Retina Desgastada
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14 de janeiro de 2012

Mundos Perdidos: Epílogo

No curto espaço de tempo entre o início desta série, em 28 de agosto de 2011, e o último MMORPG comentado, em 13 de dezembro, pelo menos outros três mundos virtuais foram extintos. Um deles já estava com seus dias contados, substituído por uma nova versão multibilionária. Outro deles era uma aposta aparentemente certa, mas sua vida breve provou que o poder de uma marca nem sempre é o bastante. E o terceiro deles garantiu seu lugar na história dos jogos eletrônicos não pelo o que oferecia, mas pela forma inusitada como encontrou seu fim...

A Queda do Império

Darth Vader Star Wars Galaxies foi o primeiro projeto massivo online inspirado no universo de Guerra nas Estrelas. A lógica era que aliando a base de fãs da saga de George Lucas com a competência da Verant Interactive, do líder de mercado na época EverQuest, sob a tutela da experiente Sony Online Entertainment, o resultado seria uma máquina de fazer dinheiro. Não foi exatamente o que aconteceu. Após um longo período de desenvolvimento de quase 3 anos, o título foi finalmente lançado em 2003 debaixo de críticas: o MMORPG foi considerado um pouco complicado demais para o público médio. Enquanto todo mundo imaginava que correria pelo jogo com seu sabre de luz em batalhas entre o Bem e o Mal, a grande verdade é que o primeiro jedi só foi desbloqueado por um usuário quatro meses após o lançamento.

O grande ponto de cisão entre os jogadores e desenvolvedores viria no final de 2005, quando foi implementada a atualização "New Game Enhancements". Profissões foram cortadas, a jogabilidade foi simplificada e agora Jedi se tornava uma classe disponível desde o início. O objetivo da mudança era atrair novos jogadores, mas irritou profundamente a antiga base de frequentadores que haviam se acostumado com a complexidade anterior. Os críticos que haviam reclamado da curva de aprendizado anterior, agora estavam protestando contra a simplificação. Para todos os fins, SWG havia se tornado um título diferente no meio de sua vida útil.

Não se sabe ao certo quantos assinantes o MMORPG possuía. Ainda que a SOE tenha divulgado a marca de um milhão de caixas vendidas em 2005, fontes não confirmadas alegam que havia pouco mais de 10 mil usuários online no começo de 2006, em plena sexta-feira à noite. Em 2009, 12 servidores foram fechados e seus jogadores convidados a migrarem para outros. A concentração de atividades acabou gerando um aumento populacional e estima-se que entre 2010 e 2011, o número de novas assinaturas aumentou sensivelmente. Mas já era tarde: The Old Republic, a nova investida da Lucas Arts no ramo dos jogos massivos já estava em franca produção. Com um investimento bilionário em cima do novo jogo e com o número de usuários abaixo do desejado, era óbvio que o cansado título de 8 anos atrás teria que abrir espaço para o novo universo. E assim, Star War Galaxies fechou no dia 15 de dezembro de 2011.

Star War Galaxies

Chris Tursten, do PC Gamer, descreve com propriedade os momentos finais da guerra entre o Império e a Aliança Rebelde. A SOE teve a delicadeza de apresentar um resultado para o conflito em cada um dos servidores disponíveis: em Starsider, o mais popular deles, as forças da tirania foram definitivamente esmagadas e o povo foi às ruas para celebrar a vitória e se despedir de anos de aventura com estilo e algazarra. Neste período de 8 anos de existência, Star Wars Galaxies avançou cronologicamente do final de A New Hope até a Batalha de Endor em Return of the Jedi, passando pela épica luta em Hoth. Graças às funcionalidades permitidas pelo jogo, cidades inteiras foram construídas pelos próprios jogadores, museus foram erguidos em memória de antigos participantes, estátuas e artefatos carregavam as memórias de toda uma comunidade. Tudo agora permanentemente perdido, como se milhões de vozes fossem subitamente silenciadas.

Não é Minecraft

A legião de apaixonados por Minecraft mostrou para a indústria dos jogos eletrônicos que existe um público que está interessado em arregaçar as mangas e construir mundos com as próprias mãos. A adição de uma marca que se tornou famosa justamente por permitir isto no mundo real e o tempero de milhares de jogadores simultâneos parecia ser o caminho certo para que Lego Universe se transformasse em uma coqueluche e deixasse para trás a modesta criação do sueco Notch. Infelizmente, o sucesso não é construído seguindo fórmulas e encaixando peças nos lugares certos. Ainda que a marca LEGO tenha conquistado um lugar cativo no mundo dos jogos, com felizes adaptações de outras marcas, seu próprio título massivo teve uma vida curta: lançado em outubro de 2010, seus servidores serão desligados em 31 de janeiro deste ano.

Lego Universe

Foi um tempo de existência risível para um título que demorou três anos para ser desenvolvido. Criado pela NetDevil, cuja experiência em MMOs se resumia ao obscuro jogo espacial Jumpgate e o também-extinto-depois-de-um-ano Auto Assault, Lego Universe foi primeiro anunciado para 2008, depois para 2009 e lançado, de fato no último trimestre de 2010. Se o currículo da NetDevil não inspirava confiança, a saída dos fundadores da empresa e líderes do desenvolvimento de Lego Universe no mesmo mês do lançamento era uma indicação de que algo não estava indo bem nos bastidores. Em fevereiro de 2011, duas ondas de demissões atingiram a desenvolvedora, enquanto o time de manutenção do título era reduzido e o bastão era gradualmente passado para o grupo LEGO.

