Eu devia ter ouvido meus instintos. Eu devia ter respeitado meu triste histórico em jogos multiplayer. Mas não... "Joga Battlefield 4 multiplayer, Aquino, é o melhor do jogo", eles disseram. "É fenomenal", eles disseram.
Pedi conselhos no Twitter e só uma alma respondeu, sugerindo que eu tentasse o Team Deathmatch se fosse jogar sozinho ou o modo Conquest, se fosse jogar com uma turma afiada. Como a única turma afiada que eu conheço são o pessoal do Killing Floor e estes estão (provisoriamente) aposentados, o mata-mata desorganizado me esperava.
Antes de entrar de cabeça no passatempo oficial do século XXI e da geração abaixo da minha, descobri que existe um modo "multiplayer" do jogo que essencialmente é você sozinho no mapa com todas as armas e veículos para praticar. Era minha chance de experimentar várias coisas que não aparecem na Campanha.
Em dois minutos, caí de helicóptero.
Logo em seguida, encarnei nosso distinto ex-presidente Fernandinho e dei um rolé de jet-ski.
O ponto alto desta brincadeira foi conseguir derrubar um drone do céu. Com míssil teleguiado, também, até um sagui conseguiria.
Mas aí me cansei do sandbox e fui encarar o tal do Team Deathmatch. Foi nesse momento que o Origin jogou na minha cara que eu era pobre: a versão básica do Battlefield 4 não vem com suporte a Team Deathmatch, um dos mais ancestrais modos de batalha campal online inventados pelo homem. Para jogar algo que qualquer Quake da vida já tinha, eu precisaria pelo menos do DLC China Rising.
Tudo bem, sou usuário do Free Time, não posso ficar reclamando. Mas, então, dos trezentos modos disponíveis, onde eu poderia atrapalhar menos? Onde eu poderia apenas dar meus tirinhos e ser feliz sem ninguém me azucrinando, me chamando de noob?
A resposta mais óbvia era Squad Deathmatch. Que é o mesmo que Team Deathmatch, mas tem mais e menores times em campo. Ao invés de duas equipes competindo, são quatro esquadrões se matando mutuamente e isso me parece um caos bem divertido.
Exceto que não tem ninguém jogando isso. Não há servidores disponíveis e a conexão automática do Origin demorava cinco minutos para me cuspir e dizer que eu não estava conseguindo me conectar com seja lá qual servidor na Lapônia ainda está rodando Squad Deathmatch.
Perto de mim, no Brasil, vários, vários servidores com Conquest aberto, aquele mesmo modo que me aconselharam evitar. "Deve ser um monte de clãs se enfrentando com precisão matemática, eu vou destoar", pensei. Mas quem ousa vence, esse é o lema do SAS, ainda que Battlefield 4 não tenha nada a ver com SAS.
Descobri que dá para entrar de espectador. Fui em frente.
Para quem curte e-sport ou vídeos de jogabilidade, é o paraíso. Diferentes tipos de câmera para acompanhar a ação, com possibilidade de "entrar" na visão de cada jogador em primeira ou terceira pessoa.
Dá para ver tudo de cima, como se estivesse em um helicóptero da CNN.
Ou se transformar em um "encosto" e incorporar cada um dos jogadores, sejam bons ou ruins.
Observando a confusão, eu vi que o Conquest é mata-mata mesmo, um Captura Bandeira frouxo onde a balança de poder oscila com frequência e tudo é desculpa para trucidar o oponente livremente. Ou seja, estava todo mundo pouco se lixando para os objetivos e o importante era largar o dedo.
Bem, largar o dedo eu sei. Ou achava que sabia. Entrei em outro servidor como jogador mesmo, dando minha cara para bat...
Dei quatro passos e morri. Nem vi de onde veio o tiro. Não desanimei. Foi sorte do outro cara, tinha certeza. Dei respawn.
Andei dez passos. Morri.
A terceira é que vale, certo? Dei respawn em outro ponto do mapa. Fui morto por um tanque.
Não sei de onde o tanque saiu. Mas o cara viu de onde eu saí.
Insisti. Morri. Reapareci dentro de um tanque. Agora vai! Tinha outro sujeito no volante, eu estava a bordo de um blindado de dor e destruição e ninguém poderia nos parar.
