Retina Desgastada
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22 de agosto de 2018

(não) Jogando: DEFCON

Defcon 01

Dois filmes que marcaram minha juventude foram The Day After e WarGames. O primeiro mostra sem dourar a pílula os horrores de uma guerra nuclear sobre nossos lares e vidas cotidianas. O segundo mostra como essa mesma guerra nuclear pode ser fria e mecanizada aos olhos da tecnologia e dos líderes militares. Mesmo crescendo nos anos 80, o espectro da Guerra Fria e do medo do apocalipse ainda tirava o meu sono, às vezes.

Obviamente, os criadores de DEFCON também assistiram esse último filme. A estética está toda lá: as telas fosforescentes e práticas de uma sala de guerra, um panorama eletrônico do fim. Mas é o conhecimento do outro filme que faz nosso sangue gelar a cada impacto de uma ogiva, a cada mensagem de milhões aniquilados de uma única vez que pulsa em nossa tela. A triste certeza de que esse jogo de estratégia merece a classificação de simulador é perturbadora.

Na primeira vez em que experimentei DEFCON, bem antes do blog começar, provavelmente em 2006, no ano do seu lançamento, fiquei pasmo com sua beleza quase poética. As unidades se movem lentamente na tela, uma vez que percorrem milhares de quilômetros no globo terrestre, mas seus objetivos são implacáveis. A trilha sonora ajuda a hipnotizar e fascinar, ao mesmo tempo que nos entorpece de tudo que está em andamento aqui.

Em DEFCON, você controla uma superpotência, seja a União Europeia, os Estados Unidos, o Bloco Asiático, a União Soviética ou mesmo a mítica aliança dos países latinos (seria um prelúdio da URSAL?). Com um distanciamento de um deus impessoal, você posiciona bases militares, radares, frotas navais. E silos. Silos atômicos. Enquanto a tensão militar escala no planeta e a condição de defesa vai se aproximando do DEFCON 1, você movimenta suas forças, analisa o inimigo e se prepara. Se prepara para o fim.

Defcon 02

Naquelas primeiras partidas em 2006, fui massacrado enquanto via minhas cidades se transformarem em pontos brancos fugazes na interface, a metáfora nada sutil do clarão atômico. Milhões morriam com cada bomba. Minha retaliação causava a morte de outros milhões em território inimigo. É a infame Destruição Mútua Assegurada (apropriadamente abreviada como M.A.D., no Inglês). Não me importava com a derrota em um jogo claramente feito para causar horror.

Os anos se passaram, e a roleta randômica apontou para DEFCON, desta vez em sua versão para Steam. Passo pelo tutorial para relembrar como se joga e inicio uma nova partida. Provavelmente, não entendi suas mecânicas plenamente e minha URSAL é devastada sem piedade pelas ogivas da União Europeia. Destruo Barcelona, Londres e outras cidades em um esforço fútil de vingança.

DEFCON é um jogo triste, fruto de uma era sombria que ainda não acabou e que, vez ou outra, emerge nos noticiários. Minhas congratulações para o brilhante trabalho da Introversion, uma minimalista, mas não menos brutal, transposição desses jogos de guerra. Opto por seguir a conclusão daquele velho filme de 1983: a única maneira de ganhar é não jogar.

Ouvindo: Bruce Dickinson - A Tyranny Of Souls
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2 comentários:

Shadow Geisel disse...

Pelo texto, o jogo é bem pesado, apesar de ser bom. Seria esse o motivo do não jogando?

C. Aquino disse...

O jogo é deprê mesmo. Mas a dificuldade foi o fator principal aqui.:P

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