LEGO Com um elefante branco nas mãos e um número de assinaturas reduzido, a LEGO tentou captar recursos através do modelo free to play a partir de junho de 2011. Não foi uma das melhores implementações... De graça, o usuário tinha acesso a um número limitado de mundos, um número limitado de itens, um número limitado de opções, um número limitado de dinheiro que podia reunir e a total incapacidade de se comunicar com outro jogador, fosse membro gratuito ou premium. Tratado com desleixo, o usuário F2P não se sentia tentado a evoluir sua assinatura: se sentia obrigado a pagar. Quatro meses depois da manobra, o fim foi anunciado, por que o jogo "não foi capaz de construir um modelo de faturamento satisfatório em nosso público-alvo", segundo a declaração oficial.

A Importância do Backup

m2É extremamente possível que você nunca tenha ouvido falar do MMORPG japonês chamado M2. É 100% certo que você nunca mais irá ouvir falar do MMORPG japonês chamado M2. Exceto em piadas contadas em por administradores de sistemas e blogueiros de jogos. Porque M2 foi o único título massivo da história a ser extinto por burrice.

Em 21 de outubro do ano passado, a desenvolvedora Sankando comunicou a todos os seus assinantes que o jogo sofreu uma falha grave em seus servidores e precisou ser tirado do ar. A despeito de todos os esforços possíveis, o jogo não foi restaurado. Não havia uma cópia de segurança que funcionasse, não havia recuperação de dados. Nada de backups controlados, armazenados em outra instalação. Nada de código-fonte salvo em algum lugar e esquecido. Deu bug e parou. Para sempre.

Apesar da base de usuários ser ínfima, eles eram devotados. M2 seguia o modelo de assinatura onde cada ítem, customização ou badulaque era pago em dinheiro real. Não existe jeito pior de se aprender o valor efêmero de artefatos virtuais, mas a desenvolvedora prometeu ressarcimento aos afetados.

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6 comentários:

JC disse...

Puxa Aquino, é incrível como você escava sempre um detalhe ou informação que passou "batido" por todo mundo. Os finais trágicos do MMORPG de SW e Lego Universe eu acompanhei, mas nunca tinha ouvido falar desse M2 e da surpreendente incompetência que causou sua "extinção". Apesar de ser indiferente pra mim, que passo longe de jogos massive multiplayer, alguns casos como o de SW são realmente tristes pra quem investiu tanto tempo naquela "vida".

Marcus Gonzallez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcus Gonzallez disse...
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Marcus Gonzallez disse...
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Poa Kli-Kluu disse...

Eu havia notado essa notícia sobre M2 algum tempo atrás, através do reader. Achei também uma tremenda falta de vergonha na cara, um desrespeito inaceitável. Se eu fosse jogador jamais voltaria a jogar qualquer coisa que a empresa fizesse.

Já com relação ao Lego Universe, é muito triste ver um jogo como esse morrer. É importante notar que não se trata de um jogo para adolescentes ou adultos, mas de um jogo voltado para crianças com faixa etária de 10 anos. É um assunto muito mais delicado pois para crianças a perda de um passa-tempo como esse é muito pior. Eu mesmo tenho um irmão mais novo que costumava jogar bastante. Era gratificante ver os risos de alegria enquanto ele montava blocos e derrotava inimigos, ainda mais por que esse jogo era a extensão minha e dele de nosso grande zelo pela linha de brinquedos lego, adoramos passar horas juntos, isso foi parte de minha infância e agora faz parte da dele.

No site oficial há um link para algumas perguntas feitas para a empresa, juntei algumas perguntas que achei de maior significância para tentar expor esse problema:

"A assinatura do jogo foi um presente para meu neto. Agora é como se eu tivesse dado um brinquedo quebrado. O que vocês vão fazer sobre isso?"

"Não é responsável criar uma relação de longo termo com as crianças e então simplesmente largar tudo por que vocês não estão fazendo dinheiro o suficiente. Eu me sinto muito decepcionado pela LEGO."

"Por que vocês não podem deixar o jogo rodando e apenas não adicionar nenhum conteúdo novo?"

Vale lembrar que essas perguntas foram feitas por pais preocupados e por crianças decepcionadas. Isso tudo é reflexo de uma péssima gestão do jogo, com escolhas de comercialização ainda piores. Para vocês terem idéia, não se podia sequer escolher o nome do personagem se estivesse jogando com uma conta free.

Mas esse tipo de coisa acontece. Era evidente que pelos erros cometidos pela publisher o jogo acabaria assim. E eu ainda lembro do vídeo teaser do jogo, no qual um ex-fuzileiro naval desenvolvedor do game falava sobre o jogo de maneiro comovente.

Bem, as coisas acabam.

C. Aquino disse...

Poa, não tinha me dado conta desse detalhe: a decepção que o cancelamento do Lego Universe causou nas crianças. É uma estupidez que vai arranhar a marca da LEGO e vai criar uma péssima primeira impressão nos futuros jogadores de outros MMOs.

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