Em Fevereiro desse ano o leitor Carlos Wilson teve a gentileza de comprar para mim uma cópia do Rage, o mais recente FPS da id software depois de um longo hiato. Depois da polêmica do conteúdo travado e da falta de uma versão demo, mais a excelência técnica da empresa, eu estava ansioso para saber como ficou, de fato, o primeiro trabalho concluído debaixo do teto da Bethesda. Depois de 21GB de download, fiz o teste Domingo de noite.
"Press Enter" na tela de abertura nunca é boa coisa para um jogo de PC. É um sinal de conversão vinda de um console. Se eu executei o jogo, o que eles esperam que eu faça? Que eu fique olhando para a tela, tentando descobrir se coloquei o disco certo no aparelho? Logo em seguida, temos uma cutscene de abertura de encher os olhos com uma música muita boa que indica que os valores de produção da id software estão mais cinemáticos. Mas a partir daí, é ladeira abaixo no meu PC.
As tão faladas mega-texturas do jogo não são aquilo tudo que falaram. Não que eu tivesse a mínima pretensão de rodar Rage a 25.600x16.000 pixels, mas quando o resultado final de uma placa de metal está aquém dos mesmo resultados na versão HD de Unreal, criada por fãs, sinto que estou com problemas. Não apenas as texturas presentes no meu PC seriam de causar vergonha a um jogo de 10 anos atrás, como elas carregam diante de meus olhos! Ao girar o protagonista, as texturas das superfícies vão adquirindo mais detalhes gradativamente na medida em que entram em seu campo de visão imediato. É desconcertante. E reforço: o nível definitivo de detalhes é muito pobre, o carregamento vai de uma superfície praticamente lisa, padrão 1995, para uma superfície texturizada no padrão 2004, sendo otimista.
Aparentemente, em seu lançamento, Rage nem mesmo tinha um painel decente de ajuste de vídeo. O problema foi corrigido com um patch que permite habilitar um cache de texturas mais largo, armazenando-as na memória da placa de vídeo e resolvendo o bug do carregamento "progressivo". Habilitei a opção e o problema permaneceu. Reduzi a resolução da tela. Mesmo defeito. Segundo alguns, é necessário ter uma placa de vídeo com memória superior a 1,5GB, o que é, vamos ser francos, um baita exagero que 99% dos títulos não usa. Minha modesta Nvidia 9400GT com 1GB de RAM não dá conta. Eu sempre esqueço que a id software tem o dom de puxar os limites tecnológicos para frente ao mesmo tempo em que esnoba os desfavorecidos, ao contrário do que é praticado pela Epic Games, pela Valve e até pela minúscula Croteam.
Ainda assim, saí da câmara inicial e fui conhecer o mundo pós-apocalíptico de Rage. Tirando as texturas que parecem estar sendo puxadas da internet através de um modem de 56K, o ambiente impressiona. Pego uma carona com o primeiro NPC que aparece e descubro que o som também sofre cortes. O personagem é cortado no meio das falas, mas as legendas me colocam a par da situação. Atravessamos o território dos mutantes, que fica a cem metros da área inicial, e chegamos na primeira vila, que fica a cem metros do território mutante. É um mundo pequeno com grandes texturas. Quando saímos do carro, percebo que sou um anão. Minha cabeça mal alcança uma bancada na garagem. Meu interlocutor também é verticalmente prejudicado, pouco mais alto que uma mesa de bar. Há algo muito errado acontecendo entre minha Nvidia e a id tech 5.
Desisto de Rage e guardo para um dia mais promissor, com outra placa de vídeo, talvez outro computador mais capacitado.
Vou embora de um título da id software sem disparar um único tiro. Sinal dos tempos.

17 Comentários
http://www.youtube.com/watch?v=zeEOX9_MV1s
http://www.youtube.com/watch?v=cg7__CLI-7c
concluindo: não coloque RAGE no mesmo patamar de jogos como Crysis,Arma 2 ou STALKER!
Eu sinceramente não testei.
E sim, meu hardware é quase tão velho quanto os atuais consoles. Não sei como anda a última engine da Epic, mas lembro que o primeiro Unreal era tão amigável que rodava até em 320x240 se você tivesse um computador muito, muito ruim (ao contrário do contemporâneo Quake 2 que exigia placa 3D e potência).
