Em 31 de Dezembro deste ano, a década sem nome acaba. Como vamos chamar os últimos dez anos? Anos 00s? Anos Zero Zero? A Primeira Década? Não importa. Como em todo fim de um ciclo, o ser humano se recolhe para refletir enquanto é invadido por incertezas sobre o passado que se foi e o futuro que se aproxima.
E, como em todo o fim de um clico, o ser humano faz listas. Listas dos melhores, lista dos piores, lista dos mais ou menos. E toda lista que se preza começa e/ou termina em um blog. O Cidadão Kang saiu na frente com um mês de antecedência e já está conclamando seus leitores a votar. Sorrateiramente, me aproprio das categorias criadas por eles e disparo minha própria lista abaixo:
Melhor Game: Halo
Escolha difícil e também a mais importante, vinda de alguém que se propõe a manter um blog de jogos. Primeiramente, jogos de console não contam em minha avaliação, uma vez que nos últimos dez anos eu sequer cheguei perto de um deles: é uma década no PC e pronto. Tampouco consegui jogar tudo que desejava (a lista de desejos proibidos continua valendo). Por outro lado, ao recapitular minha coleção de livros baseados no universo de Halo adquiridos após jogar somente o primeiro título, chego á conclusão que não há outra resposta possível. Lançado para PC em 2003, Halo é o casamento perfeito entre ficção-científica, FPS e trilha sonora da década, além de ser o carro-chefe de duas gerações de consoles e a mais desejada adaptação cinematográfica dos últimos tempos. O fato de ser uma categoria do próprio blog também ajuda na escolha...
Melhor time de futebol: Flamengo
Desde pequeno, quando me perguntam qual é o meu time, eu respondo: Flamengo. Eu não acompanho jogo algum, não conheço nenhum jogador e não sei citar quantos e quais títulos o time venceu. É uma resposta pronta, na ponta da língua, para não soar ainda mais geek do que sou. Eu acreditava que esta era minha resposta porque esse era o time do meu pai. Até ele me contar que é Vasco (!?) ano passado, criando um estranho mistério em minha infância. A resposta certa é: "não tenho time, não gosto de futebol, nem no PC!".
Melhor filme:
- De terror: Jogos Mortais. Infelizmente, o que era genial e inédito no primeiro título (de 2004) foi transformado em uma fórmula e repetido outras cinco vezes (até agora), sem contar os clones.
- De drama: Peixe Grande. Tim Burton, um diretor dado a filmes de qualidade, realiza em 2003 sua obra-prima, um tratado sobre a relação pai-filho, a capacidade de sonhar e a necessidade do maravilhoso em nossas vidas.
- De ação: Homem-Aranha. Fãs de X-Men que me perdoem, mas a adaptação do cabeça-de-teia é tudo que um filme de ação significa: ação, ação e mais ação. Entretanto, tenho a sensação de que Avatar pode virar este placar no finalzinho da década...
- De comédia: Se Eu Fosse Você 2. Comédias raramente me agradam. O humor aborrescente hollywoodiano, com piadas de peidos e peitos me provoca mais raiva do que riso. Coube a um excelente filme nacional deste ano me fazer rolar no chão de tanto rir, o lendário ROTFL.
- De animação: Monstros SA. Desta vez são os fãs de animes que vão ter que me perdoar, mas a Pixar é imbatível e, de todos, este filme de 2001 é o meu favorito. E do meu filho também.
Melhor livro: A Luneta Âmbar. A conclusão da trilogia Fronteiras do Universo, de Phillip Pullman, saiu em 2000, bem a tempo de entrar em minha lista. A mais iconoclasta e incendiária obra infanto-juvenil da história faz Harry Potter parecer um moleque enfezado e as Crônicas de Nárnia parecerem panfleto cristão.
Melhor banda: nenhuma
Resposta complicada, mas, em minha opinião, nenhum grupo surgido de 2000 pra cá, seja no Brasil ou lá fora, merece ser classificado como "melhor da década". Muitas bandas empatam na primeira posição, formando uma imensa massa disforme de grupos de pouca expressão ou criatividade. Se alguém colocar uma arma na minha cabeça e me forçar a fazer uma escolha, eu direi "White Stripes", com lágrimas nos olhos. Pobre década.
Melhor álbum: The Prodigy – Invaders Must Die
Meu gênero de preferência é o rock. Mas, com uma década onde o ritmo se perdeu em melancólicos revivals dos anos 80 ou grunhidos mascarados do já decadente Nu Metal, coube a um grupo de "punk eletrônico" lançar o seu melhor disco e abiscoitar um lugar em minha lista.
Melhor cantor (a): Susan Boyle
Fenomenal? Confere! Popular? Confere! Excêntrica? Confere! Voz divina? Confere! Se eu curto? Negativo. Mas ninguém canta melhor que ela.
Melhor ator/atriz: Ian McKellen e Heath Ledger
Qualquer ator que consegue, na mesma década, interpretar com qualidade personagens tão icônicos como Gandalf e Magneto, merece ser lembrado. Empate técnico com o falecido senhor Ledger pela sua interpretação do Coringa, que jamais será superada.
Melhor série de TV: Lost
É a única série que eu assisto fielmente. E a única que um dia eu vou rever TODA em DVD.
Melhor anime: em branco
É nesse momento que eu perco outra parcela de minha escassa audiência. Não tem outra forma de dizer isso: "eu não assisto anime".
Melhor mangá: em branco
Em minha defesa, eu posso dizer que adorei a iniciativa de lançarem Battle Royale no Brasil. Infelizmente, o filme provou ser melhor que o mangá que lhe deu origem.
Melhor barraco: Fernando Collor Defendendo José Sarney no Senado
Eu vivi para ver isso. O mundo dá voltas...
Maior perda (cantor, ator, desenhista...) : Cristopher Reeve
Além de ser o eterno Superman para toda uma geração de cinéfilos, Reeve ainda lutou até o fim contra sua condição física e se tornou um símbolo de determinação, mesmo fora das telas e mesmo sem ser o último filho de Krypton.
Maior decepção: Harry Potter e as Relíquias da Morte, Matrix Revolutions e Terminator Salvation
Eu ainda não acredito que J.K. Rowling tenha encerrado uma saga de sete livros com uma edição arrastada e tediosa e um combate final murcho e piegas. Também não consigo entender como Matrix pode ter descido ladeira abaixo após um primeiro filme genial e um segundo interessante. E, finalmente, o ponto mais baixo da franquia do Exterminador do Futuro, o ÚNICO filme que eu consegui ver no cinema esse ano e que, por muito pouco, não me matou de tédio.
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