Hoje, infelizmente, foi anunciado o fim da publicação das revistas Edge e Ngamer no Brasil. A editora Europa remanejou toda a equipe para outras publicações e os assinantes serão contatados para resolver o dilema. Abaixo, você vê a última capa da Edge, que eu ainda não vi nas bancas. Ouso dizer, sem exageros, que foi a mais inteligente revista de jogos publicada por aqui.
Agora, de quem é a culpa? A editora Europa não é uma ONG, nem uma empresa pública: ela precisa de leitores para se manter e dar lucro. A culpa, então, é dos leitores. Segundo o Fábio Sooner, do Re:GAMES, está "confirmado que o gamer brasileiro não quer discussão sobre games, tendências e conceitos, ele só quer "detonados"...". Assino embaixo.
Então...
Você que compra revista de detonados.
Você que compra revista com dicas e muitas fotos.
Você que chega ao Retina Desgastada pesquisando "que tecla eu uzo pra jogar Resident Evil 4".
Você que chega ao Retina Desgastada procurando jogos completos para download.
Você que chega ao Retina Desgastada pesquisando "jogo dos dinossauros de clicar e eles faz alguma coisa".
Você que reclama da qualidade das revistas sobre jogos mas não abriu o bolso para pagar R$14,90 na Edge.
Você que bota selo do Jogo Justo no seu blog e depois vai fazer compras no camelô.
Você que acha que jogo eletrônico é headshot nos n00bs.
Você que publica postagens de um parágrafo copiadas de algum portal.
Você que lê postagens de um parágrafo copiadas de algum portal.
Você que comenta "First".
Você que traduz artigos da Wikipédia e chama de "análise" do jogo.
Você que traduz o Kotaku e se acha antenado.
Você que não acrescenta, não opina, não discute.
Você que acha GTA a coisa mais violenta de todos os tempos e quer proibir os adultos de jogar.
Você que acha GTA a coisa mais violenta de todos os tempos e joga pra se sentir mais macho.
Você que acha GTA a coisa mais violenta de todos os tempos e ponto.
Você que ainda briga para saber quem é melhor: Xbox, PS3, Wii ou PC.
Você que não consegue escrever uma frase sem errar a grafia de uma palavra, justamente por falta de leitura.
Parabéns. Vocês juntos mataram a Edge.
10 Comentários
A Edge foi a revista sobre games mais bem escrita e mais inteligente que já apareceu aqui no Brasil, e a única que eu comprava atualmente. Sua falta será sentida, e não haverá substitutos à altura.
Infelizmente, esse fenômeno da homersimpsação é geral. Não vejo com otimismo o futuro de nenhuma publicação voltada para o público pensante. :(
E, caro Marcos, a partir do momento que você opina, dialoga e argumenta, você já entrou para o clube dos pensantes! Grato pela audiência e pelo "formadores de opinião". Eu deveria ter escrito "Você que SÓ compra revista de detonados."
Vou aproveitar o espaço e desabafar algo que sempre afirmo: brasileiro só sabe reclamar. Reclamavam que não tínhamos mangás em banca, hoje as vendas (e a qualidade) vão caindo. Reclamam que seu time vai mal e não comparecem ao estádio para apoiar. Reclamam de políticos e não acompanham a política de fato. Reclamam de muita coisa, finalizando com um "Brasil é uma merda", quando conhecem no máximo o Paraguai (ou EUA se tiver uma grana razoável) ao fazer compras.
Esse é o perfil de muitos outros formadores de opinião. Poucos acrescentam ou fazem algo diferente.
Eu assino a EDGE - renovei a assinatura a alguns meses - e adoro o conteúdo, a diagramação, tudo. Os textos são sucintos como pouco havia visto.
O caminho mais fácil hoje para se vencer nesse mercado é praticando muito dos pontos negativos que o Aquino citou nesse post.Em contrapartida exitem muitos potênciais consumidores dessa facilidade, seja em forma de detonados ( lícito ), jogos piratas (ilícito) ou posts copiados de outro site ( lícito mas talvez antiético).Não critico nem recrimino quem usa o lícito fácil mas deixa de consumir cultura de qualidade, pois fez uma escolha que é seu direito.O que consome o ilícito é condenável, mas não sou eu quem o deve julgar.Portanto a minha conclusão é de que quem quer ganhar dinheiro de forma honesta têm que se adaptar e quem consome facilidade lícita não é culpado pela bancarrota de ninguém.