Quem me acompanha no blog já sabe que eu persigo o Alien há muito tempo nos jogos, em busca do título perfeito. Nunca me ocorreu durante essa perseguição que eu me tornaria a caça...
Inicialmente, eu tinha encerrado minhas compras na última Winter Sale do Steam, quando, no último dia me dei conta de três coisas: Alien Isolation estava com um desconto enorme, eu não precisava do Season Pass para ser feliz e que meu aniversário estava próximo e eu merecia um mimo. Chutei o orçamento para o alto e gastei um pouco a mais do que o planejado para arrematar o elogiado título da Creative Assembly e ainda coloquei os DLCs do filme no pacote.
Ou seja, meu nível de expectativa era bem alto.
Mas, desde o traumatizante Amnesia - The Dark Descent, eu estava tentando evitar jogos de survival horror. Encontrar o Alien em um ambiente tão claustrofóbico poderia ser meu retorno ao gênero ou uma segunda descida aos pesadelos.
Como bom fã, pulei a aventura principal e fui direto para o DLC The Expendable Crew, que nos coloca de volta à Nostromo de Alien - O Oitavo Passageiro, ao lado de sua tripulação. Passei cinco, dez minutos, apenas absorvendo os detalhes dos cenários. O jogo, neste quesito, é uma obra prima. Seus criadores não apenas reconstituíram o filme dos anos 70, como ressuscitaram a visão dos anos 70 para o que seria o futuro. É uma aula de nostalgia, com posteres, revistas espalhados, objetos do cotidiano. Passear por essa área da Nostromo é pegar um túnel do tempo e voltar para o passado. Para aumentar o clima de filme, há até a granulação da película velha nos gráficos.
Mas aí chegou a hora de encarar o Alien.
Passado esse momento de deslumbramento, desci para o convés de baixo, onde a missão seria atrair a criatura para os dutos de ventilação e isolá-la trancando de alguma forma que eu não lembro porque estava ocupado demais olhando os gráficos e porque o plano não tinha como dar certo mesmo. Dois minutos nessa área, abro uma porta e ele está lá. O Alien. O Xenomorfo. A abominação cósmica. Muito maior do que eu me lembrava no filme ou qualquer outro jogo. O que não é verdade, mas o medo distorce a visão. Tento acertá-lo com o lança-chamas. A mão não responde. Eu morro.
Foram quatro tentativas nesse DLC para eu perceber que não tenho nervos nem preparo para o desafio. Ainda. Ou para sempre.
Parto para o que qualquer jogador com bom-senso faria: jogar Alien Isolation de verdade, a campanha principal. É um refresco para o sufocante The Expendable Crew, onde sou apresentado a seus personagens, suas angústias e o trágico destino da estação espacial Sevastopol. Lembra um pouco Dead Space, a inspiração fecha o ciclo completo.
A atmosfera é perfeita. O medo é palpável. A escuridão é aterradora, mas o jogo vai te guiando com cuidado, apresentando suas mecânicas, deixando a rédea solta nesse início, para seu coração voltar a um nível administrável.
Levo uma hora para morrer na mão do Alien. Mas não tenho mais fobia.
Na segunda tentativa no ponto em que morri, aperto o botão certo e parto. Surpreendentemente, nem vejo o Alien, ouço apenas um barulho distante. Sei que era a criatura porque foi aqui que fui devorado. Fico com a dúvida na garganta: quantas vezes estive perto da Morte e não percebi porque fiz a coisa certa na hora certa? A questão irá me perseguir por todo o jogo, estou certo disso.
Mas o título exige mais stealth do que eu estava preparado. Ao contrário de outros títulos que já experimentei com esse desafio, em Alien Isolation falhar não é uma opção. Se você é detectado, não dá para resolver tudo com truculência e continuar em frente. A falha é punida com um "game over, man".
Estou sozinho nessa estação, fugindo da criatura e sendo morto por humanos e um sistema de stealth que não lhe dá pistas de como proceder ou trégua. Já reduzi o nível de dificuldade para "Novice", o mais baixo possível. Morro e sou forçado a reaparecer em um save point lá atrás.
Continuo suando frio. Não sei até quando.
4 Comentários
Espero que o camarada Aquino persevere, pois o game guarda fortes emoções aos fãs da série.