Retina Desgastada
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21 de abril de 2017

Eu Vi: Warcraft

Warcraft-Movie-PosterMinha experiência com World of Warcraft não foi das melhores, meu conhecimento de seu lore é praticamente nulo e filmes baseados em jogos eletrônicos costumam ser realizados com pouco esmero ou mesmo interesse de seus realizadores. Consequentemente, minha expectativa em relação a Warcraft era bem baixa. O subtítulo nacional, O Primeiro Encontro Entre Dois Mundos, não ajudava muito.

E, de fato, verdade seja dita, o primeiro terço do filme prenunciava o desastre que havia construído em minha mente. Havia personagens demais na tela, com atores pouco expressivos e uma necessidade quase obsessiva de mostrar o maior número possível de cenários baseados no jogo nos primeiros minutos. A impressão que deixou era que o diretor estava tentando agradar somente a audiência que já possuía um conhecimento prévio do seu universo, uma vez que era quase impossível para um espectador médio criar uma ligação com o filme.

A grande verdade é que o primeiro terço é um trem sem freio, apressado, pesado, admirável talvez, mas dava a sensação que terminaria de forma catastrófica.

Fui surpreendido com uma história de fantasia que não tem medo de empregar a brutalidade como recurso narrativo e traz personagens com mais facetas do que se costuma ver em títulos do gênero.

Fui surpreendido com um filme bom.

Durotan e Orgrim

Não sei se a safra recente de filmes de fantasia tem seguido aquele modelo asséptico padrão dos contos de fada, mas Warcraft me pegou despreparado. Há mais ali de Conan, o Bárbaro do que de Crônicas de Nárnia. A obra de Duncan Jones não hesita em mostrar a violência e me surpreende que tenha obtido classificação indicativa tão baixa lá fora, provando que basta mudar a cor do sangue para verde que os reguladores fecham os olhos.

E, outra surpresa, Duncan Jones, o diretor, que por obra do destino também é  filho do finado David Bowie, não usa a violência como recurso gratuito, pelo espetáculo ou para chocar. Ela se torna uma ferramenta em suas mãos para mostrar o choque de culturas, para marcar com ferro o que significa ser um Orc. É uma abordagem tão interessante que os Uruk-hai de Peter Jackson parecem meras buchas de canhão em comparação. A Horda aqui é o mais ameaçador grupo de Orcs que já vi em várias mídias.

Apesar de parecer perdido em conduzir o enredo ou seus personagens, Jones encontra seu Norte logo em seguida depois dos tropeços do início. Sem que eu me desse conta, comecei a me importar com aqueles sujeitos na tela, alguns deles meras criações em CGI. Sofri, urrei e fiquei em choque em mais de uma cena. Há personagens no filme que realmente não fazem sentido, resultado do excesso deles na trama e da duração engessada em duas horas cravadas, mas o punhado de indivíduos em torno do qual gravita o enredo, vale a pena ser acompanhado.

Garona e Lothar

Da brutalidade emerge o drama, porque aqui a violência tem sua consequência. Erros são cometidos, vidas são ceifadas e temas como lealdade, política e honra são utilizados de uma forma mais madura do que se costuma ver nas fantasias açucaradas destiladas por Hollywood. O final é amargo, mas repleto de possibilidades.

Não é um filme perfeito, não é um Retorno do Rei, e seu elenco apresenta limitações, mas é uma grata surpresa de uma noite de sexta-feira e uma prova cabal de que é possível fazer um filme de qualidade que se inspire em um jogo. Basta respeito.

Honra entre Rivais

Ouvindo: Skinny Puppyy - Village
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3 comentários:

Shadow Geisel disse...

Que bom. Verei.

disse...

Eu só acho que ele podia ter pego um pouco mais leve nas reviravoltas da trama. Era tanta traição traindo outra traições que mais parecia uma partida de truco hahaha

Éder R. M. disse...

Eu achei um bom filme, embora esperasse mais. Esperava o novo O Senhor dos Anéis! :D Ainda mais que o diretor é filho do Bowie, um dos maiores artistas que já tivemos nesse planeta.

Quanto à falta de receptividade do público (na China foi um sucesso!) acho que se deve ao que considero o maior erro do filme: situar a trama bem no início da timeline, com a origem de tudo, em vez de situá-la já nos dias do WoW (ou mesmo do game Warcraft 3, cujo enredo foi a base do WoW), já que o MMORPG foi o que realmente transformou a série num fenômeno mundial. Com a audiência já fisgada, depois poderiam fazer esse filme com o início da história num possível Warcraft Origins.

De qualquer modo, espero que tenhamos continuações, principalmente para poder ver todas as histórias e personagens que amo nesse universo.

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