Dead Island, a experiência zumbi da Techland, é um trem prestes a descarrilar. É um jogo que tinha tudo para dar muito certo assim que você tirasse ele da caixa, bastava entregar as expectativas emocionais levantadas por aquele trailer antológico. O que aparece na tela é algo que você precisa fazer um esforço enorme para curtir, que precisa segurar no braço e, com muito traquejo, colocar de volta nos trilhos. Uma vez que o jogo desiste de tentar te frustrar, ele funciona a contento.
Antes mesmo do lançamento, todo mundo já sabia que o tom de Dead Island não seria sequer parecido com o drama reverso do primeiro trailer. Obra de marketing fabulosa, os desenvolvedores tiveram que gastar um bocado de saliva para dizer que não seria exatamente daquele jeito. Tivessem insistido na mentira, o desastre seria inevitável. Cheguei no jogo já esperando um semi-RPG de mundo aberto com zumbis vagando por aí, missões de busca e salvamento e nada mais do que isso.
Infelizmente, os poloneses da equipe técnica da Techland estavam deslumbrados com as possibilidades de seu motor gráfico Chrome Engine 5. Dead Island usa e abusa de efeitos e está para a claridade estourada como Doom 3 estava para a escuridão. Não quero nem imaginar como este jogo roda em uma placa compatível com DirectX 11, porque na minha cansada nVidia 9400GT o jogo já é um carnaval. Se o seu personagem vira para olhar para o lado, há desfoque de movimento. Se ele corre, há desfoque de movimento. Se ele ataca, há desfoque de movimento. A impressão é que eu estou controlando o Flash e não um cantor de hip-hop. Há tanto bloom e FOV em cena que eu estava certo de que o protagonista ainda estava de porre da festa da noite anterior. Quando um zumbi ataca, fica tudo tão borrado que eu aperto os botões sem saber o que estou fazendo. É um milagre não morrer na primeira luta. O framerate não é dos melhores, mesmo na opção "Best Performance" do painel de controle de gráficos.
Para piorar minha primeira impressão, o botão de correr desativa sozinho depois de 2 segundos, um bug conhecido que ainda não foi corrigido, meses depois do lançamento. E a Techland ainda tem a petulância de anunciar uma versão "Game of the Year", como se Dead Island tivesse ganho algum prêmio relevante. Talvez em sua terra natal, a Polônia. A solução para a corrida? Dar ALT+TAB para sair do jogo e depois voltar. A partir daí, a tecla SHIFT funciona normalmente...
Ressuscitando
Pesquisando na internet, descobri que existem formas não-documentadas de alterar os gráficos do jogo. Envolvem edição de arquivos .DAT, .SCR e outros espalhados pelo diretório de instalação e pela pasta Meus Documentos. Felizmente, uma alma caridosa criou um aplicativo leve e gratuito que ajusta tudo que você quiser sem precisar sujar as mãos! O Dead Island Helper é perfeito. Através dele você pode corrigir bugs de mouse e teclado, desativar o bloom, desativar o FOV, habilitar sombras simples, desativar o desfoque de movimento, até mesmo tornar o clima menos ensolarado! E ainda permite criar um ponto de restauração nas configurações do jogo, caso você não fique satisfeito com o resultado (ou quebre alguma coisa...). Aprendeu, Techland?
Com tudo que me incomodava desabilitado e com a resolução configurada para 1280x720 (muito abaixo dos 1920x1080 que tenho), Dead Island é outro jogo. O framerate se tornou perfeito, a visibilidade do cenário ficou clara. Mas a pele das pessoas continua parecendo plástico...
Animei-me a continuar jogando e, aos poucos, fui sendo cativado pela atmosfera de desolação e pelo sistema de combate. Com armas improvisadas e sangue-frio, você vai destruindo os zumbis mais repulsivos já criados para um jogo. O título também estimula a exploração, a busca por mais dinheiro e novos tipos de armas. Para um Explorador como eu, não poderia ser melhor. É possível subir o nível das perícias e até realizar upgrade de armas. Há um toque de S.T.A.L.K.E.R. na jogabilidade, mas, no lugar de uma região de perpétuo céu nublado, temos um paraíso tropical para descobrir.