Jà sobre seu comentário da Valve, sou obrigado a discordar: a engine source foi criada para PC. Uma versão de Half-Life 2 para Xbox só foi lançada um ano depois da versão PC. Desde então, a Valve vem reciclando a mesma engine, adicionando aqui e ali algumas novidades, mas nada realmente revolucionário. Portal 2 não me pareceu ter mais telas de loading que o primeiro Portal, a propósito.
Acho que o problema tanto de Crysis quanto de Rage é um pouco de arrogância dos desenvolvedores que acreditam que todo o seu público-alvo só tem máquinas de ponta. Falta vontade e humildade para otimizar o código, como se fazia antigamente. É um mal de programadores em todos os segmentos, até no menos exigente mercado de criação de páginas web.
kkkkkkkkkkk, desculpe, mas você viajou bonito agora, em amigo? Desde quando a Source é focada nos consoles? rs. Ainda lembro, até hoje, quando foi lançado o Orange Box, a luta que deu pra ele ser lançado no Xbox 360. Sem contar o próprio Half Life 2, que inicialmente era exclusivo do PC.
Para mim jogos como Crysis, Battlefield, Call of Duty e ademais só consolidam uma idéia que tenho em mim desde pequeno, que é a seguinte: Gráficos não é tudo.
Jogo bom é jogo que te causa impacto, que te passa um ideologia interessante ou que, simplismente, te conta uma estória linda de morrer, mesmo com uma jogabilidade que nem todo mundo gosta (Final Fantasy, primeiros Fallout etc), ou que não contém os gráficos de ultima geração (To The Moon, Limbo, Binding of Isaac etc)
Por favor, me perdoem os fãs de jogos ocos e fadados ao capitalismo puro, mas é que arte é arte, independente da interface/"casca" que apresenta.
E ideologia,impacto e outras coisas são opcionais,não cruciais!
enfim, vinda da ID, eu esperava um jogo no mínimo interessante, coisa que Rage não é. pelo menos, no início.
NOTA: essa pessoa que disse que Rage é o melhor jogo de sua vida devia ter experiências com outros jogos. deve ser um estreante...
Mas será que Crysis não é!Que eu saiba foi vc que escolheu nao joga-lo pelo fato de sua maquina nao aguentar o tranco!e nao se trata de arrogancia,e sim alimentar um nicho da qual muitos nao fazem parte: pessoas com maquinas de ponta! Será que tudo hj em dia tem que ser pra todo mundo(sem contar necessidades basicas)?
Rs, tem certeza Breno?
E eu creio que sim,são opcionais porque nao e todo o jogo que é obrigado a contar boas estorias,ter ideologias ou serem impactantes! Eles só precisam entreter da melhor forma possivel!
Porém o que quero que você enchergue é o estado atual da maturidade do mercado de jogos eletrônicos;
O mercado para jogos só voltados ao intreterimento esta aumentando, eliminando o espaço para jogos mais elaborados;
Agora, imagine se isso vira moda entre os desenvolvedores?
OBS: Sei que tomei um rumo totalmente diferente do que foi postado aqui, peço desculpas por isso Aquino, e também peço desculpas a você, Breno, pela moléstia que deve ter sido ler os meus comentários, só queria deixar aqui a opnião de alguém que assim como muitos esta preocupado com o rumo que isso tudo esta tomando.
Breno, citei Limbo por causa da estratégia que os desenvolvedores usaram para contar seu enredo, sendo que o jogo não tem enredo completo senão somente a base, deixando assim o resto do trabalho para os usuários conspirarem um pouco, explorando a imaginação de cada um;
Outro exemplo desse é Braid, apesar de contar um pouco sobre a estória por trás do persona, porém você que acaba conspirando a maior parte...
Não sei você, mas achei esse tipo de experiência/estratégia muito divertido/a;
Dos jogos que você citou eu sinceramente só conheço Stalker, e tenho que admitir que ele é um jogão daqueles... aliás, espero um dia voltar a joga-lo. =)
Breno, ja jogou Dark Souls? Se não, poderia aproveitar a oportunidade (uma versão para pc vai sair) para testar, acho que você vai gostar, ouvi dizer que é um jogo bastante desafiador.