Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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14 de maio de 2018

Back to Black

Entreguei Overwatch na mão do garoto. Foram quase dois anos jogando ora diariamente, ora com lacunas, e continua sendo uma das melhores experiências multiplayer que já tive. Mas tudo passa e a febre foi finalmente saciada durante o último evento. Quando ia remover o ícone do jogo da Área de Trabalho, meu filho pediu para passar pra ele.

Acho justo. Nos últimos meses, ele vem testando personagem após personagem, realizando façanhas que julgava impossíveis para mim com heróis que detesto, mas também dando orgulho com meu querido Junkrat, herdando a malemolência e o senso de equipe que Overwatch existe. De co-piloto de teclado, a criança ascendeu para ser o protagonista de suas próprias partidas de um título intenso. É dele agora. Eu até posso reabrir Overwatch em eventos, para conhecer mapas ou personagens novos, mas doravante ele vai carregar o nome "desgastada" no jogo. Pelo menos até conseguirmos um PC para ele e a inevitável conta própria de Overwatch. Um sonho? Jogar lado a lado com ele, coordenando ações, dando cobertura. Eu de Junkrat, é claro. Ele, com o personagem que quiser. Pode até ser Hanzo.

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Mas Overwatch deixou uma lacuna na Área de Trabalho, na região reservada aos meus jogos. Teoricamente, eu sempre tenho um jogo que escolhi jogar (como os recentes Zeno Clash 2 e Rage), um jogo escolhido aleatoriamente (como Geneforge 1 e Fallout: New Vegas), jogos para o Gamerview e um título multiplayer. Se antes meu triste histórico em jogos multiplayer me afastava do gênero, agora sinto um comichão pela jogabilidade emergente, pela velocidade, pelo pico de adrenalina, pela companhia de iguais.

A Busca

No último ano, com raras exceções, quem ocupava a vaga de Overwatch quando ele ia para a geladeira era Paladins. Apesar de todos os seus defeitos, é um título que chega perto do clássico instantâneo da Blizzard, com personagens memoráveis e boas lembranças. Mas, desta vez, estava decidido a dar um tempo também em Paladins. Chega de jogos baseados em heróis com habilidades especiais.

O candidato mais óbvio para ocupar a vaga multiplayer seria um jogo de battle royale. Está na moda, é um fenômeno! Se escrevo sobre jogos, preciso conhecer, pois não? Minha experiência com Fortnite foi, no mínimo, decepcionante. Com tantas alternativas gratuitas, fui à luta, determinado a encontrar um mata-mata para chamar de meu.

Radical Heights é fruto do fracasso de LawBreakers. Se o estúdio de Cliff Bleszinski não teve sorte com o clone de Overwatch, conseguiria sucesso com o clone de Fortnite? Jamais saberei porque o jogo não rodou no meu PC. Do que eu vi, ou seja o menu, o título se destaca na multidão pela galhofa e pela forte estética dos anos 80. Já é alguma coisa e fiquei realmente interessante em ver como isso funciona depois que você pula de para-quedas e começa a lutar pela sua vida.

Frustrado, deixei os battle royale de lado e parti para Warhammer 40,000: Eternal Crusade. Ir da colorida era da new wave para o soturno e pesado quadragésimo milênio parecia uma sábia escolha, a princípio. O jogo roda, para início de conversa. Agradeço ao Bruno Dolabela pela oportunidade de testá-lo com um pacote Premium.

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Optei pelos Ultramarines como facção e de imediato curti o tutorial. Jogado na base do meu pelotão, vaguei pelo terreno admirando a paisagem, a brutalidade das carcaças inimigas fincadas em estacas e o violento som da metralhadora de um Predator. Sempre quis andar no veículo mais famoso da infantaria do Imperador e ele não decepcionou.

Cometi a burrice de entrar na área aberta para PvP, onde já haviam dois jogadores se enfrentando. Para testar o combate, ataquei um deles, no que fui não apenas sumariamente executado como também levei uma bronca no chat. Novatos não podem interromper duelos de veteranos. Lendo a conversação depois, vi que eles levam o duelo a sério, debatem como cavalheiros e ficam dando dicas uns aos outros. Pedi desculpas pelo meu comportamento e fiquei surpreso com a educação dos demais. A impressão que tive é que éramos todos pessoas de família colecionadores de miniaturas, fãs de Warhammer e não moleques randômicos atraídos pela estética "metaleira" da franquia.