De se lamentar talvez é a ausência de medo no jogo. Em nenhum momento me senti dentro de um survival horror, talvez pela facilidade das primeiras lutas. A trilha sonora até se esforça para gerar suspense, mas os zumbis parecem mais vítimas do que algozes e seus ataques desajeitados são tranquilamente defletidos com um chute bem dado ou um botijão de gás arremessado nas têmporas. Mantendo a calma, o que não é difícil quando se consegue enxergar o que se está fazendo, é só arrematar a luta com um golpe bem dado na cabeça. Para minha surpresa, há instantes em que o impacto emocional da situação bate fundo, mas não são devidamente valorizados pelo jogo: o protagonista sequer fala! Ainda assim, ao final de uma sessão de jogo, ao completar uma missão, espantei-me com a alegria de conseguir salvar um grupo de sobreviventes e alojá-los em um lugar mais seguro.
De alguma forma, a mágica de Dead Island me capturou. Eu quero salvar essas pessoas, eu me importo com a história. Mesmo sem a garotinha.

31 Comentários
A história beira o rídiculo, missoes do tipo "atravesse milhares de zumbis para trazer duas caixas de suco" tentam destruir qualquer tipo de imersão.
Pra mim o problema principal do jogo é o fato de que a primeira fase na ilha é muito legal, depois que vai pra cidade, floresta e prisão você vai ter saudades da primeira fase pois as outras são muito chatas.
As possibilidades de customização de armas é o ponto forte do jogo além dos combates corpo a corpo.Não é legal se encher de pistolas, rifles e shotguns... o divertido é esmagar os zombies de porrete, facão e outras ferramentas.
Meu amigo jogava numa Geforce 9400 e a performance é bem prejudicada pois o jogo não roda liso...
Enfim, jogo pra zerar, se divertir e nunca mais rejogar.
Fique tranquilo (ou não)pois com o desenrolar do jogo , mudarão os cenários e consequentemente os zumbis, e você sentirá alguns calafrios com os urros de alguns (desculpe se isso é spoiler)!Não no nível de Dead Space, mas ainda assim sentirá.É um bom jogo e acredito que não se decepcionará , pois têm missões variadas, cenários variados e a possibilidade de poder construir novas armas alimenta o círculo.Você verá que é realmente interessante(e necessário) vasculhar todas as bolsas ,malas e carteiras.Apenas uma dica:não execute TODAS as missões, pois o jogo que já é relativamente grande ficará ENORME!Eu particularmente não gosto de jogos longuíssimos.
Pelo que falam,esse Dead Island parece uma cópia de Dead Rising,com uma ilha no lugar dos Shoppings. Mesmo o Resort que prometia parece que não foi aproveitado.
Quero jogar mesmo assim :)
kkkkkkkkkkkkkkkkkk...
Pensei que era "breno"... :P
Ja zerei Dead Island (pirata), até que não achei tão ruim, só não entendi o tal do bug do shift, só tem no original esse bug? Porque eu não me lembro de ter passado por algo assim na minha jogatina.
acho que a versão de PC foi muito desfavorecida. fiquei chocado com os problemas que vc relata no post. não passei por nenhum deles jogando no PS3. nem reconheço o jogo que vc descreve.
quanto a ser um semi-rpg, será que aquele trailer prometeu esse tipo de coisa? a Techland chegou a afirmar que o jogo seria um RPG sandbox de mundo aberto? ou foram os jogadores que criaram expectativas irreais sobre o jogo? acho que eu consegui aproveitar DI melhor por não criado nenhuma expectativa sobre ele. a única coisa que tinha visto sobre o jogo foi um review do Game Trailers. me irritei com alguns problemas, como o sistema de save; as expressões zumbificadas (desculpe o trocadilho. não resisti) dos personagens; algumas quests sem muito sentido (pegar um ursinho de pelúcia? wtf). de resto, ele é um jogo bastante climático e bonito. de 0 a 10, um 8 com certeza.
Agora,suspeito que Dead Rising seja melhor,porque tem milhares de zumbis e é mais engraçado(se a intenção for essa)!
