Retina Desgastada
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29 de março de 2017

Jogando: Deadlight

Deadlight 01

Por muito pouco não desisti de Deadlight. Com a imensidão de Far Cry 2 me esperando, com o retorno de Overwatch à minha Área de Trabalho, com os títulos que o Gamerview me pede para analisar, de repente não havia mais espaço para um jogo carregado de tentativas frustrantes de vencer e um sentimento opressivo de esmagamento no peito.

Quando estava prestes a largar Deadlight e escrever um "(não) Jogando" dele, resolvi dar uma olhada na internet para ver o quanto ainda faltava para terminá-lo. Descobri que estava no último capítulo. Respirei fundo e encarei uma maratona final de tentativas e erros, de movimentos sincronizados, da execução perfeita de diferentes teclas nos segundos exatos para ser recompensado com um belíssimo soco no estômago trinta minutos depois.

Estava aguardando um final amargo para a infernal busca de Randall, mas não estava preparado realmente. Deadlight bate forte em você enquanto sobem os créditos.

Com os nervos em frangalhos, agradeci mentalmente por não ter desistido do jogo.

Sombras Urbanas

Deadlight é um jogo de zumbis. Mas antes que você pare de ler por aqui, vale acrescentar que a Tequila Works conseguiu engendrar um jogo diferente de zumbis: sua perspectiva é lateral, como os clássicos Prince of Persia ou Flashback, sua paleta de cores quase monocrática relembra Limbo e a tônica aqui não é destruir as criaturas, quase invencíveis, mas escapar de uma América devastada por um apocalipse muito pior do que apenas o levante dos mortos.

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No papel de Randall, o jogador precisa reencontrar seus companheiros de viagens, outros sobrevivente, enquanto tenta descobrir o que aconteceu com sua família. Não é um título fácil em nenhum aspecto e a atmosfera de decadência e desespero toma conta de cada cena, capturando com perfeição o horror da situação. Não há espaço para a galhofa de um Dead Rising, a carnificina de um Dead Island, ou os exageros de um Resident Evil. Os mortos atacam, você foge para conseguir fugir novamente em outro momento.

Batizados aqui de Shadows ("Sombras", em Português), porque uma das regras ocultas das histórias de zumbis é não usar o termo "zumbi", os monstros emergem do fundo de cena para atacar o mesmo plano do jogador. Propositalmente, suas silhuetas parecem sombras. Assim como a do próprio Randall e dos outros vivos que ele encontra pelo caminho. Assim como em The Walking Dead, você não sabe mais se o termo "Sombra" se refere às criaturas ou aos protagonistas.

Os desenvolvedores da Tequila Works fizeram um excelente trabalho em recortar paisagens urbanas em seus mínimos detalhes. Você mergulha no cenário de um pesadelo que nunca termina, atravessa prédios, ruas, estradas, fábricas, hospitais e não encontra a esperança em lugar algum. Mas Randall e você não tem escolha a não ser seguir em frente.

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Infelizmente, a trajetória é punida com uma jogabilidade possivelmente projetada para te matar. Os comandos para saltar não são concisos, ora é necessário apenas apertar o botão para subir, ora é preciso apertar o botão de pular, ora você precisa usar os dois e essa dúvida pode significar uma sentença de morte em vários momentos. Em outras partes, o ideal é correr e ir improvisando, em outras é preciso avançar com cautela. Na sequência final, ou você executa os movimentos exatos nos momentos certos ou terá que repetir tudo desde um checkpoint dolorosamente lá atrás.

Deadlight pode parecer a princípio um jogo de puzzle, mas a agilidade é fundamental em várias partes, muito mais do que inteligência, o que pode acabar sendo frustrante. Não por acaso eu quase desisti. Para minha sorte, o jogo é curto, conciso, em cinco horas cravadas no Steam atingi o seu final, e deve-se considerar que repeti várias partes várias vezes... Para outros jogadores, essa pequena duração pode ser considerada um defeito.

Deadlight 10

Entre mortos e feridos, ou entre mortos e mortos-vivos, Deadlight conseguiu jogar uma luz diferente sobre o gênero. Uma luz que não ilumina, um jogo que deixa uma sensação de sufoco. E acredito que o objetivo era justamente esse.

Ouvindo: Serj Tankian - Left of Center
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6 comentários:

Gledson A. disse...

Aquino, não sei se há diferenças entre a versão original e a Director's cut (nem sei qual versão você jogou, aliás), mas existe um final alternativo para quem zera o jogo no modo Nightmare. Enfim, é claro que não vale a pena jogar tudo de novo em uma dificuldade maior, mas vale uma checada no Youtube para ver o tal final. Com isso tu pode entender o enredo do jogo segundo uma perspectiva alternativa, o que explica algumas coisas no primeiro enredo.

Para os interessados: https://www.youtube.com/watch?v=zd03Xt__jQk

C. Aquino disse...

Opa, joguei a versão normal (não foi a Director's Cut...). E quando apareceu a mensagem que o modo Nightmare estava desbloqueado eu pensei: "nem ferrando que eu vou jogar isso de novo de um jeito ainda mais difícil!". AhahahAHAH. Mas vou conferir esse final alternativo aí...

C. Aquino disse...

SANTA MÃE DE DEUS ESSE FINAL ALTERNATIVO!!!1!! O.o

Gledson A. disse...

Rs, pois é.

u-u

Marcos A. S. Almeida disse...

Rapaz, eu também não sabia desse final alternativo! Na verdade ele é o verdadeiro final! O final coerente!

Gledson A. disse...

É, ouvi uma coisa parecida na época que vi o vídeo também, Marcos. Interessante como eles conseguiram deixar o final verdadeiro ainda mais dark do que o normal.

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