Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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16 de junho de 2017

Santa Profecia, Batman!

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Há exatos sete dias, o mundo perdia Adam West, o eterno Batman dos anos 60.

Demorei muitos anos para aceitar a importância da série de TV, inconformado com a aparente distorção kitsch de um dos meus personagens favoritos dos quadrinhos. Mal sabia que boa parte daquela angústia, do mito do "Cavaleiro das Trevas", do herói sombrio, só seria criada depois, nos anos 70 e gravada a ferro e fogo por Frank Miller nos anos 80.

Adam West e seu Batman psicodélico ajudaram a manter o personagem em evidência, a entrar no imaginário popular e, por que não dizer, divertir mais de uma geração. Eu era jovem e revoltado (como quase todos os jovens) e apenas a maturidade me concedeu a visão para reconhecer seu papel na construção de uma lenda multifacetada.

Mais tardiamente ainda, somente no dia de sua morte, descobri que Adam West era não somente um amante dos jogos eletrônicos mas também um ferrenho defensor. Como um cruzado de capa, ele ousou proteger a mídia ainda emergente em uma época em que Pac-Man era o mais sofisticado disponível e meio mundo acreditava que tudo aquilo era apenas uma nova forma de fazer a molecada gastar moedas.

Em um artigo publicado em Julho de 1983 na revista Videogame and Computer Gaming Illustrated (PDF - página 6). O ator escreveu um artigo em que não apenas levantava a voz a favor dos jogos eletrônicos, como também previa um futuro que ainda levaria décadas para se materializar. Mas se materializou.

Segue abaixo a tradução, retirada do site Pop Fantasma (negrito por minha conta):

adam-west-articleMexo em computadores já há muito tempo. Tive computadores de mesa em Robinson Crusoé Em Marte, e aprendi num episódio da série de TV A Quinta Dimensão que você não consegue sobreviver no Planeta Vermelho sem eles. Também tive computadores no meu capuz de Batman, na série de TV. Tivemos um Batsorter Digital, Um Decifrador de Escrita Secreto químico e elétrico, um gravador intergaláctico e outros implementos bem avançados.

Em 1966, quando Batman estava em sua terceira temporada, isso tudo era ficção científica. Computadores eram brinquedos de pesquisadores do MIT, satélites eram apenas para que houvesse comunicação com pioneiros da Apollo ou da Gemini. O único 'cabo' no qual eu conseguia pensar era o que carregava os impulsos telefônicos direto da Europa, ou para ela (e agora isso foi substituído por um esquema eficiente de satélites).

Videogames? Nos anos 1960, isso era compreendido como To Tell The Truth ou What’s My Line? (jogos televisivos clássicos norte-americanos, no modelo do que é feito até hoje por Silvio Santos).

Hoje em dia, muito do aparato que tínhamos em Batman – só que com nomes menos imponentes – é fato. E somos sortudos por causa disso.

Minha fascinação atual por videogames não deriva da afeição pessoal. Prefiro fazer exercícios e esquiar do que jogar videogames. Mas é uma preferência pessoal, não um juízo de valor. Costumo pensar que videogames são uma maneira ideal de expandir as fronteiras da imaginação dos jovens.

Tome como exemplo o Batman. Nosso programa sempre dá boa audiência toda vez que é exibido, e fico feliz de ver que as audiências relativamente sofisticadas de hoje apreciam a união particular de humor e ação que colocamos em cada episódio. E ainda assim, eu gostaria de ver um videogame que mostrasse Batman como ele foi concebido em 1939: uma criatura sombria da noite.

Mais uma vez digo que eu, pessoalmente, gostaria mais de fazer o personagem do que de jogar o videogame. Mas para todas as outras pessoas que não têm essa opção, videogames são uma excelente maneira de experimentar a emoção e o desafio de ser uma extraordinária figura como essa.

Desnecessário dizer que personagens de aventura deveriam ser apenas uma das facetas dos videogames. Da mesma forma que uma pintura nos permite olhar as faces e as almas das pessoas de outras eras, ou um livro permite que nos demoremos nos pensamentos de pessoas da História ou da ficção, videogames podem expandir nossa consciência de como o mundo é, ou de como ele poderia ser.

É um meio que ainda está em sua infância, mas leia isso de novo em alguns anos e veja se essa previsão não virou verdade: à medida que os videogames forem amadurecendo, nós iremos amadurecer".

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Não tem como não pensar no renascimento do Batman nos jogos eletrônicos com o excelente trabalho feito pela desenvolvedora RockSteady Games na franquia Arkham. Há toques dos anos 60, mas a "criatura sombria da noite" está mais presente ali. E todos nós podemos entrar na pele do personagem. Como West queria.

Ao longo de sua carreira, o ator emprestou seus talentos de voz e aparência para Family Guy: Back to the Multiverse (2012), Meet the Robinsons (2007), Disney's Chicken Little: Ace in Action (2006), Family Guy Video Game! (2006), Marc Ecko's Getting Up: Contents Under Pressure (2006), Disney's Chicken Little (2005), Scooby-Doo!: Unmasked (2005), XIII (2003), Goosebumps: Attack of the Mutant (1997) e Golden Nugget (1996).

Mas Adam West se reencontraria com Batman e os jogos eletrônicos em Lego Batman 3: Beyond Gotham. Um nível bônus do jogo retrata a versão dos anos 60 do herói, reproduzindo cenários e pistas visuais de 1966 e trazendo ninguém menos que o próprio West na dublagem. Como uma homenagem final, a Lego ainda disponibilizou Adam West como um personagem desbloqueável no jogo.

Sobre os céus de todas as Gothams, descanse em paz, Batman.

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4 comentários:

Luiz Antônio disse...

Batman é o meu personagem favorito de todos os super-heróis.

Um dos motivos disso foi ter me criado assistindo Batman com Adam West numa TV preto e branco depois que chegava do colégio (sim, sou velho).

Outro motivo disso é o fato de que Batman não tem super poderes (não voa, não tem raios congelantes, não é super forte, etc...). Ele é uma pessoa "normal" que sofreu uma tragédia familiar na infância e lidou com isso da maneira que ele podia: Muito treinamento físico e muito investimento para ter todo o tipo de bugiganga tecnológica que o dinheiro pode comprar.

Adam West foi o 1º Batman para mim e vai ter sempre um lugar especial nas minhas lembranças, mas considero que o melhor Batman de todos os tempos foi representado por Christian Bale. Ele realmente encarnou o personagem do jeito que eu sempre imaginei que ele deveria de ser: Solitário, violento, implacável e enxergando as pessoas como elas realmente são. Enfim... Uma criatura sombria da noite.

Shadow Geisel disse...

Mais um grande nome que se vai. Eu assistia a essa série do Batman quando tinha lá meus 7 ou 8 anos, e gostava muito. Que bom que ele viveu o bastante pra presenciar a era da Rocksteady.

disse...

Honestamente não sou muito fã do Batman. Essa coisa dark demais, pesada demais, intensa demais parece tão "cool para adolescentes" que eu não consigo deixar de achar tão... meh. Gosto muito mais do Batman do Adam West, da tosquice e da galhofa - pq a zoeira é eterna. Como Adam West.

Hawk disse...

Estou rejogando Batman Arkham Knight no PS4 e esse é o melhor jogo do Batman já feito.

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