Eu queria quebrar pedra.
4 Comentários
kkkkkkkkk
Ontem eu tava jogando o Fallout 4 e um carneiro dropou dez tampinhas de garrafa. bem que avisaram sobre o bucho dos ruminantes...
E quando eu achei que o sarro havia terminado, entro na sessão de comentário e vejo essa conversa do Geisel sobre ruminantes. Hoje terei cãibras de tanto rir, e a culpa será de vocês.