Nos primeiros vinte minutos, tive a impressão de que tinham demitido todo mundo do primeiro Mass Effect e recomeçado do zero. Com a evolução da história, esta impressão se tornou certeza. O segundo capítulo da trilogia altera drasticamente a jogabilidade, destrói cânones do primeiro jogo, espalha a equipe de Shepard por todos os lados, muda o tom do universo e sobra até para o protagonista. Muda tudo e não necessariamente para melhor.
De cara, a interface foi alterada. Lembra como era ruim encontrar alguma coisa no inventário a qualquer momento? A Bioware não corrigiu o problema: ela removeu totalmente o inventário, criando, talvez o primeiro RPG sem inventário da História. Para um rato coletor como eu, é uma facada no peito. Nunca mais precisaremos comparar armas, módulos de aperfeiçoamento e munição certa para uma luta, porque agora o jogo vai te entregando as armas novas a conta-gotas e a nova é sempre ligeiramente melhor que a anterior.
Toda a informação que era exibida na tela, como atalhos de ataque, pontos de vida, radar de inimigos, fica escondida até o momento em que você ativa a pausa estratégica. O resultado é mais desorientador do que útil: não consigo saber com clareza se meu aliado está perto de morrer ou bastante saudável até o momento em que ele tomba inerte. Não há uma tecla de atalho para o Journal com as missões ou para gerenciar o esquadrão. Onde antes havia mais de dez habilidades a se escolher, para customizar ao máximo seu personagem, agora existem menos de cinco. É como sair de um GURPS ou D&D e cair em um sistema de livro-jogo.
O resultado é que o RPG truncado que havia antes foi varrido para debaixo do tapete e substituído de vez por um jogo de tiro em terceira pessoa (ainda fraco) com diálogos excepcionais. Para dizer que não houve melhorias na forma de combater, a inteligência artificial dos aliados melhorou sensivelmente e eles não erram mais todos os tiros ou ficam presos em obstáculos. O que é ótimo, porque agora eles lutam por mim, uma vez que ainda não consigo fazer muita coisa ativamente na hora da luta. Dou ordens (que são executadas com eficiência e são muito mais fáceis de focar) e eventualmente acerto um tiro de sniper.
Se no primeiro Mass Effect, o sniper era a arma perfeita para eu aproveitar as longas pausas de superaquecimento e os inimigos ficavam plantados atrás de coberturas, aqui a tática não funciona. Em apenas 3 anos, uma nova tecnologia militar foi implantada em larga escala em todo o universo do jogo e as armas não esquentam mais. E, aparentemente, ninguém além de Shepard e seu time, usam coberturas, preferindo andar em zigue-zague pelo terreno atrapalhando minha mira. Para piorar minha sina, antes a sniper (e todas as armas) tinham munição ilimitada, então errar um tiro não era um problema grave. Agora, o rifle de longo alcance comporta apenas nove disparos... Não existem mais granadas tampouco. Nunca pensei que fosse escrever isso, mas sinto saudades das batalhas do capítulo anterior.
O novo jogo também descarta os enfadonhos elevadores e o Mako e só agora eu percebo como eles eram um razoável contraponto para o resto da jogabilidade.
Se todas estas mudanças são mecânicas, o que dizer do tom de Mass Effect 2? Embora o primeiro apresentasse uma dramática corrida contra o tempo para salvar toda a vida do universo, ele nos apresentava paisagens limpas, corredores assépticos e uma sensação de que o cosmos era um lugar bom para se viver. Com seus problemas escondidos, mas um lugar que merecia ser salvo. O segundo capítulo afunda Shepard em destruição, politicagem, corrupção e interesses escusos enquanto nos faz visitar os lugares mais sujos e decrépitos do espaço. Os próprios ambientes parecem menos iluminados, mais mal-frequentados, mesmo na antes gloriosa Citadel. Há um toque de Deus Ex no ar, com conversas entreouvidas, neon e paranóia. A nova turnê do Comandante Charles Shepard passa pelos cafundós menos exuberantes possíveis até agora. É como se saíssemos de Jornada nas Estrelas e caíssemos em Blade Runner.
Até o momento, a nova ameaça da trama não disse exatamente a que veio. Este novo fator, somado aos eventos que acontecem na abertura do jogo, tornaram meu Shepard mais relaxado. Ele tem uma missão, mas desta vez se permite desviar dela e até aproveitar o momento com sua tripulação. Ele está disposto a celebrar a vida agora e há menos rigidez formal ao seu redor. Para minha sorte, a Bioware não perdeu a mão nos diálogos e trouxe uma excelente seleção de personagens secundários e até terciários. Há vivacidade nestas criaturas virtuais, como poucas vezes vi. Mas é estranho que os melhores momentos do enredo ainda sejam os momentos em que o protagonista reencontra algo ou alguém do primeiro jogo.
A nova cruzada está longe de terminar. Resta saber se conseguirei me adaptar a tanta novidade lançada de uma única vez.
