Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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25 de junho de 2016

Prezada Christina,

desculpe o descaso com que tratei sua morte. Uma nota de jornal sobre o assassinato de uma cantora que conquistou o terceiro lugar em um programa musical que não acompanho não me despertou qualquer reação. Foi necessário mais de um mês de tempo e ler um pouco mais para entender que ali estava não apenas outra jogadora como eu, apaixonada por aquilo que conhecia, mas também um ser humano, vítima da insanidade desse mundo.

Torço para que a Nintendo atenda o carinho de seus fãs.

E peço desculpas também no  lugar dela, caso não atenda. É bem possível que não vá. Robbin Williams, muito mais famoso, com muitos mais fãs, ainda aguarda uma resposta mais clara da gigante japonesa.

Também peço desculpas por ter tentado inutilmente mudar a visão da sociedade sobre nossos jogos eletrônicos. Aparentemente, eles não são uma possibilidade de homenagem para você ou alegria para incontáveis pessoas, mas um dos fatores responsáveis pela sua morte. Pouco importa que seu algoz tenha conseguido comprar duas pistolas automáticas e munição em um país onde não há qualquer tipo de controle rígido para aquisição de armas, um triste histórico de massacres e assassinatos de ídolos pop. Após todos esses anos, pesquisas, debates, estudos, a indústria dos jogos tem culpa na violência. Tanta culpa que até uma associação supostamente em prol dos interesses dos jogos acredita que a tragédia de Orlando está relacionada ao tema.

Não a insanidade de um indivíduo.

Não a proliferação de armas automáticas.

Não a religião.

Não a repressão sexual.

Mas os jogos.

E novamente nada será feito para atacar as verdadeiras causas. Até a(s) próxima(s) morte(s).

Desculpe por ter roubado um momento de luto que deveria ser só seu para novamente bater nas mesmas teclas de antes.

Descanse em paz, pequena elfa, jogadora, cantora, Christina Grimmie.

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Um comentário:

Anônimo disse...

Culpar a comercialização de armas por assassinatos é o mesmo que culpar os jogos de vídeo game pela violência. São dois argumentos que não se sustentam.

No Brasil o comércio de armas é extremamente restrito e ainda assim temos índices de violência tão superiores aos dos EUA que dá até vergonha comparar.

A Islândia é o país mais pacífico do mundo. Um país que possuiu uma arma para cada três habitantes (Karp, Aaron. 2007 "Completing the Count: Civilian firearms".) . Onde 82% das famílias afirmam possuir pelo menos um espingarda em casa (Duquet, Nils and Maarten Van Alstein. 2015 ‘Percentage of Types of Firearm Possessed [by Households] in European Countries, 2004-2005.).

A tragédia em Orlando só foi possível pois ninguém (inclusive o terrorista) podia portar uma arma naquele local. Por definição, qualquer terrorista/assassino/criminoso é um transgressor da lei e da ordem, pouco importando o fato do lugar ser ou não uma gun-free zone. O número de vítimas poderia ter sido menor se elas tivessem alguma chance de se defender.

Esse tipo de associação e alarde em "cultura das armas" ou "armas automáticas" nos casos de assassinatos ou terrorismo é tão absurdo e infundado quanto associá-los a "jogos eletrônicos violentos".

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