Retina Desgastada
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16 de julho de 2016

Jogando: Soulstorm

TauWarhammer 40,000: a Humanidade se espalha por bilhões de planetas em um raio de 50 mil anos-luz da Terra. Seu governo é uma tirania brutal que controla com mão de ferro, burocracia, fanatismo religioso e violência cada um de seus habitantes. As alternativas para tal regime? A carnificina perpetrada pelos Orks sem nenhuma explicação, o genocídio arrogante oferecido pelos Eldar, o terror e a insanidade propagados pelos devotos dos demónios do Caos, a morte limpa e irrevogável perpetrada pelos silenciosos e implacáveis Nekrons.

Ou a paz e a harmonia em nome de O Bem Maior, sugeridos pelos Tau.

Boa parte da literatura e do lore do jogo de tabuleiro criados pela Games Workshop nos distantes anos 80 é focado na glorificação aparente dos Space Marines, a epítome militar do Império dos Homens, herdeiros genéticos do Imperador-Deus, bastiões da honra, da devoção, da bravata e das frases de efeito. Lendo nas entrelinhas, é possível perceber entretanto que há algo muito errado na forma como esse universo funciona e que a raça humana perdeu a compaixão, assim como a civilidade em prol da sobrevivência cega e da teocracia em nome de uma divindade involuntária.

No contraponto do palco de horrores criado anteriormente, a Games Workshop introduziu bem depois o Império Tau, um coletivo de raças unidas em torno de uma filosofia comum de prosperidade, aliança e respeito mútuos. É explicitado em alguns livros que os Tau são o que a raça humana seria se não tivesse sucumbido ao medo e ao ódio.

O que me leva a Soulstorm.

Derrotando os Eldars

"Pelo Bem Maior!"

O quarto e último jogo com a marca e o motor gráfico do primeiro Dawn of War é basicamente uma reedição de Dark Crusade. Se antes, tínhamos 7 raças disputando a superfície de um planeta ao mesmo tempo, em combates de 1x1 (com uma fantástica exceção), agora temos 9 raças disputando quatro planetas e três luas em combates de 1x1 (sem exceção alguma, lamentavelmente).  As mecânicas do jogo são rigorosamente idênticas, com batalha após batalha, sem história alguma além das cutscenes no ataque a cada Fortaleza de raça. É um pouco cansativo, principalmente se você estiver vindo de uma maratona da série.

Planetas

Soulstorm já mostra o desgaste da fórmula (ou do jogador), agravado por um mapa de batalha bem menos interessante que o mapa de Dark Crusade. A adição de duas raças novas, as ainda mais fanáticas Sisters of Battle e os corruptos Dark Eldar não mudam nada no front. Na verdade, esses últimos são muito fáceis de vencer, ao contrário das primeiras, que provaram ser um osso mais duro de roer do que os famosos Space Marines, talvez por serem as "protagonistas" deste quarto jogo.

Tentei iniciar o jogo controlando as "Mana das Treta", mas me decepcionei imensamente ao perceber que elas são essencialmente os Space Marines com outras texturas e atributos artificialmente turbinados. Na primeira batalha contra a Guarda Imperial, já desanimei e reiniciei a campanha. Tentei jogar com os Nekrons, meus favoritos de Dark Crusade. Mas percebi que seriam muitas horas utilizando as mesmas táticas que já tinha feito três anos antes e um jogo, que já parecia repetitivo, ficaria insuportável.

Courage and HonourExperimentei os Tau. Simultaneamente, estava lendo Courage and Honour, do segundo Omnibus dos Ultramarines, que retrata justamente uma invasão dos Tau a um planeta protegido pelos protagonistas. Consegui mergulhar na forma de pensar dos alienígenas e suas unidades de combate e fui abrindo caminho no jogo.

O livro é trágico. As vozes da razão e da sensatez perecem sem se conseguir fazer ouvir e a xenofobia determina o embate entre os dois povos. Mesmo a inevitável vitória humana ao final do livro é uma vitória pífia, conquistada ardilosamente e que significará um pesado fardo para a população do planeta. Não há espaço para a esperança no mundo de Warhammer 40K e os Space Marines partem para outra "missão de paz"...

No jogo, O Bem Maior é espalhado sob meu comando debaixo de laser, míssil e bombardeio nuclear. Claro que os Tau não conquistam nada na base da diplomacia. E os Kroot, uma das raças que compõem seu coletivo, se alimentam da carcaça dos inimigos abatidos para ficarem mais fortes. E o Ethereal, o líder espiritual de voz mansa, é justamente a unidade que convoca o bombardeio orbital.

A guerra é eterna, mas minha jornada pelo primeiro Dawn of War finalmente acabou. Não com a qualidade do primeiro ou a brutalidade de Winter Assault, mas com eficiência militar, disparos precisos e uma luta desesperada contra as Sisters of Battle ao final.

Que venham outros jogos.

Tau - Fire Warriors

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Um comentário:

felipe disse...

Cara muito boa sua análise, curti a referencia do livro. Acho demais a filosofia tau comecei jogando o darkcrusade com space marines hoje sempre busco fechar minha biblioteca no steam com toda a franquia, por fim FOR THE GREATER GOOD.

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