Muitos anos antes de ganhar fama e fortuna com jogos de meninas sinistras com poderes sobrenaturais, a Monolith Productions meio que atirava para todos os lados. No mesmo 1997 em que colocou no mercado o clássico do gore Blood, ela também lançou o simpático jogo de plataforma Claw.
A aventura seguia a jornada do capitão pirata do mesmo nome que era um gato antropomórfico em um mundo habitado por variações de gatos e cachorros. Tinha um clima forte de desenho animado dos anos 80 e níveis muito bem elaborados. Além dos pulos impossíveis, o herói (anti-herói?) contava também com um razoável arsenal de armas e poderes para despachar seus inimigos.
Na época do lançamento, o demo do jogo veio encartado em alguma revista de banca de jornal. Não me lembro exatamente qual, mas lembro que Claw não fez exatamente a minha cabeça. Apesar do colorido bacana, da jogabilidade que ia além do tradicional pula-pula e da hilária voz do protagonista, eu simplesmente não curtia títulos de plataforma. Nunca terminei o segundo nível.
Mais de uma década se passou, meu filho nasceu e, por razões óbvias, não posso passar minhas horas jogando FPS com ele. Por uma estranha sina que desconheço, a indústria não produz FPS fofos e coloridos, mas cria plataformas neste estilo às centenas. Com um computador antigo na casa da vovó, voltei para os velhos demos abandonados. Entre eles, Claw, um sucesso instantâneo.
A violência no jogo é cartunesca, os inimigos são desajeitados, o pirata Claw é sarcástico e tem uma fala para quase todas as situações, os mapas são gigantescos com algumas rotas alternativas e segredos. Tem todos os elementos para ganhar o coração de crianças e adultos.


Exceto pela dificuldade.
Vários saltos precisam ser milimétricos e quanto mais você avança na jornada, piores se tornam os inimigos em uma curva bem acentuada. Os checkpoints que realmente salvam o jogo para o dia seguinte são bem escassos, em níveis colossais.
Ainda assim, perseveramos pela diversão. Em alguns momentos, meu filho pulava e andava, e eu cuidava das armas e ataques. Em outros momentos, invertíamos. Mas quem desbloqueava o nível seguinte na calada da madrugada era sempre eu, com ranger de dentes e muitos reloads.
Dos catorze níveis do título, chegamos ao décimo-primeiro. Mais de um ano depois. A esta altura da luta, meu filho já havia perdido quase todo o interesse e raramente escolhia Claw para jogar, entre Sonics, indies, Billy Hatcher and The Giant Egg e tantos outros que surgiram no caminho. Apenas eu persistia, querendo mostrar para o garoto novos lugares e novos oponentes.
E então, veio a desinstalação do Windows XP. E eu perdi todos os meus saves de Claw.
Confiei no poder do Game Save Manager e me esqueci que o programa não identifica o ancião jogo da Monolith. Um erro do qual eu já havia me esquivado antes, mas que desta vez havia cometido.
E, com todo o respeito ao fantástico universo do gato pirata, não me vejo atravessando aqueles 11 níveis todos novamente e não vejo meu filho interessado nesse bis. O ícone sumiu da Área de Trabalho e e ele nem deu pela falta, cego para tudo que não seja Minecraft.
Tesouro do Bucaneiro
Como deu para perceber, esta postagem não é uma recomendação negativa para Claw. Pelo contrário, é um elogio para um título que o tempo esqueceu, que nunca foi relançado em formato digital, mas merecia uma nova chance.
Segundo a Wikipédia, a Techland tentou lançar uma continuação em 2007, chamada de Captain Claw 2. Mas o lançamento foi adiado para 2008 e o jogo mudou de nome para Jack, the Pirate Fat (?!). O que já seria estranho, ficou ainda mais estranho quando houve uma nova troca de nome para Nikita: The Mystery of the Hidden Treasure. Apesar de ter o tema da pirataria e os animais antropomórficos, o jogo não tem qualquer relação com o universo de Claw. E Nikita ainda recebeu um jogo de corridas lançado no mesmo ano. Você não leu errado: um jogo de corrida de piratas animais baseado em um título obscuro lançado alguns meses antes.

O verdadeiro legado de Claw continua no carinho dos fãs.
O site The Claw Museum é todo dedicado a depoimentos de jogadores do passado e suas experiências marcantes com as aventuras do gato pirata:
"Eu estou na universidade agora, o que me oferece uma internet de 100 Mbit, e jogo em uma monstruosa máquina pra jogos, mas eu ainda tenho Claw instalado em uma máquina virtual e na verdade às vezes eu o jogo ocasionalmente ou algum nível customizado." Aavishkar Patel
"Foi uma parte bastante divertida de minha própria juventude." DzjeeAr
"Um garoto normal teria se congratulado e seguido em frente. Mas eu queria mais Claw. O jogo não parecia nem um pouco grande o bastante. Eu rejoguei todos os catorze níveis e eventualmente acabei decorando-os como a palma da minha mão." Grey Cat, criador do site.
"Se todos nós tivermos Claw em nossos corações, o jogo irá viver para sempre." Rivendells
Menos emocional, o site polonês The Claw Recluse é um verdadeiro depósito de tudo que possa estar relacionado ao jogo. Há toneladas de informações, níveis customizados, artes perdidas, speed runs, suporte técnico, editor de níveis e... o jogo completo para download.
Entrando no terreno cinzento do abandonware, a grande verdade é que legalmente não há mais como comprar Claw, exceto na mão de colecionadores e, mesmo assim, a Monolith não verá um centavo da transação. Confesso, então, que minha versão do jogo veio do The Claw Recluse.
Com tantos e devotados fãs, o que segura a ressurreição de Claw?
11 Comentários
Que nostalgia que me deu agora, tô até com vontade de jogar novamente!
Aliás,eu adorava Gruntz!
http://imageshack.com/a/img838/3392/mxsk.jpg
Acabei de capturar do cd BIG MAX 17.Só não guardei a revista , infelizmente.
Joguei muito a demo , que dava acesso a primeira fase inteira, sem dublagem.Meu cunhado comprou uma placa de vídeo e veio o jogo completo e dublado , mas nunca tive a oportunidade de jogar ele inteiro.Realmente é um pouco difícil , mas os gráficos na época eram muito bons!
http://criticalhits.com.br/bons-jogos-que-sumiram-do-mercado-digital-parte-2/
Terminei o jogo, mas só usando os cheats (MPKFA, modo Deus, MPJORDAN, super pulo e, pra última fase, MPPENGUIN, espada de gelo), foi o primeiro jogo que me fez gostar da história, me lembro de ficar um bom tempo vendo os vídeos e sabia de cor os diálogos com os chefões, todos muito bem feitos. Lembro que o jogo tinha um probleminha que, às vezes, instalava em inglês, outras em português, sem eu nunca entender o porquê, mas isso me ajudou a aprender um pouco de inglês (MÁGICA-PÓ). Jogo sensacional!