Jogando: Nuclear Nightmare

Nuclear Nightmare 02

Uma instalação abandonada na Antártida. Cães vagando pela neve. Estranhas abominações de carne e osso caçando vítimas. Uma pessoa surgindo na escuridão que não é o que aparenta. Esse é o clima do clássico filme "O Enigma de Outro Mundo" (The Thing, no original), um clima perturbador que vários jogos tentaram capturar. Alguns com extrema eficiência, como o derivado oficial. Outros acabaram se perdendo na proposta e entregaram uma experiência desigual, como Distrust.

Nuclear Nightmare é o filho mutante desse conceito clássico com outro conceito muito mais moderno: os jogos cooperativos de sobrevivência e galhofa, como Lethal Company, R.E.P.O. ou Content Warning. A principal diferença é que Nuclear Nightmare abre muito pouco espaço para a galhofa (presente apenas nos emotes que ninguém lembra de ativar), mas deixa entrar o medo do desconhecido.

Considerando que "O Enigma do Outro Mundo" traumatizou a minha infância e fiz questão de passar esse trauma para meu filho, era evidente que nós dois iríamos exorcizar nossos temores em Nuclear Nightmare juntos. Aproveitei uma promoção e comprei duas cópias para nós. Como afirmei mais tarde para o guri, foram os sete reais mais bem gastos da História dos jogos eletrônicos. Sofremos, passamos medo, superamos os obstáculos, triunfamos em todos os três mapas.

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Em Nuclear Nightmare, controlamos operativos enviados para investigar estranhos incidentes em instalações de pesquisa em regiões geladas. Aparentemente, algum tipo de infecção alienígena se alastrou pelo território e cabe a nós coletar evidências do que aconteceu e solicitar a evacuação o mais rápido possível. O contexto é mínimo, o jogo não é baseado em história, mas em atravessar grandes distâncias, explorar estruturas abandonadas, cumprir os objetivos aleatórios e sobreviver à chegada dos monstros. Para cumprir essa última etapa, o jogo fornece recursos espalhados ao acaso pelo ambiente, como armas, medicação e fontes de luz. O resto precisa ser compensado com coragem e planejamento.

Há cadáveres mutilados espalhados pelos cenários, manchas de sangue e outros sinais de violência. Porém, também existem corpos claramente inumanos caídos aqui e ali. Ainda assim, o verdadeiro terror começa de noite, quando uma escuridão muito profunda toma conta do mapa inteiro e as criaturas surgem para nos perseguir e destruir (ou infectar). É fundamental aproveitar a luz do dia para se equipar e adiantar o máximo de objetivos, que sempre vai incluir reativar uma torre de satélite para poder solicitar a evacuação. É durante a noite que o desespero toma conta.

Senti orgulho de ver meu filho inicialmente ficar imobilizado de medo, quase desistindo do jogo, mas ganhar mais e mais confiança após cada partida, até o ponto de ele se tornar o coordenador de nossas estratégias de sobrevivência. Da mesma forma, passei pela mesma evolução, incapaz de acertar um tiro nas primeiras duas partidas, para logo me tornar um personagem com o dedo muito mais firme e a mira muito mais precisa.

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Sobreviver em Nuclear Nightmare exige cooperação extrema. Até porque o jogo mimetiza um dos aspectos mais assustadores da história original: as criaturas são capazes de copiar a aparência exata dos jogadores, incluindo o nome flutuando sobre a cabeça. Nossa sorte foi jogar no mesmo ambiente, praticamente lado a lado, e saber quando estávamos diante um do outro no jogo ou quando estávamos diante de uma criatura disfarçada. Em partidas online, esse aspecto deve ser muito mais desafiador.

Admito que vencemos os três mapas inicialmente no modo Fácil, para nos acostumarmos com o layout das fases e as regras bizarras desse jogo. Porém, meu filho insistiu para que completássemos o primeiro mapa no modo Normal. Essa mudança dobra a quantidade de objetivos a serem cumpridos, dobra o tempo de permanência na região e aumenta o dano realizado pelo inimigo. Ainda assim, estávamos confiantes. Tínhamos dominado a técnica de nos entrincheirarmos durante as noites, desarmando, realocando e rearmando as minas de proximidade que encontrávamos. Nuclear Nightmare se transformou em um jogo de sagacidade e paciência. Aguardávamos o som das explosões, de armas em punho para o caso das criaturas sobreviverem. Em determinado ponto, acabei infectado e fui obrigado a me sacrificar, para não comprometer nossa vitória. Ressurgi ileso após meu filho solicitar reforços e partimos para o impossível.

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Com os nervos à flor da pele, mas a satisfação de termos superado a nós mesmos, subimos no último helicóptero e nos despedimos de Nuclear Nightmare. Os melhores sete reais de todos os tempos.

Ouvindo: Resistance 3 - In Satan's Realm

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