Estava procurando um "jogo relaxante" para ser o sucessor do soturno Murdered: Soul Suspect. Lembrei de um título cuja demo tinha me encantado muito tempo atrás, que eu tinha comprado, mas nunca tinha aberto: Omno.
Omno era exatamente o que eu estava procurando naquele momento, porém, ironicamente, eu não estava no estado de espírito para jogá-lo. Fui atravessando suas paisagens exuberantes por obrigação, em sessões de não mais de meia hora, antes de minha mente buscar outros estímulos. Omno se tornou o jogo certo na hora completamente errada, mas segui em minha sina, obcecado pela ideia de "relaxar" a qualquer custo, o que nunca é a melhor abordagem para desestressar.
O resultado disso pode ser uma análise mais ranzinza do que o jogo realmente merece. Reconheço que a culpa pode não estar no trabalho de amor de Jonas Manke (o desenvolvedor solo que atende pelo nome de Studio Inkyfox), mas em um estado de espírito que se saciava com títulos mais vigorosos igualmente instalados em minha máquina.
Dito isso, Omno tem defeitos objetivos. O jogo segue uma fórmula e não se desvia dela em momento algum. Controlamos um protagonista mudo que está realizando uma peregrinação tradicional de seu povo, uma jornada de luz em direção a um destino final. Isso implica que nosso herói chega em um novo bioma desse mundo mágico, é recebido com uma visão panorâmica e precisa coletar uma determinada quantidade de esferas de luz, acessíveis através de movimentos de plataforma ou da resolução de puzzles práticos. Somos apresentados a um puzzle final da fase, viajamos e repetimos todo o processo em outro bioma. Em cada bioma, existem três criaturas exóticas que podem ser indexadas em uma espécie de diário.
Desta forma, Omno deixa transparecer a todo momento que é um jogo, não uma jornada. Existem fases, existem colecionáveis, existem puzzles. Encarei com enfado mais um título com grandes blocos arbitrários que estão na paisagem para serem posicionados da melhor forma possível para obter acesso a novos lugares.
Se a estrutura de Omno não tem um traço de criatividade, esses elementos estão presentes no design magnífico tanto de seus biomas quanto no de seus habitantes. Cada monstrinho tem um motivo biológico ou adaptativo para ser daquele jeito e muitos deles são genuinamente inventivos. A direção de arte de Jonas Manke usa e abusa das cores fortes, nos oferecendo um mundo pulsante e luminoso. Não há inimigos de espécie alguma e tudo nesses cenários exala uma paz interior, uma harmonia entre seres.
Os enigmas não são complexos e muitos são opcionais. Não corri atrás de fazer 100% de cada mapa, porque, afinal, o meu objetivo era relaxar. Infelizmente, Omno demora para apresentar seus maiores méritos mecânicos: as habilidades de movimentação de tirar o fôlego. Quando os mapas começam a ficar imensos, o protagonista recebe o dom de "surfar" em alta velocidade pelo solo. Em outros momentos, ele é agraciado com sistemas de teleportar ou flutuar, que mudam bastante a dinâmica das fases, mas sem pesar na dificuldade. Omno entende que usar esses dons é divertido e não os prende atrás de limitações como energia ou tempo.
Omno também poderia ter investido um pouco mais em seu enredo. Os diários de viagem encontrados pelo caminho são repetitivos e pouco explicativos. Nosso povo está fazendo essa jornada por gerações e é isso. A conclusão é fofa, porém, sem entrar no terreno dos spoilers, é o inverso de dois grandes títulos que estão na minha Lista de Favoritos.
Omno é bonito, é simpático, mas dificilmente deixará uma impressão mais duradoura em meu cérebro, infelizmente.
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