O encanto começou a terminar com o PvE. Estupidamente, entrei em uma arena sozinho, uma vez que não tinha jogadores. Você invade uma base infestada de Tyranids e tenta sobreviver ao máximo. Esse é o conceito de PvE do jogo e não posso dizer que não estou surpreso. Matei exatos UM Tyranid antes de ser devorado pelo resto da horda.

"Talvez o PvP seja menos selvagem", nunca disse jogador algum na história dessa indústria. Me alistei em um esquadrão e desembarcamos em um planeta castigado por uma forte chuva. Foram os melhores 20 segundos que já passei em qualquer coisa relacionada a Warhammer 40K. No chat, palavras de ordem, odes ao Imperador, juras de extermínio à escória do Caos. Ou esses jogadores levam o roleplay a sério e são a melhor comunidade de todos os tempos, ou os textos são automáticos. Correndo debaixo da tempestade ao lado de meus companheiros de esquadrão, as pisadas fortes da armadura no solo, a adrenalina fluindo... foi sensacional até o primeiro contato com o inimigo.

Um guerreiro do Caos, controlado por outro jogador, sabe-se lá em que canto desse vasto império da Humanidade chamado Terra, pulou em minha direção e me eviscerou com um único golpe bem dado de sua Chainsword. Não é sem motivo que Gears of War tem uma obsessão por motosserras: essas armas são impactantes.

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Fui ressuscitado e meu esquadrão já tinha tomado o ponto de controle. Supostamente, eu deveria guardar os flancos de um contra-ataque, mas é difícil distinguir amigos de inimigos no escuro, debaixo de chuva, quando os guerreiros do Caos usam uma armadura muito parecida com a sua. Fui eviscerado uma segunda vez.

Nesse ponto, me dei conta de duas coisas: Eternal Crusade é mais baseado em ataques de armas brancas do que eu estava esperando e eu era um estorvo para meu esquadrão. Como bom soldado do Imperador, sacrifiquei-me para não atrapalhar. Desinstalei o jogo.

Recaída

No fundo eu sabia para onde meu coração estava disposto a ir: de volta aos MMORPGs. Estava na hora de limpar o gosto amargo deixado por Neverwinter. Estava na hora de resgatar o prazer de um Guild Wars 2, de um DC Universe Online, mesmo que isso significasse centenas de horas perdidas em um novo vício.

Existe uma miríade de opções gratuitas no Steam e navegar por elas chega a causar ansiedade. Com cara de anime ou mais pé no chão? Focado em ação ou em estratégia? Gráficos realistas ou retrô? Com milhares de jogadores ou algo mais nicho? Um clássico do passado ou um arrivista moderno? É impressionante também como, apesar de suas diferenças, a maioria dos MMORPGs disponíveis na loja da Valve compartilham da mesma característica: uma avaliação Mixed, com uma legião de jogadores reclamando desta ou daquela mudança no jogo, como ele costumava ser bom e agora os desenvolvedores estragaram tudo.

Tinha que tomar uma decisão baseada mais em instinto e impulso.

Empolgado com o lançamento de Conan Exiles (que não é um MMORPG e tampouco é gratuito), resolvi experimentar Age of Conan (que é um MMORPG e é gratuito). É um jogo que entrega a idade nos seus gráficos e na sua jogabilidade e cuja instalação demora uma eternidade. Ao criar um personagem, optei por um Cimério (quem em sã consciência não desejaria ser um Cimério?), mas arqueiro, porque curto arqueiros em jogos de RPG.

Foi um erro, porque você só ganha um arco depois de uma hora batendo nos inimigos com um pedaço de pau e outra hora batendo nos inimigos com uma espada. E somente para descobrir que o arco é uma porcaria.

Mas o grande erro cometido foi mesmo escolher Age of Conan como meu possível novo vício. O personagem tem a mobilidade de um tanque de guerra. Para executar os ataques (e obter os desejados e sangrentos combos) você precisa ter dedos elásticos e prestar mais atenção nos números do que na luta. Quando eu morria não era por conta do nível do atacante, mas pela incapacidade de me virar para ele e dar combate.

Ironicamente, Age of Conan foi o único título dessa leva que eu ainda consegui tirar uma foto minha.

conan

Queria me chamar Karkaz, mas pela primeira vez na vida, meu velho nome de guerra já estava sendo utilizado por outro jogador. Era um sinal do universo para eu nem começar e eu não captei.

Voltei para o listão do Steam.

Saí de lá com a convicção de jogar The Lord of the Rings Online. Um raro jogo MMORPG que não tem uma avaliação Mista! "Só pode ser bom", pensei. Criei um elfo. Arqueiro, é claro.

