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1 de dezembro de 2017

Com Licença, Eu Vou à Luta

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Menos de seis meses depois de estrear nos consoles, o MMORPG Marvel Heroes fechou suas portas na sexta-feira da semana passada, depois que a desenvolvedora Gazillion encerrou as atividades em pleno feriado de Ação de Graças.

De certa forma, era uma tragédia anunciada. A própria empresa já havia comunicado o fim do jogo para Dezembro, com o término do contrato de licenciamento de personagens com a Marvel. O inesperado foi o fim abrupto, que certamente pegou os jogadores de surpresa e ainda mais os seus funcionários que encaram a perspectiva de um Natal na fila do desemprego.

Mas o destino de Marvel Heroes estava selado dez anos antes. Foi marcado no papel, quando a Gazillion assinou um contrato com a editora de quadrinhos em 2007 que previa a utilização de seus personagens por dez anos. Lá atrás, parecia uma era distante. Talvez a Gazillion acreditasse que seria um bom tempo para desenvolver um jogo e ainda faturar alto com a popularidade dos heróis e vilões da Marvel. Talvez a Gazillion acreditasse que, se tudo desse certo, era apenas uma questão de renovar o contrato. Mas o desenvolvimento se arrastou por seis longos anos e o faturamento veio apenas durante os últimos quatro anos da licença. Nos consoles, não completou seis meses de vida.

Nesses dez anos, a Marvel foi comprada pela Disney, desenvolveu um poderoso universo cinematográfico que domina o ranking das maiores bilheterias da História. Virou um colosso. E o colosso não renovou o contrato para aquele MMORPG meia-boca de anos atrás.

Guerras Secretas

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É culpa da Disney, esse monólito cultural que ameaça absorver toda a cultura pop ocidental nos próximos anos? Dificilmente. A Marvel já praticava acordos de licenciamento draconianos muito antes de ser controlada por Mickey Mouse e seus servos.

Qualquer um que tenha interesse em colecionar jogos de super-heróis está condenado a vasculhar os porões da barganha ou sites de leilão em busca de cópias físicas, porque suas licenças raramente são renovadas. Pouco antes do fim de Marvel Heroes, o jogo do Deadpool foi removido pela segunda vez das vendas. O interesse aceso pela adaptação cinematográfica fez com que a Activision, parceira ancestral da Marvel, renovasse o contrato depois do primeiro sumiço do jogo. Mas, mais uma vez, era um contrato com prazo de validade e prazo de validade muito curto. O título retornará quando o Deadpool 2 estrear nos cinemas? Ninguém sabe.

O mesmo destino, mas sem ressurreições, atingiu todo e qualquer jogo do Homem-Aranha já criado para PC. Todos desapareceram das lojas. O mesmo vale para jogos com X-Men, Homem de Ferro, Hulk, Wolverine, não importa. Independente de sua qualidade, estão perdidos quase para sempre, na ausência de museus que preservem esse legado. Com a migração maciça para a distribuição digital, o futuro desse tipo de jogo é claro: a autodestruição passado o prazo final de contrato.

Licença Para Matar

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Nos últimos anos, gigantes como o GOG e pequenas iniciativas como a da Nightdive Studios tem conseguido resgatar jogos perdidos do oblívio. É um esforço que merece ser louvado, seja você fã ou não dos títulos que ressurgem, fã ou não de jogos do passado. Estamos falando de obras culturais, para o bem ou para o mal, que mereciam um maior respeito por parte da indústria.

Mas é impossível para esses salvadores da pátria negociar em termos de igualdade com forças poderosas como Marvel ou Disney. Enquanto outros jogos... esses são considerados quase impossíveis de salvar dos labirintos jurídicos em que estão aprisionados.

No One Lives Forever é um destes exemplos. Seus direitos autorais são tão complexos para resolver que todos aqueles que tentaram negociá-los fracassaram completamente. É o sétimo jogo mais desejado pelos fãs do GOG e que ainda não foi restaurado oficialmente.

Pensando nisso, um grupo de fãs resolveu arregaçar as mangas e quebrar o livro de regras. Eles estão oferecendo gratuitamente No One Lives Forever 1 e 2 atualizados e corrigidos para sistemas operacionais modernos e suporte a widescreen. Essa iniciativa não conta com a autorização de ninguém e provavelmente burla as leis. Ou seja, baixe por sua conta e risco.

Sem um dono preciso da marca, as chances de um processo são mínimas. É um gesto de ousadia. É um gesto de desespero. Mas, em momentos em que a História dos jogos ameaça desaparecer, que decisão você tomaria?

Ouvindo: Rotting Christ - A Dead Poem
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