A última vez em que abri Q.U.B.E. foi em 30 de novembro de 2012. Desde então, nunca mais me aproximei do jogo e, em todas as vezes em que me senti obrigado a voltar, eu desanimava. Se isto não é o mais perfeito sinal de que o jogo não me agradou, eu não sei o que seria.
A melhor coisa que pode ser dita a respeito deste jogo de enigmas em primeira pessoa é que ele lembra muito Portal. Temos aqui um protagonista mudo, preso por razões inexplicadas em uma instalação asséptica, sendo obrigado a decifrar uma série de desafios espaciais utilizando uma ferramenta que altera o ambiente ao seu redor. Como os advogados da Valve ficaram quietos é o verdadeiro mistério aqui. Mas está tudo bem e o jogo pode ser encontrado no Steam.
A pior coisa que pode ser dita a respeito deste jogo é que ele não chega aos pés de Portal. Ao incorporar tantos elementos do clássico da Valve, a desenvolvedora independente Toxic Games esqueceu um dos pilares fundamentais de sua fonte de inspiração. Falta alma em Q.U.B.E.
Os puzzles são inteligentes, não há sombra de dúvidas, envolvendo a manipulação de cubos de diferentes cores que se comportam de diferentes maneiras quando ativados. Infelizmente, depois que o problema é resolvido mentalmente, a execução é mais trabalhosa do que prazerosa. A trilha sonora acentua a calma de um jogo onde não há tanta urgência ou onde o perigo não aparece. A combinação de jogabilidade com a música provoca sono, onde em Portal tínhamos humor e ritmo.
Onde está a motivação do personagem principal? Quem é ele? O que ele deseja? Se Chell era outro enigma nos planos da Valve, aqui o herói é um imenso vazio onde nada é insinuado. Ele está sendo punido? Ele é um voluntário? Ele está alucinando tudo? Ele é um prisioneiro injustamente capturado por forças malignas? Ele está participando de um reality show? Ele é um jogador de uma realidade virtual? Ele é ele ou ele é ela? Não há pistas de que estas perguntas serão respondidas ou mesmo que a equipe de desenvolvimento se importa. A única recompensa é seguir em frente para outra câmara de teste silenciosa.
Três horas e mais de dois meses depois, liberto-me de Q.U.B.E., deixando o pobre herói sem nome ou passado preso para sempre em suas engrenagens estéreis.
9 Comentários
kkkkkkkkkkk...
Cara eu tento pegar leve, mas as vezes tem gente que se supera. Mas nada que me surpreenda, visto que vc vê RE4 como uma boa história... Levando em consideração que bons momentos em um jogo não fazem ele ter uma boa história, se fosse assim eu teria que dar o braço a torcer para os filmes de Transformers.
Fico imaginando Aquino jogando jogos de arcade dos anos 80 e 90, tentando descobrir motivação de personagens, agendas políticas, discursos de genero(tão em voga hj em dia que chega me da nauseas, jogos hj são tão ruins que é mais interessante discutir sexismo em jogos e seus males a sociedade(ao mesmo tempo em que se faz de tudo para dizer que jogos violentos são OK)). Bom, acho que o caminho não é por ai, mas tem gente que se apega muito a história que eu chego a me perguntar se eles não estariam aproveitando melhor seu tempo lendo livros.
Mas acho que esse é o grande problema com história em jogos. Histórias atraem o tipo de público "errado" para o determinado genero, criando misconcepçoes do tipo "RPG é o genero maior dedicado a histórias" ou no caso desse puzzle que se atreveu a ser somente um jogo de puzzle.Ninguem tá interessado nos puzzles, mas sim na nova AI maluca do momento.
engraçado: vc descreveu o exato sentimento que eu tinha quando ainda não tinha caído nas graças do Mass Effect 2. que pena que raramente um jogo que cause esse sentimento consegue nos surpreender...
"Como os advogados da Valve ficaram quietos é o verdadeiro mistério aqui".
kkkkk. o mais hilário, Aquino, é os caras copiarem na cara dura um jogo totalmente off stream e acharem que estão plagiando um Street Fighter 2 da vida...
"A única recompensa é seguir em frente para outra câmara de teste silenciosa".
é justamente isso que Portal consegue te "obrigar" a fazer, só que por pura e espontânea vontade.
que pena. os gráficos são bem bonitos...
só uma curiosidade, Breno: como vc conseguiu enxergar bons momentos em qualquer coisa que tenha a ver com Transformers (só pra evitar pedradas: a série nova. a antiga é boa)?
Algumas explosões e robos são bonitos de se ver. O resto é lixo.
É incrível como uma personagem tão bem escrita consegue fazer toda diferença entre um jogo e outro.
Tanto que, creio eu, se Portal 3 fosse anunciado, a primeira pergunta da maior parte do público seria "Glados estará de volta, certo?". :P
Transformers Darkside of the Moon foi o primeiro filme que assisti em 3D. o enredo é um lixo quase insuportável de se acompanhar mas aquele Decpticon que parece uma minhoca e sai escavando tudo é assustador e legal demais.
Tudo bem, um lado critico aguçado tem suas vantagens mas as desvantagens são piores e catastróficas.
Fiquem a vontade para responderem esse comentário com uma afirmação inteligente discordando com tudo o que eu disse e tudo mais. Mas o que foi dito não deixa de ser um fato.