O cara era bom no volante e no canhão. Matou dois com truculência e até conquistou um ponto estratégico ou algo assim. Eu girava a metralhadora e tentava acertar alguém. Meus tiros acertavam tudo, menos outros jogadores.
Destruíram o tanque.
Reapareci em outro lugar, exposto, humilhado, cansado, confuso e querendo dormir.
Com apenas um dia restante de gratuidade para Battlefield 4, decidi que não valia me especializar. O tiroteio frenético e divertido fica para os demais, eu me recolho aos meus zumbis e minhas campanhas e sigamos assim.
12 Comentários
Um era um edifício de onde um sniper matava qualquer um que mostrasse a cabeça. O outro era um beco. No primeiro não tinha jeito, tentei de todas as formas matar o desgraçado do sniper mas parecia que ele tinha a visão além do alcance dos Thundercats. No milissegundo em que eu mostrava a cabeça ele me acertava. Mas não liguei muito porque quase todo o meu grupo morreu ali.
Aí fui tentar tomar o beco que parecia ligeiramente mais fácil. Mas tinha uns três caras ali com metralhadoras e também moendo qualquer um que passasse.
Não sei o que me deu na hora, mas resolvi usar rifle de longa distância - um troço que nunca uso porque acho um porre. Me arrastei até atrás do beco e deitado comecei a atirar nos desgraçados. E sabe-se lá como eu consegui matar os filhos da puta, tomei a posição e consegui suportar os segundos suficientes pra que mais gente do meu grupo chegasse e consolidasse a posição.
Por fim, conseguimos matar o sniper do prédio também. Mas esse deu mais trabalho.
E esse foi meu único momento de triunfo num FPS multiplayer. Tentei jogar o Conquest também, mas eu sempre me fodia tentando pilotar um helicóptero ou um caça.
Deu até vontade de reinstalar o BF3 aqui...
Vivi uma situação semelhante no CoD BO2, trágico, não conseguia seguir matando mais de um, ou com muita sorte dois, logo vinha um cara de sei lá onde e me matava com um único tiro (enquanto eu descarregava pentes de munição pra matar um).
O desânimo foi tão grande que pensei em parar de jogar, mas logo comecei a compreender melhor umas táticas que meu amigos me passaram, fui progredindo, aprendendo os pontos fortes e fracos das armas e... bem... ainda não sou um ótimo jogador, apenas tenho meus momentos de "sanguinário".
Bom espero que não desista dos multiplayers, desejo-lhe mais sorte com os próximos jogos, abraços! o/
Todas as vezes que me arrisquei em partidas multiplayer vivi experiências semelhantes a essa, com exeção do Sniper Ghost Warrior onde ao menos eu tinha um tempinho (bem pequeno mesmo) para pensar e, as vezes(muito raramente), acertar alguém, antes de ser atingido por um headshot.
Luiz
Obs.: Ri muito (e me identifquei) lendo o artigo.
Mês que vêm, completo um ano de Battlefield, e depois de entender sua mecânica posso dizer que é uma de minhas paixões.
A Origin possui alguns problemas, além dos problemas gerados por outros jogadores que algumas vezes são a personificação da hostilidade e desorganização. É difícil, mas migrar entre os pelotões durante a partida até achar um organizado, pode ser interessante, e tornar tudo mais estratégico.
A ultima coisa que eu recomendaria em Battlefield online seria um"mata-mata" para experimentar o clima do game. Conquista, Obliteração, Investida...Modos mais estratégicos, jogados nos servidores "corretos" pode ser uma experiência única.
Sobre o helicóptero, posso dizer que sua pilotagem é difícil...chega a ser mais "realista" que a mecânica proposta pelo simulador Arma II. Agora, imagine como eu me senti na posição de aprendiz de piloto, com o coração na boca, e ouvindo a esposa dizer "amor, abre o vidro de azeitona pra mim?"
E existem servidores onde todos são limitados as armas iniciais, não importa o nível do jogador, ou os desbloqueios adquiridos anteriormente. É comum ver jogadores experientes com armas iniciais, principalmente Snipers e Engenheiros.
Mas uma coisa é fato, a curva de aprendizado é longa, confusa e até enfadonha, mas como disse um outro colega "com teimosia infinita" é possível superar esses obstáculos e criar algum apreço pelo jogo. Porém, cada um tem a sua vibe e é normal não haver "química" em relação a alguns jogos. srrsrs...