Mas é claro que sofreu uma expectativa absurda. Em um mercado que temos, em sua maioria, jogos genéricos, qualquer um que assistisse o trailer ficaria maluco com a sua temática e proposta. Eles podem até não ter falado que iria ser do clima do trailer, mas porque o fizeram desse jeito então? Foi uma grande propaganda enganosa, e se ainda o jogo em si se sustentasse.
A questão é que não há tematica e proposta no trailer,apenas um video em CGI!
As pessoas tem que se ligar mais no que o desenvolvedor tem a dizer sobre como vai ser o jogo,ao inves de olhar trailers em live-action com dubstep ou qualquer outra porcaria que o dep. de marketing invente para atrair a atenção dos consumidores!
Quando eu vi a CG eu também achei foda, mas eu também pensei que deveríamos ver o gameplay para confirmar se o jogo era isso mesmo. Vi e tanto que não comprei o jogo, por que não era aquilo que eu queria, só joguei alguns horas na casa do meu amigo para uma análise um pouco mais profunda.
OBS: A CG tem simplesmente 9,556,896 visualizações.
discordo, LocoRoco. muitos jogos têm trailers que distoam do clima verdadeiro que eles terão no gameplay. acho que o hype em cima do DI foi exagerado e prejudicial.
"As pessoas tem que se ligar mais no que o desenvolvedor tem a dizer sobre como vai ser o jogo,ao inves de olhar trailers em live-action com dubstep ou qualquer outra porcaria que o dep. de marketing invente para atrair a atenção dos consumidores!"
sem mais nada a declarar sobre o trailer. O Breno falou tudo o que tinha pra dizer. se a gente fosse acreditar em trailer...
"OBS: A CG tem simplesmente 9,556,896 visualizações."
como eu disse, joguei sem ter visto muita coisa do jogo, inclusive o trailer, então pude apreciar o game com mais "imparcialidade". acho que é um exagero de um "coração partido" dizer que o jogo é medíocre.
Aquino, você deve ter nervos de aço. sustos levei poucos, mas o clima de apreensão é constante durante todo o jogo. ouvir um grito desesperado de um zumbi a 30 metros sem saber de onde ele vem causa um certo impacto. sobre os zumbis serem vítimas, discordo um pouco de você. claro que uma criatura insana e sem raciocínio vai estar em desvantagem diante de um cara armado até os dentes, imune ao vírus, com itens de cura e inteligência intacta. e lembre-se que os zumbis do DI ainda são humanos. eles levam dano por afogamento e tudo.
Olhando em retrospecto eu acabo discordando comigo mesmo hehehe...
é bom sempre lembrar que desenvolvedores adoram dizer que seus jogos são a 8 maravilha do mundo,quando na verdade existem varios problemas!
Um exemplo classico é a Bethesda e o seu Elder Scrolls: Oblivion. Para quem jogou é interessante olhar o Demo de Gameplay do jogo na E3 e comparar com o jogo que foi lançado!
Achei que os desenvolvedores amedontraram nessa! Até porque tem jogos recentes que se utilizaram disso(serie Dead Space, Doom 3, Inferno de Dante)!
Sobre a polêmica do trailer: eu já sabia que o jogo não iria corresponder. Os próprios desenvolvedores alertaram que não seguiria aquela linha. Infelizmente. Se empolgar com um jogo por causa de um trailer, ainda mais de CGI, não é aconselhável, mas raramente é algo que se consegue. O ideal mesmo é que o trailer chame a atenção, mas que a decisão de compra se baseie em pesquisa sobre as características do jogo e sobre o que mais o atrai. O mundo aberto, o cenário tropical, a ênfase em combate corpo a corpo (ou corpo a cadáver...) me chamaram a atenção. Finalmente, por incrível que pareça, Dead Island também não é um mata-mata descerebrado e existem alguns (raros) momentos de desespero e dor. A música que toca quando se retorna para a base não é de triunfo, mas de tristeza. Algo, ainda que nem tudo, daquele trailer está presente.