17 Comentários
Uma das coisas que no primeiro ME era muito bacana era esse detalhe das armas não precisarem de munição.ME2 jogou isso pelo ralo.E shotguns deixam de ser tão destruidoras.
As granadas deram lugar à arma especial,e entre elas há um lançador de granadas.
Mass Effect 2 tem uma pequena seleção de armas.E elas são diferentes.
Discordo quando você diz que uma nova arma é melhor que a anterior.Meu soldier preferiu o AR Avenger ao Vindicator :)
poderia ter mais Wrex :/
o engraçado é que vc é a primeira pessoa que parece gostar mais do primeiro jogo que do segundo. uma dica: não tenha pressa e vá explorar à vontade. se vc deixar de fazer as side quests perderá o melhor da narrativa.
fiz um post quando comecei a jogar esse jogo (http://maisumblogdegame.blogspot.com.br/2012/01/tentando-gostar-de-mass-effect-2.html) e vejo que suas queixas são bem diferentes da minhas.
Sem querer entrar em spoilers Aquino, sugiro que vc faça todas as missões secundárias (principalmente as loyalty missions de seus party members) quando tiver a escolha "seguir adiante com a missão principal ou continuar explorando) ou o jogo pode te dar uma 'rasteira' na missão final :) Por sinal, não resisti e vi um walktrough sobre isso, pois meu objetivo era terminar o game com o melhor resultado possível da missão final.
Até porque, IMO, fazer as missões secundárias é BEM mais interessante do que seguir somente a fraca história principal (pro meu gosto, é claro).
Lendo essa primeira impressão do Aquino, lembro de ter lido uma vez em um site inglês que a Bioware provavelmente criou uma novo tipo de jogo com ME2, que deveria ser batizado 'talk'n'shoot'. Heh. :P
como entrei na série a partir do 2, não sabia desse fato. mas acho que a preferência é em relação à jogabilidade. as missões de lealdade são boas mesmo, e a missão final (sem spoiler) não é difícil de conseguir. eu também dei uma espiadinha pois um trofeu estava em jogo (lol) mas não é nada de mais não. se vc conseguir a lealdade de todos (a da vaca da miranda eu não consegui. dane-se ela. eu levei a Jack pra cama fácil fácil e já tá bom demais) não tem erro.
NOTA: legion PS2. lol
A Miranda no começo do jogo realmente é bem fria,a Jack parece uma louca sem razão...
Abraços a todos!!!
Agora, enredo de jogo é secundário... se o jogo for bom e o enredo também, parabens, se o jogo for bom e o enredo sofrível paciencia.
Gosto de história em jogos, mas na minha opinião nem deveria influenciar na nota final de um jogo.
A não ser para positivo, como foi por exemplo com BIOSHOCK.
The Witcher 1 quando comecei a jogar o pirata foi como MASS EFFECT 1... a jogabilidade era tão sofrível e eu tinha acabado de zerar o Dragon Age Origins que o que me ficou foi uma péssima impressão.... o witcher 2 joguei um pouco do pirata, achei legal mas nada comparavel ao DAO também... peguei nessa promoção de fim de ano, ta na minha lista pra jogar!
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Zerei o fantástico MAX PAYNE 2 recentemente e agora estou no enfadonho RAGE, vamos ver se terei saco pra ele ou se mudo para SAINTS SOW 3 ou WITCHER 2
rage eu gostei muito. apesar da falha gráfica, ele acerta em quase tudo que tenta propor ao jogador. foi uma grande surpresa, pois tava esperando uma grande porcaria.
a forma como os eventos se desenvolvem no jogo é muito natural e fluída. as corridas de carro são boas, apesar da jogabilidade meio brusca. na parte de tiro, só o que não gostei foi a burrice artificial dos inimigos. de resto, um jogo digno da ID.
Ainda não saiu um patch que corrige essas texturas aparecendo na sua cara?
NÃO deixe de importar o seu save do 1)! Todas as decisões que você tomou no primeiro jogo afetarão de uma forma ou outra o 2º e consequentemente o 3º.
2) Não se preocupe com o tom e o estilo de jogo, se te serve de consolo, o 3 junta o melhor do 1 e do 2, a jogabilidade de combate fica um misto dos dois games. E sim no 3 você tem um inventário funcional, com dezenas de armas e armaduras.
3) Se você comeu alguém no mass effect 1, coma a mesma pessoa de novo no 2 ou não coma ninguém... pq senão no 3 tu vai ta no meio de um puta triângulo amoroso, e pode acabar não comendo ninguém...
4) Com certeza a dica MAIS IMPORTANTE DE TODAS, jogue a série e se prepare pro final do 3 (NUNCA, JAMAIS cogite em iniciar a jogar o 3 sem o DLC Extend Cut!!!), coloque na sua cabeça que ele é difícil de aceitar, provavelmente vai te deixar deprimido por dias... isso sem falar que deixa um imenso vazio... algo que só quem jogos os 3 jogos, criou um vínculo com os personagem pode sentir.