Retina Desgastada
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7 de março de 2018

Jogando: A Story About My Uncle

A Story About My Uncle 08

Não vou esconder que aquilo que motivou minha decisão de escolher A Story About My Uncle como um de meus próximos jogos foi a profunda decepção com The Amazing Spider-Man. Se a sensação de liberdade de me balançar entre prédios em alta velocidade era de longe o melhor que o jogo do aracnídeo tinha a oferecer, porque não revisitar um título cuja jogabilidade inteira era baseada nesse conceito?

O único arrependimento que tive de minha decisão foi ter aguardado quase seis anos para revisitar esse humilde mas cativante jogo independente.

Meu primeiro contato com o A Story About My Uncle aconteceu quando o título ainda era uma demonstração gratuita. Os anos se passaram, seus desenvolvedores conseguiram o aval da mesma produtora de Goat Simulator, se tornaram um de seus estúdios afiliados, aprimoram a interface do jogo, trocaram o motor gráfico e entregaram uma experiência muito mais completa, equilibrada e bela do que tinham inicialmente. Mas, se os anos foram gentis com A Story About My Uncle, é importante frisar que a genialidade e o carisma já estavam presentes no projeto inicial, ele apenas recebeu um merecido polimento em sua dificuldade e no seu visual.

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O jogo acompanha um pai narrando para sua filha o que pode ou não pode ser uma aventura fantástica acontecida em sua infância, quando o pai muitos anos atrás saiu em busca do paradeiro do tal tio do título. Com esse clima de fábula antes de dormir, somos apresentados a um mundo visualmente fantástico, com habitantes amigáveis capazes de encantar, paisagens de tirar o fôlego até onde o horizonte alcança e a possibilidade impressionante de efetivamente alcançar boa parte desse horizonte.

Usando uma veste especial projetada pelo tio desaparecido, o protagonista se projeta por abismos aterradores, balançando por uma teia de energia com carga limitada, ou realizando saltos e impulsos que não fariam feio para um certo Peter Parker. Descobrir o melhor caminho para chegar de um ponto a outro, se recusar a acreditar que tal trajeto seja possível e ainda assim realizá-lo é uma sensação inesquecível.

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Entretanto, para se triunfar em A Story About My Uncle, é necessário estar preparado para o fracasso. Se o jogo final teve sua dificuldade claramente reduzida em relação ao protótipo inicial, ainda assim centenas de vezes meu destino foi o abismo infinito. Os desenvolvedores foram generosos na distribuição de checkpoints que salvam seu progresso, mesmo entre uma sessão e outra, mas os desafios continuam arrebatadores. Quantas vezes fiquei travado em tantas e tantas fases? Quantas vezes abri o jogo e tentei passar de um determinado ponto apenas para desistir quinze minutos depois com vertigem e frustração, mas determinado a tentar novamente no dia seguinte? A média de jogo é de pouco mais de duas horas de aventura, mas aqui foram seis horas imerso nesse mundo mágico, mas traiçoeiro. E quanta alegria ao sobrepujar meus limites! Que imensa satisfação de ver a conclusão da história. Que tristeza de deixar essa aventura para trás.

Uma nova sequência após os créditos fecha a narrativa com chave de ouro e deixa um calor plácido no peito. Balanço agora para outros horizontes, carregando as memórias.

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Um comentário:

Raphael AirnMusic disse...

Ótima resenha Aquino. Esse estava na minha lista, vou pegar em uma próxima promo =D

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