Retina Desgastada
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5 de outubro de 2016

Jogando: Silent Hill 4

Silent Hill 4 02

Silent Hill não é sobre medo. Silent Hill é sobre perda, sobre a dor e a tristeza da perda. O medo é apenas uma consequência, um obstáculo a ser transposto, um ou mais inimigos a serem derrotados. A perda, esta é inevitável.

Silent Hill também é uma série da qual eu havia me ausentado há tempo demais. Em oito anos de blog, nunca voltei a jogar, ainda que Silent Hill 2 seja um dos meus jogos favoritos e Silent Hill 3 me tenha causado uma boa impressão. Mas os rumores eram de que o quarto capítulo não correspondia aos anteriores e ver a série afundando em sequências progressivamente irrelevantes até virar tema de máquinas de pachinko só serviam para aumentar meu medo. O medo da perda. Da perda de Silent Hill, um lugar que, por mais bizarro que pareça, tornou-se para mim familiar e aconchegante no universo dos jogos.

CoverMas resolvi aproveitar a proximidade do Outubro do Horror para tirar a poeira de um disco pirata do infame Silent Hill 4: The Room. O jogo nunca foi vendido em formato digital e me obrigou a recorrer a um hábito há muito abandonado. Sem surpresas, o disco não funcionou. Poderia ser um sinal arcano para abandonar essa insanidade e manter viva apenas as memórias do 2 e do 3? Ou seria um teste de minha determinação de mergulhar novamente em tão turvas águas? Mais de oito anos se passaram, se tornou extremamente fácil baixar outra versão ilegal do jogo.

E ela rodou.

O meu impacto inicial não foi dos melhores. Para um título de doze anos atrás, ele visualmente envelheceu muito mal. Em minhas lembranças, os gráficos eram melhores, a câmera menos problemática, o sistema de inventário menos confuso. Mas algumas sessões trancado nesse estranho mundo junto com o protagonista Henry Townshend foram suficientes para dissolver esse véu: os pesadelos são claramente nítidos agora, a câmera está onde ela precisa estar e se torna mais um elemento fora do meu controle em uma miríade de elementos que desejam me confundir. Cada luta é brutal e cansativa, cada fuga um ato de desespero.

Henry perdeu sua liberdade. Trancado em seu apartamento por forças que desconhece, ele tem acesso apenas a lugares fora do tempo e do espaço, povoado pelos horrores da cidade-fantasma-sonho. Ele é um mero observador na tragédia que se tornou sua vida. Ao contrário de protagonistas anteriores, Henry perdeu a si mesmo.

Silent Hill 4 01

No fundo de minha alma, sei que Henry está condenado e a resolução desse mistério não será nada agradável. Mas sigo em frente, ainda que com passos titubeantes.

Sim, estou de volta a Silent Hill. E ela estava me esperando.

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3 comentários:

Valter Machado disse...

Silent Hill é uma das minhas franquias favoritas, pelo menos até o quarto jogo da série. O grande problema é que a partir do quinto começam a copiar a historia do 2 incessantemente, praticamente esquecendo o culto mostrado no 1 e no 3 e que praticamente é a origem de tudo que vemos no game. Além disso a historia dos jogos mais recentes contradizem coisas que haviam sido estabelecidas no inicio da serie e clichês do gênero são usados com uma frequência enorme. Isso provavelmente se deu pelo fato que a equipe original que trabalhava com o jogo queria que ele tivesse terminado no terceiro, que basicamente fechava o ciclo da historia.

Aquino, caso queira conhecer melhor a historia da série recomendo esses vídeos do canal Twin Perfect:

https://www.youtube.com/watch?v=cDEHuzeOr9M&list=PL87676CF7D0B816B4

Eles fazem praticamente um trabalho investigativo, aferindo todos os fatos, com informações que podem ser encontradas dentro dos próprios jogos ou na boca dos criadores da série. Se você entende inglês, dê uma olhada pelo menos nos primeiros capítulos, você vai se surpreender.

Rabisco Virtual disse...

Reza a lenda que The Room era pra ser um jogo qualquer, até que alguém teve a idéia de ligar a proposta ao universo de Silent Hill. Até tentei investir no quarto título em meados de 2010 logo após ter terminado o primeiro Silent mais uma vez, mas The Room não vingou...

...talvez eu não estivesse no clima, talvez o jogo exigisse mais entrega pessoal do jogador a sua proposta intimista. O fato é que abandonei The Room sem a menor vontade de retornar.

Quem sabe um dia eu me perca em meio a neblina novamente.

Jefferson disse...

Eu adorei silent hill 4 e toda as suas mudanças, os ghosts, sistema de luta, interligação com outros jogos. Ano passado baixei ele no PC e achei os gráficos muito bons, perincipalmente comparado com outros jogos dessa época.

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