Retina Desgastada
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13 de agosto de 2016

(não) Jogando: Warhammer 40,000: Fire Warrior

Tau_Fire_Warriors_Battle

Você precisa entender duas coisas.

Primeiro, até onde eu sei, Warhammer 40,000: Fire Warrior é o único FPS ambientado no brutal universo espacial do 40º milênio.

Segundo, e eu tenho total certeza disso, Warhammer 40,000: Fire Warrior é o único FPS em todas as galáxias a colocar os Tau como personagens principais.

Depois de minha passagem por Dawn of War: SoulStorm, eu queria conhecer mais sobre o Bem Maior, a cultura guerreira-mas-pacifista dos Tau, seu armamento, suas unidades, sua luta para sobreviver em uma realidade castigada pela brutalidade.

E falhei miseravelmente.

Porque você precisa entender uma terceira coisa:  Warhammer 40,000: Fire Warrior é ruim de doer.

Batismo de Fogo

Fire Warrior - CoverVou poupá-lo da ladainha da dificuldade para instalar o jogo no Windows 10 ou como eu quase desisti e deveria ter interpretado isso como um sinal profético. Oficialmente, o jogo não vende mais em lugar nenhum, então precisei mergulhar em uma certa baía pirata para conseguir minha cópia.

No jogo, você controla um soldado do vasto Império Tau, recém-saído do treinamento que precisa passar pelo seu batismo de fogo: resgatar um Ethereal, um dos líderes espirituais da raça, capturado pelos execráveis humanos. O jogo promete colocar você, um reles Fire Warrior, frente a frente com Astartes e até mesmo forças do Caos em uma jornada profunda no lore de Warhammer 40K.

De boas intenções, o Warp está cheio e, de fato, a modesta desenvolvedora Kuju Entertainment até tenta. No primeiro nível, somos jogados no meio de uma série de trincheiras, castigadas por fogo de artilharia, com a Guarda Imperial patrulhando, carcaças flamejantes de Leman Russ espalhadas, é o sonho dourado de um fã da franquia, como se eu tivesse encolhido e entrado em uma batalha de Dawn of War.

Mas a ilusão se desfaz no primeiro tiro: o icônico rifle de pulso dos Fire Warior dispara um monte de bolinhas de energia que se espalham para todos os lados menos para o centro da mira e fazem o mesmo dano de bolas de gude arremessadas com a força do braço. Infelizmente, esse mesmo rifle será o seu companheiro eterno do início ao fim do jogo. O título permite que você carregue no máximo duas armas. A primeira é obrigatoriamente o rifle de bolinhas. A segunda você pode escolher entre o que encontra, dificultando muito suas escolhas táticas: se você levar uma arma de sniper, vai ficar limitado ao rifle de bolinhas; se você levar uma shotgun (a pior shotgun da história dos FPS), vai ficar limitado ao rifle de bolinhas. Mas Fire Warrior, o jogo, compensa esse desequilíbrio para você: todas as armas que poderiam cumprir a mesma função básica do rifle de bolinhas são tão ruins quanto.

A Kuju pegou muitas ideias de Halo e colocou no universo de Warhammer 40K, o que funciona muito bem no papel, mas na hora de implementar não deu certo. Você não é um Spartan. Você é um Fire Warrior. Seu escudo de energia descarrega em segundos, sua espada faz pouco dano, seu lançamento de granada também deixa a desejar. As tais trincheiras são uma desculpa para criar um mapa pobre visualmente, seus companheiros de combate tem uma AI tão limitada que nunca matam ninguém, só estão ali para aumentar a "imersão". O controle do mouse é estranho, a mira se move mais devagar que o mouse. A movimentação é estranha.

Ainda assim, eu continuava. Por quê? Porque Warhammer 40,000: Fire Warrior é o único FPS ambientado no brutal universo espacial do 40º milênio. Porque Warhammer 40,000: Fire Warrior é o único FPS em todas as galáxias a colocar os Tau como personagens principais.

Mas...

Os bugs.

Em uma das ocasiões, o meu personagem ficou preso em uma área do cenário e não saía de jeito nenhum, entre dois blocos do piso. Tive que usar granadas para morrer e voltar ao checkpoint anterior, que era mais longe do que eu esperava. Em outras ocasiões, o jogo simplesmente fechava, me obrigando a rejogar o mesmo nível de novo, já que os checkpoints só são válidos dentro da mesma sessão.

Por fim, já na prisão onde supostamente o Ethereal estaria preso, depois de ter passado por batalhas desesperadoras contra legiões de soldados da Guarda Imperial usando meu rifle de bolinhas, o jogo travou no elevador. Tentei de novo, passou. Outra batalha de vida ou morte, avança um pouco. Travou.

Recomeça o nível. Travou.

Iluminado pelo tal Bem Maior, tive a epifania: "desinstale, humano". Sem encontrar um único Astartes pelo caminho, tendo matado apenas os mesmos três tipos de inimigos. Mas já não era mais possível continuar. Já não era mais necessário continuar.

O Ethereal estava dentro de mim o tempo todo, o tormento foi aprender essa lição. Estou livre.

Screenshot

Ouvindo: Muzzarelasa - Damn Diarrhea
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3 comentários:

Juca disse...

Ano 40.000? Ainda existem seres humanos nesse ano?

Luca Custódio disse...

A proteção do imperador há de iluminar alguma equipe de fiéis humanos que nos salvará desta angústia de não não ter um representante a altura da Glória do imperador no gênero de FPS...

Luca Custódio disse...

A proteção do imperador há de iluminar alguma equipe de fiéis humanos que nos salvará desta angústia de não não ter um representante a altura da Glória do imperador no gênero de FPS...

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