Talvez eu devesse ter criado um humano (arqueiro). Mas queria ser o Legolas. A movimentação é muito mais fluida do que aquela em Age of Conan e os gráficos são superiores, com cenários colossais e convidativos. Infelizmente, o combate também é frágil: clique nos inimigos, fique parado, aperte números. É um padrão do gênero, mas um padrão que ainda me causa enfado (e não é o adotado justamente nos MMOs que mais gostei).

Felizmente ou infelizmente, The Lord of the Rings Online, no começo da campanha dos elfos, não tem foco em combate. Você passei pelos ambientes, conversa com fulano, conversa com beltrano, conversa com sicrano, volta para contar as fofocas todas para fulano. Quando há combate, é contra inimigos fraquíssimos que tombam com uma ou duas flechadas.

Para fãs de carteirinha da obra literária de Tolkien, o jogo deve ser um deleite: não há missão dada sem pelo menos uns cinco nomes mencionados, um poema, uma profecia, uma referência. "Triste o dia em que a hoste de Gharadrin, filho de Maradrin, marchando de Flandervell, adentrou nos portões de Horad-Dum para encontrar seu destino nos subterrâneos de Molageol, onde tombou o Rei Nafearis III, filho de...". No meio da aventura, eu já não estava acompanhando mais. Só ia para os lugares marcados no mapa e tentava cumprir as tarefas.

The Lord of the Rings

Parei quando o jogo me pediu para juntar 5 ervas. Todo MMORPG de fantasia tem a infame missão das cinco ervas e me dei conta que, se The Lords of the Rings Online tem algum diferencial, além do Inglês rebuscado, em relação a outros título do gênero, ele já havia desperdiçado todas as chances de me mostrar.

Voltei para o listão do Steam.

Instalei Defiance. Sequer abri e já sei que sobre ele paira a sombra do lançamento de Defiance 2050. Não é uma sombra ruim, desde que não desliguem os servidores do primeiro. E desde que seja bom.

Porém, agora sei que, mesmo Defiance não me agrade, a busca irá continuar. Estou de volta ao gênero.

Ouvindo: Echo & the Bunnymen - Over the Wall
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5 comentários:

Michel Oliveira disse...

Ja que pretende voltar aos MMOs aconselho The Elder Scrolls Online. Ele é bem o seu estilo e nao tem mensalidade. Somente se compra o jogo base. Ou pode fazer como eu e voltar pra WoW por pura curiosidade e ficar viciado criando vários chars... Ah, e não ligue pros mixed no steam. Jogador de MMO adora reclamar.

Vitor Hugo disse...

Eu recomendo Final Fantasy XIV. Com o free trial você consegue muitas horas de jogo sem se preocupar em comprá-lo ou em pagar mensalidade. A trilha sonora é maravilhosa, o gameplay é legal e a comunidade no geral é muito prestativa e amistosa com quem está começando. Em relação a rodar no seu pc, ele roda "de boa" no meu notebook velho de guerra nas configurações mínimas, apesar de eu preferir jogar no console, mas o jogo tem um benchmark que vc pode baixar e ver como seu pc vai se sair.

Shadow Geisel disse...

Eu confesso que nunca fui fã de jogos online. Overwatch foi o único que realmente me fisgou de uma forma quase patogênica (consegue ser estressante e maravilhoso na mesma medida). Quando fico chateado com Overwatch, prefiro não jogar nada do gênero, por medo de ser fisgado de novo. Aquino, você viu que no evento de Aniversário 2018 vai ter simplesmente TUDO aberto dos outros eventos pra ganhar nas loot boxes?

Michel Oliveira disse...

Eu também recomendaria Final Fantasy XIV. Até joguei por um tempo. Mas a mensalidade é exorbitante e o ping intragável. Só voltaria quando a Square resolver dar ao jogo o mesmo tratamento que a Blizzard dá ao World of Warcraft no Brasil. Ou seja, totalmente localizado, ping e mensalidade decente. Logo, acho que nunca voltarei ao FF14...

Anônimo disse...

Pela referência citada, Lord of the Rings está fiel aos livros na capacidade de confundir o leitor com o excesso de nomes exóticos (principalmente no Silmarillion) :p

E volta para kf2. Tem algumas pequenas novidades e promessas de upgrades em armas no futuro. Como sempre tripwire trabalhando muito.

E comecei a jogar geneforge. Habilidade estranha essa de despertar curiosidade nas pessoas.

wb

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