Sim. Dead Island poderia ter crianças zumbis. Deixaria o jogo mais pesado, mais triste, mais impactante. Como o Breno lembrou, Dead Space, Doom 3 e Dante's Inferno não se intimidaram diante da possibilidade, que também foi explorada em Prey, Bioshock... A cena inicial do primeiro capítulo de The Walking Dead é com uma criança zumbi e envia uma mensagem clara: "o negócio aqui é barra pesada". Uma vez que Dead Island se diferencia de Dead Rising justamente por não explorar a galhofa, acho que crianças-zumbi não seriam de mau gosto.
Com 7 horas de jogo, só morri uma vez. A chave é não se deixar cercar e ter para onde recuar. Os gritos são mesmo de arrepiar, mas os Infected que os emitem, ainda que corram feito loucos, são fáceis de matar. Mantenha a cabeça no lugar e paulada neles!
Devo fazer uma postagem com dicas para Dead Island, mas uma boa é: chute o morto-vivo, ele recua, pule e chute (seu chute será mais forte), o morto-vivo cai, se aproxime e destrua sua cabeça.
a falta de crianças deveria ser vista como uma falha, da mesma forma que um personagem humano e comum derrubar uma pedra de duas toneladas no braço (Resident Evil 5) ou das saltos de 8 metros sem se machucar (Resident Evil 4, ainda que isso seja um "atalho" para dinamizar a jogabilidade).
Skyrim, por exemplo, foi o primeiro jogo da Bethesda que eu joguei que tinha crianças. Acho que no Oblivion devia ter um encantamento para as pessoas já nascerem adultas. rsrsrs
"ênfase em combate corpo a corpo (ou corpo a cadáver...)
pensei que só eu tinha gostado da ênfase ao melee combat do jogo. jogar com armas é bem legal. enfrentar inimigos humanos é bem legal também. vai demorar um pouco, mas com certeza você vai gostar, Aquino.
Cara não precisa lembrar o quão estupida a Crapcom é com o desenrolar dos seus jogos. Dei uma olhada nos trailers de RE 6 e vi qualquer coisa,menos um jogo de terror! Mas quando vc fala jogabilidade eu acho que se refere a cutscenes,mesmo que nessas vc tenha que apertar um botão ou 2!
Não, Breno. falo em tempo real mesmo. se você teve a chance de jogar Re4 deve ter se deparado (logo no começo) com umas escadas de 6 metros de altura. imagina ter que subir aquilo "degrau" por degrau. uma tortura. então, a Capcom coloca uma animação do personagem dar um salto que, na vida real, resultaria em duas pernas quebradas e algumas fraturas expostas.
quanto ao trailer de Re6, infelizmente concordo. acho que a Capcom deve estar achando que jogo de terror é jogo escuro. o pior é que eles já fizeram algo nesse sentido, na expansão Lost in tem Nightmares, na qual revisitamos a visita de Chris e Jill à mansão Spencer, atrás de Wesker. se não não viu, dá uma olhada no Youtudo. tem clima de terror; enigmas no estilo clássico; muita tensão (pois vc só conta com duas armas fracas e pouca munição) e uma boa atmosfera. podiam fazer isso no RE6 tranquilamente, se quisessem. mas parece que os games estão passando pelo mesmo processo vicioso que vem dominando o cinema há algum tempo: os filmes não podem inovar muito ou serem completamente originais, pois precisam agradar àqueles que entram num cinema para ficar se agarrando com a/o namorada/o ou que não entendem bulhufas de cinema ou do filme em questão. ou seja: as obras estão atadas à necessidade vampírica que a indústria impõe de vender ou ganhar dinheiro com bilheteria.
Marcos, concordo com vc sobre a escolha da música. não tem nada pior quando um jogo tem aqueles rockinhos mela-cueca feitos pra agradar adolescentes retardados (Devil May Cry). foi o caso do jogo Never Dead. eu tinha sentido pouco interesse pelo jogo, pois algo baseado em uma premissa tão estúpida raramente consegue ser original e bem acabado. depois que eu assisti a vídeos com aquelas músicas de rock, meu interesse foi do zero ao negativo. Metallica não é capaz de salvar um jogo ruim por natureza. se o DI tivesse esse tipo de trilha sonora, aí sim é que ele não teria nenhuma atmosfera de suspense ou terror.