Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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18 de dezembro de 2015

Jogando: The LEGO Movie - Videogame

The Lego Movie - Videogame 01É estranho que The LEGO Movie - Videogame tenha sido o primeiro jogo LEGO que meu filho e eu experimentamos.

Primeiro porque ele é o jogo do longa-metragem inspirado no brinquedo, o que torna esse o texto sobre o jogo do longa do brinquedo. É uma longa volta.

Segundo, porque, por ser a primeira história 100% original de LEGO, ela está carregada de meta-linguagens e mensagens que acabam se contradizendo. Resumindo muito para quem não viu, o longa gira em torno do dilema: usar LEGO para montar objetos fixos e imaculados de acordo com o que a empresa vende, seguindo à risca o manual e tudo mais, ou soltar a imaginação, jogar o manual fora e montar do jeito que se deseja? É literalmente um filme corporativo anti-corporação, onde o vilão se chama Senhor Negócios. É bem conflitante.

Em contrapartida, apesar da mensagem do filme (que chuta a sutileza no traseiro e apela descaradamente para o sentimentalismo no final) ser claramente à favor de deixar a imaginação fluir, o jogo não apenas segue a mesma fórmula de todos os outros pelo o que pude averiguar, como também essa fórmula é: "faça o que estamos te pedindo e tudo ficará bem". Então, ao contrário de um verdadeiro sandbox, algo que a LEGO perdeu oportunidade após oportunidade de fazer nos jogos eletrônicos, você é apresentado a um jogo onde deve posicionar o personagem X no lugar marcado no mapa (e que pisca), apertar o botão que está aparecendo na tela e deixar ele, o personagem, não você, montar o que ele quiser.

Então, nós odiamos The LEGO Movie - Videogame? Longe disso.

The Lego Movie - Videogame 02The Lego Movie - Videogame 03The Lego Movie - Videogame 06

Uma vez compreendida a limitação do que o jogo oferece, é sentar e relaxar enquanto ele te conduz pela mão por uma jornada hilariante por mundos estranhos, personagens carismáticos e piadas saindo como disparos de metralhadoras no desembarque da Normandia. The LEGO Movie - Videogame é o Call of Duty dos jogos sandbox, onde somos apresentados a um mundo vibrante e rico de possibilidades, mas não podemos sair dos trilhos porque o desenvolvedor tem uma história para te contar e exige sua atenção. Pegue a pipoca, preste atenção e aperte o botão certo na hora em que for pedido.

Não há puzzles, não há elementos que exijam reflexos de ninja, não há nem mesmo a sensação de perigo iminente e desconfio fortemente que seja impossível ver uma tela de Fim de Jogo aqui. O que a LEGO nos traz aqui é diversão desencanada em estado bruto e, felizmente, sem a resvalada piegas que o longa-metragem traz perto do final. O que, inclusive, prova que a animação poderia ter sobrevivido muito bem sem certas participações surpreendentes.

Como não poderia deixar de ser, o jogo traz personagens colecionáveis que você pode ir desbloqueando ao longo da aventura ou mesmo depois que a trama acaba, em um modo de exploração meio sem sentido. Uma hora depois do enredo terminar e termos explorado todo o "nível secreto" do jogo, meu filho estava mais do que satisfeito e já pediu para desinstalar o jogo.

The Lego Movie - Videogame 04The Lego Movie - Videogame 08

Apesar do potencial desperdiçado, de uma franquia que poderia ter destronado Minecraft com uma mão nas costas cinco anos atrás ou mesmo hoje se assim o desejasse, sinto que os jogos LEGO podem ser um excelente momento de prazer para mim e para meu filho. O catálogo é gigantesco, os preços costumam cair em qualquer promoção, e as gargalhadas já valem o investimento. A crescente coleção de peças espalhadas pelo chão do quarto dele indicam que está emergindo uma nova mania...

Até hoje, o garoto não montou nada igual ao manual. Que continue assim.

Ouvindo: Assemblage 23 - Lullaby
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5 comentários:

  1. A franquia Lego tem muito potencial mesmo. Eu conheci com o excelente Star Wars the original trilogy. Eu gostava mais dele por causa do humor de cinema mudo. A dificuldade sempre foi muito baixa, os desafios eram mais em elguns enigmas e completar 100% nas fases. A questão da linearidade da montagem de peças acontece mesmo, mas nunca me incomodou muito.

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  2. Adorei a critica, mas um problema da grande maioria dos open worlds são as limitações impostas para prender o jogador na narrativa, que muitas vezes é chata e as missões são piores ainda, e isso não torna o lego o unico a fazer isso. Já as possibilidades desperdiçadas de ser um novo minecraft é algo um tanto decepcionante, pois uma franquia conhecida por suas possibilidades e preços altos (risos) não aproveitar esse universo, pois o trabalho de contar uma historinha devia ser do ''rival'' playmobil

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  3. " Até hoje, o garoto não montou nada igual ao manual. Que continue assim."
    Tive uma versão xingling de lego quando era criança, e a única coisa da qual eu gostava mais que a liberdade criativa daquele brinquedo, era a massinha de modelar...afinal, é meio dificil modelar vísceras com peças de "lego". (Brincando de Mortal Kombat)

    Fiquei interessado na franquia de jogos Lego, depois de ver que alguns vem com dublagem em português, e parecem ser uma diversão pra quem não é familiarizado com mecânicas complexas. Estou no aguardo de uma promoção, ainda mais depois dessa análise do Aquino.

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  4. Cara, se você gostou desse jogo, recomendo LEGO Marvel.
    LEGO the Movie é bom, mas é um jogo feito pela equipe secundária da Telltale, já LEGO Marvel é um jogo muito mais completo e inspirado.

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  5. Eu adoro os games da LEGO. O problema é que praticamente são todos muito parecidos. O primeiro e único que foi divertido zerar 100% foi star wars complete saga. Os outros eu joguei só até acabar o modo história.

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